“Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados.” (Mt 26:26-28)

 

Introdução

A Ceia do Senhor, também conhecida como a “Última Ceia”, “Santa Ceia”, ou “Partir do Pão” (At 2:42), refere-se à última refeição do Senhor Jesus Cristo antes da sua crucificação:

“[…] O Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.”  (1Co 11:23-25)

 

O ato de participar da Ceia tem significados profundos:

  • ser obediente ao Senhor – Mt 26:26;
  • lembrar as obras que o Senhor Jesus fez por nós – 1Co 11:24-25;
  • admitir que fomos salvos mediante o sangue que o Senhor Jesus derramou na cruz – Mt 26:28;
  • estar em comunhão com Cristo – 1Co 10:16-17;
  • anunciar o advento do Senhor Jesus – 1Co 11:26.

Por isso, todos os irmãos devem participar da Ceia do Senhor.

Veremos aqui, em 11 capítulos, a importância de conhecermos esse mistério e de refletirmos todas as vezes que participarmos da Ceia do Senhor.

 

1. A Páscoa

A última ceia do Senhor Jesus foi, na verdade, uma ceia de Páscoa. A Páscoa é uma festa em honra ao SENHOR, uma ordenança, que data da época de Êxodo (cerca de 1440 a.C.) e que comemora a libertação e saída dos filhos de Israel do Egito, onde viviam escravizados pelo faraó.

Quando faraó endureceu o coração e não permitiu a saída do povo de Israel da terra do Egito, o SENHOR enviou dez pragas. Antes que a última delas acontecesse – que foi a morte dos primogênitos dos egípcios, o SENHOR instituiu a Páscoa.

A primeira festa de Páscoa aconteceu da seguinte forma: o mês da saída do Egito foi o primeiro mês do ano sagrado (nisã-abibe). No 14º dia desse mês, entre as tardes, isto é, entre a declinação do sol e o seu ocaso, deviam os israelitas matar o cordeiro da Páscoa e abster-se do pão fermentado. A grande festa da Páscoa durava sete dias; mas somente o primeiro e o sétimo dias eram particularmente solenes.

O cordeiro morto devia ser sem defeito, macho, de um ano. Quando não fosse encontrado cordeiro, os israelitas podiam matar um cabrito. Naquela mesma noite deviam comer o cordeiro assado, com pão asmo e ervas amargas. Os ossos do cordeiro não poderiam ser quebrados e nada poderia ficar até a manhã seguinte, devendo ser queimado o que sobrasse. Aqueles que comiam a Páscoa deviam estar na atitude de viajantes: cingidos os lombos, pés calçados e cajado na mão, alimentando-se apressadamente (cf. Êx 12 e Nm 9).

O SENHOR Deus ordenou aos filhos de Israel que comemorassem a Páscoa em todas as suas gerações, para se lembrarem de que eram escravos e de que o SENHOR, com a sua mão poderosa, os havia tirado da terra do Egito, após mais de quatro séculos de escravidão.

“Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim.” (Êx 20:2-3)

 

Séculos mais tarde, o Senhor Jesus ordenou aos seus discípulos que preparassem a Páscoa num espaçoso cenáculo (Lc 22:7-13). Nesse local o Senhor abençoou o pão e, partindo-o, deu aos discípulos; de maneira semelhante, fez com o cálice.

 

O fato de o nosso Senhor Jesus Cristo ter morrido e ressuscitado na época da Páscoa não foi mera coincidência. Na verdade, foi o cumprimento das profecias. Observe a seguinte comparação:

 

ANTIGO TESTAMENTO x NOVO TESTAMENTO

(A.T.) Cada família israelita deveria matar um cordeiro sem defeito. (Êx 12:5)
(N.T.) Jesus Cristo, o Cordeiro sem pecado foi imolado por nós. (Jo:18:38, 19:4, 6; 1Co 5:7; Ap 5:12)

(A.T.) O sangue do animal deveria ser posto em volta da porta. (Êx 12:7)
(N.T.) Jesus disse: “Eu sou a porta” (Jo 10:7, 9); O seu sangue foi aspergido (Hb 12:24)

(A.T.) Nenhum dos seus ossos poderiam ser quebrados (Êx 12:46)
(N.T.) Quebraram os ossos das pernas dos ladrões que também haviam sido crucificados, mas não os de Jesus. (Jo 19:31-37)

(A.T.) O estrangeiro peregrino não deveria participar da Páscoa (Êx 12:43 e 45)
(N.T.) Aqueles que não abraçam a doutrina do Senhor Jesus não devem participar da Ceia (1Co 5:8-13)

(A.T.) Nada poderia ser deixado até a manhã seguinte (Êx 12:10)
(N.T.) À tarde daquele mesmo dia, o corpo do Senhor foi tirado da cruz e sepultado (Mt 27:57-61)

 

Na Páscoa, um cordeiro sem defeito deveria morrer e o seu sangue era passado em volta da porta das casas como sinal para a salvação do povo israelita. Jesus Cristo, como Cordeiro de Deus sem pecado, morreu por nós durante as comemorações de Páscoa derramando o seu sangue na cruz, para que nós, através do seu sangue, pudéssemos ter os nossos pecados lavados e purificados. Por isso, ao ressuscitar, o Senhor Jesus falou sobre a importância de todos crerem neste evangelho* e receberem o batismo para serem salvos.

