Disciplina

Disciplina é: ensino, instrução, educação, correção, doutrinamento, obediência, treinamento, observância estrita das regras e regulamentos, submissão de quem é ensinado, para com aquele que ensina.

“Disciplina rigorosa há para o que deixa a vereda, e o que odeia a repreensão morrerá.” (Pv 15:10)

 

Qualquer pessoa, para ser disciplinado na igreja, é necessário ter temor a Deus. O repeito a Deus e ao que é sagrado é a chave para a bênção. Veja o que diz o Livro de Provérbios:

“O temor do SENHOR é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino.” (Pv 1:7)

 

Não confundamos disciplina com doutrina bíblica, muito menos com usos e costumes. A disciplina está relacionada à ética (sistema de princípios morais, regras e padrões de conduta)  e deriva, para a Igreja, da doutrina. Por disciplina, podemos definir como “um conjunto de instruções destinado a manter a boa ordem”. Para a igreja, estas instruções são os preceitos divinos (Sl 19.8) que nos fazem andar pelo caminho da justiça e da verdade. Já a doutrina é, por sua vez, o conjunto de princípios bíblicos, teológicos, éticos e morais, expostos mediante ensino sistemático.

 

Sem disciplina, qualquer instituição entra em decadência. A disciplina bíblica visa corrigir alguma conduta, crença, ou caráter incompatível com a palavra do Senhor. A boa disciplina afasta o homem da carne e dirige o seu espírito unicamente a Deus. O ímpio odeia a disciplina (Sl 50:17), mas o genuíno filho de Deus, ama a disciplina (Pv 3:11), pois nela repousa a sua vida (Pv 5:11-13) e o seu próprio bem (Pv 19:18). O fundamento da disciplina está no amor (Hb 12:6-11). A disciplina aplicada com ódio não passa de vingança, e nada tem a ver com a disciplina do nosso Senhor (Mt 11:29).

 

Um homem de Deus bem disciplinado tem uma vida espiritual sadia, e palavras apropriadas para todas as circunstâncias. Ele conhece, ora, serve, adora, obedece, é humilde, corrige e é padrão de conduta (1Tm 4:12), não dá lugar à preguiça ou à má vontade (Rm 16:12), e não tem do que se envergonhar pois maneja bem a Palavra da verdade (2Tm 2:15).

 

Paulo disse que a igreja em Corinto se orgulhava pela postura tomada, ao invés de lamentar e tomar medidas necessárias para resolver a situação pecaminosa que hospedara entre os seus membros, trazendo maus testemunho à igreja. Ao lermos essa passagem (1Co 5:2) nos perguntamos o porquê desse orgulho dos coríntios perante o pecado público do irmão da fé: É possível interpretar que a igreja se orgulhava em não criar nenhuma confusão com o irmão pecador, fazendo no máximo vista grossa, fingindo não ser nada grave e continuar erroneamente tratando o pecador com todo o carinho, amor e respeito.

 

No entanto, a Bíblia fala da necessidade de disciplinar a igreja. Muitas vezes, irmãos comentem pecado falando de mais do erro alheio e tomando atitudes erradas, enquanto que os demais da igreja pecam se calando-se e se acomodando perante a situação. O problema da indisciplina na igreja traz outros problemas maiores. Os versículos posteriores ilustram bem o estrago que a indisciplina pode causar à igreja de Deus:

“Não é boa a vossa jactância [altivez]. Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda? Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento […]” (1Co 5:6-7)

 

Nesse caso, a massa se refere à igreja que é o corpo de Cristo; e o fermento, o pecado. O Satanás sabe que não pode atingir a igreja por fora; então, ele usa outra estratégia, tentando destruir por dentro. Por isso, no versículo acima Paulo corrige os coríntios mostrando que a igreja é a massa e o fermento, o pecado que contamina toda a igreja.

“Ele morrerá pela falta de disciplina, e, pela sua muita loucura, perdido cambaleia.” (Pv 5:23)

 

Nessa mesma passagem bíblica, Paulo reconhece que o mundo é constituído de impuros. Ele diz que não está ensinando que a igreja deva se isolar do mundo. Sempre teremos contato com “…avarentos, ou roubadores, ou idólatras…” (v.10). Mas ele reforça que não se deve haver “associação com impuros” (v.9), isto é, aqueles que: “[…] dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador…”. Ou seja, é aquele que professa a fé cristã, mas tem comportamento imoral (impuro); ou tem afeição descabida pelas suas próprias posses materiais (avarento); ou o que distorce a fé verdadeira por sua prática ou ensinamentos (idólatra); ou o que tem o hábito de caluniar ou de espalhar boatos (maldizente); ou o que está sob o domínio de substâncias que impedem o comportamento racional (beberrão) nas quais estão o álcool e, certamente, as drogas, em vez de sob o controle do Espírito Santo; e, finalmente, o que demonstra ganância e não respeita a propriedade alheia (roubador).