*evangelho: significa Boa Notícia.

Batizar é lavar-se no sangue do Cordeiro; é passar pela “porta” (veja o quadro anterior) – lembre-se de que, na época da Páscoa, apenas aqueles que estavam dentro das casas com marcas de sangue na porta é que foram salvos.

 

Conclui-se, portanto, que a Páscoa é uma festa de redenção (Ef 1:7), realizada em memória de Jesus Cristo (Lc 22:19-20, 1Co 11:24-25).

“Sabeis também que ele se manifestou para tirar os pecados, e nele não existe pecado.” (1Jo 3:5)

 

2. A mesa do SENHOR

Sentar-se com o Senhor Jesus à mesa é um grande privilégio. Em Apocalipse 3:20, Ele diz que se nós ouvirmos a sua voz e abrirmos a porta, Ele entrará e ceará conosco. Mas será só isso?

Não, porque cear não é só comer, mas também é estar em comunhão. Comer com o inimigo na mesma mesa é um ato extremamente desagradável, por isso, a Bíblia nos adverte: “com esse tal, nem ainda comais” (1Co 5:11); mas, ao sentarmos com o Senhor Jesus Cristo, que é o Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz (Is 9:6), Ele certamente falará ao nosso coração a respeito do seu grande amor, do que Ele fez por nós, e o que devemos fazer por Ele. A Ceia do Senhor é um momento para todos os membros do Corpo de Cristo se reunirem para dar glória ao Senhor Jesus.

“Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha.” (1Co 11:26)

 

Hoje, encontramos à venda nas lojas, uma grande variedade de mesas, com materiais, tamanhos e formatos diferentes. Preste atenção no formato delas e no significado:

  • mesa balcão – é uma mesa que não permite comunhão, cada um senta olhando para a parede num ato talvez solitário e/ou individualista;
  • mesa redonda ou quadrada – bastante encontrada em lanchonetes e restaurantes, é a mesa de amigos, onde todos se consideram iguais;
  • mesa retangular – é uma mesa formal e mais tradicional, encontrada em muitos lares; também é o móvel principal das salas de reunião. Quem senta na ponta é a autoridade, seja um chefe de família na sua própria casa, ou o diretor, presidente, rei…

A mesa do SENHOR, onde eram colocados os pães no tabernáculo, era retangular (Êx 25:23) veja também Tabernáculo – A mesa de pães. Visto que se tratava de figura e sombra das coisas celestes (Hb 8:5), o Senhor Jesus é o pão da mesa (Jo 6:47-59), sendo Ele mesmo, o anfitrião das bodas (Ap 19:9) que se ofereceu para cancelar o escrito de dívida contra nós (Cl 2:13-15, 1Pe 1:18-19).

 

3. O Desejo do Senhor Jesus Cristo

Em sua última Ceia, o Senhor expressou o seu grande desejo:

“Chegada a hora, pôs-se Jesus à mesa, e com ele os apóstolos. E disse-lhes: Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes do meu sofrimento.” (Lc 22:14-15).

O motivo desse desejo era que nós, os participantes da Festa do Senhor, observássemos:

  • a gratidão – Jesus deu início à sua última ceia abençoando e dando graças (1Co 11:24), por conseguinte, nós devemos sempre dar graças pela obra da salvação. Confira Atos 20:28 que diz: “[…] A igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue.”
  • a confissão – ao participarmos da Ceia do Senhor, devemos nos examinar. Sem o auto-exame, não há confissão, onde não há confissão, não há arrependimento e, consequentemente, sem arrependimento, não há perdão. Cristo morreu perdoando para que nós, que estávamos mortos no pecado, pudéssemos viver, porque o amor cobre multidão de pecados. Veja mais adiante, no capítulo 10 “Examine-se a Si Mesmo”;
  • o perdão – o Senhor Jesus Cristo morreu carregando os nossos delitos, encravando-os inteiramente na cruz. Nós fomos perdoados por Ele (cf. Cl 2:13-15). “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” (Ef 2:1).
  • o compromisso – O Senhor disse: “fazei isto”, o que exige um compromisso sério de todos os participantes. Veja mais adiante, no capítulo 7 “Em memória de mim”.