 

Não podemos esquecer o objetivo principal de toda disciplina:  “[…] a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus.” (1Co 5:5). O objetivo era a salvação daquela alma disciplinada. Essa deve ser também a nossa visão: consciência da necessidade da disciplina, percepção dos perigos da sua falta de aplicação, apoio à sua aplicação correta no caso de comportamento anticristão contumaz, oração e desejo de arrependimento pelo disciplinado.

 

A disciplina é também um treinamento para que o coração do crente abra cada vez mais e o seu espírito esteja apto para compreender os outros ensinamentos de Deus, deixando o coração carnal rebelde e egoísta. É comum algumas pessoas dizerem “a pregação de hoje não tem nada a ver”, ou “eu tenho o meu jeito de servir a Deus”; mas quem tem coração humilde sabe muito bem que as coisas não são assim.

 

Várias epístolas do Novo Testamento nos ensinam como viver na disciplina do Senhor.

“Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça.” (Hb 12:10)

 

A seguir, desejo compartilhar com a igreja, um trecho da carta de uma irmã de fé:

“Geralmente, quando frequentamos os cultos, passamos a conhecer as vontades de Deus e seus desígnios.

E, através das relações de amizades criadas com os pastores, bispos ou irmãos, ouvimos suas experiências na fé, testemunhos e algumas vezes, correções.

Muitos de nós, parecemos ter profunda rejeição pelas correções alheias ou pelas disciplinas que recebemos. Antes de entendermos que é para o nosso bem, entendemos que é ofensivo.

Em geral, as críticas, até as construtivas, são ouvidas com muito pesar e rejeição. Claro que, é necessário criticar de um modo adequado, evitando ofender, de fato, o ouvinte.

Porém, as correções na fé, advindas da própria Bíblia, é necessário para o crescimento espiritual, e consequente, para a nossa vida diária.

A correção vinda de pastores e irmãos experientes tem o intuito de nos admoestar para, unicamente, o crescimento. Caso, nossos ouvidos ouçam com vontade de aprender, levamos aquela correção como presente. Porém, se ouvimos as correções como uma afronta à nossa pessoa, descartamos e tapamos os ouvidos para o nosso possível crescimento.

Muitos de nós, ainda, relutamos em ouvir os nossos erros ou algo em que ainda somos deficientes na fé e no comportamento. Por isso, é mais fácil evitar e relutar do que ouvir e compreender.

Geralmente, nós somos deficientes em observar os nossos próprios erros, porém, os de fora, conseguem visualizar com mais clareza e nos mostrar. Por isso, alcançamos a disciplina na fé através das admoestações.”

 

Por isso…

Na Epístola aos Hebreus está escrito: “Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos. Se, pois, se tornou firme a palavra falada por meio de anjos, e toda transgressão ou desobediência recebeu justo castigo, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? […]” (Hb 2:1-3)

 

Na Epístola de Paulo ao Tito vemos algumas recomendações:

“[…] No ensino, mostra integridade, reverência, linguagem sadia e irrepreensível […]” (Tt 2:7)

 

“[…] Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sadios na fé” (Tt 1:13)

 

A igreja de Deus deve se santificar, ou seja, separar-se de coisas contaminadas. Todos viemos do mundo. Não podemos trazer coisas mundanas para a nova vida em Cristo. Na Casa de Deus deve sim, haver disciplina. Não podemos permitir que a podridão do mundo reine na Casa de Deus e contamine os demais. Estudamos em postagem anterior A Purificação do Templo que o nosso Senhor JESUS Cristo condenou o Templo, porque ali não havia mais respeito pelo SENHOR, tornando-se covil de salteadores.

 

Não ande dizendo “Não gostei do que o Pastor disse hoje”, ou “Não gostei do culto”. O culto não é para você, e sim para Deus. Portanto, quem deve se agradar ou não do culto é o próprio SENHOR.

 

Não podemos nos intimidar com falsos irmãos que naufragam na fé (1Tm 1:19) fazendo ameaças de se desligarem da igreja por não aceitarem a disciplina bíblica. A respeito disso, a Palavra diz:

“Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo.” (Hb 3:12)

 

“Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos.” (1Jo 2:19)

Leia: Hb 12