4. A comunhão do corpo de Cristo

“Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão.” (1Co 10:16-17)

 

A Ceia do Senhor é comunhão entre o cabeça, que é Cristo, e o corpo, que é a igreja, claramente representada no “Partir do Pão”. O participante do corpo de Cristo é participante da Igreja de Cristo, isto é, um membro constantemente ativo de bons testemunhos, no amor e nas obras de fé e observador da Doutrina; que pode dizer “Amém” à seguinte Palavra:

“Para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam. Ora vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo.” (1Co 12:25-27)

 

Participar da mesa do Senhor não é simplesmente tomar, comer e beber, mas uma condição digna e fundamental do cristão em proclamar a sua verdadeira fé ativa.

Longe de ser um ato supersticioso, participar do corpo e do sangue do Senhor é estar em comunhão permanente com Jesus juntamente com os membros da igreja. Assim como é constrangedor para um indivíduo que não trabalha como deveria que toma um lugar à mesa com os trabalhadores sérios, é aquele que, sem comunhão diária, almeja participar do Pão e do Cálice oferecidos pelo Senhor. Ninguém deve se enganar pensando que apenas participando da Ceia do Senhor estará obedecendo à Palavra; pois este sagrado ato inclui, na verdade, todos os atos da vida do irmão convertido ao Senhor Jesus Cristo. Em 2Ts 3:10 está escrito:

“[…] Se alguém não quer trabalhar, também não coma”.

 

Superstição – Sentimento de veneração religiosa fundada no temor ou ignorância e que conduz geralmente ao cumprimento de falsos deveres, a quimeras, ou a uma confiança em coisas ineficazes.

 

5. “Isto é o meu corpo”

O pão da Ceia representa o corpo de Cristo (Mt 26:26), que, por sua vez, representa a igreja (cf. 1Co 12:27, Ef 1:22 e 23, 5:23 e 30). A Bíblia nos ensina que, embora sejamos muitos, devemos ser unicamente um pão, referindo-se à comunhão dos que creram e a unicidade do pão.

  • o pão da Ceia deve ser único, representando o corpo do Senhor Jesus; portanto é errado partir vários pães ou distribuir várias *hóstias como fazem alguns.  *hóstia – Latim, e vocabulário católico: vítima.
  • Jesus é o cabeça, e a igreja o seu corpo; portanto, a igreja, que é união dos que foram salvos, deve sempre estar em comunhão com Cristo.
  • assim como o pão da Ceia do Senhor não deve conter fermento, a doutrina da igreja não deve conter ensinamentos mundanos. Veja mais adiante, no capítulo 11, Fermentos.

“[…] Para reunir em um só corpo os filhos de Deus, que andam dispersos.” (Jo 11:52)

 

Em certa ocasião, o Senhor Jesus disse:

“Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia.” (Jo 6:54).

 

Muitos, associam essas Palavras à Ceia do Senhor, defendendo a transubstanciação do pão e do cálice. Entretanto, observe cuidadosamente que, ao se referir à Ceia, o Senhor Jesus jamais disse carne, e sim corpo:

  • Mt 26:26 – “[…] Tomai, comei; isto é o meu corpo”;
  • Mc 14:22 – “E, enquanto comiam, tomou Jesus um pão e, abençoando-o, o partiu e lhes deu, dizendo: Tomai, isto é o meu corpo”
  • Lc 22:19 – “[…] Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim”.

Também o apóstolo Paulo, ao orientar os irmãos da igreja em Corinto a respeito da Ceia do Senhor, não disse carne e sim corpo, assim como o Senhor Jesus havia ordenado:

  • 1Co 11: 24 – “[…] isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.”

Afirmar que participar da Ceia é comer da carne do Senhor é concordar com a transubstanciação; e passa a ser um ato de canibalismo, tornando-se incoerente com a Bíblia.
Nenhuma palavra da Bíblia é contraditória entre si; entretanto, os homens erram por não observarem atentamente as Palavras de Deus. Veja o quadro abaixo:

 

C o m p a r e

“Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne.” (Jo 6:51)

 

“[…] quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (Jo 5:24)

 

“Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra viverá.” (Jo 11:25)

 

Através dessa pequena comparação, percebemos que o Senhor Jesus afirma que aquele que ouve e crê Nele tem a vida eterna, portanto a palavra carne está relacionada às suas Palavras e não em comer literalmente a sua carne.

  • carne não é o mesmo que corpo, carne faz parte do corpo, ou seja, quando se diz corpo, refere-se ao todo.
  • o pão da Ceia representa o corpo que é a igreja, e representa a comunhão, como já foi explicado anteriormente.

Assim como o corpo é constituído por carne, a igreja deve ser edificada sob as Palavras de Deus, pois assim disse o SENHOR: “Não só de pão viverá o homem, mas de tudo que procede da boca do SENHOR viverá o homem.”(Dt 8:3). Amém! A igreja, que é o corpo de Cristo, deve viver através de tudo que procede da boca do SENHOR.

 

A ingestão de sangue é proibida tanto no Antigo como no Novo Testamento; por isso, participar do Cálice não é beber literalmente o sangue do Senhor. Na Ceia, o sangue representa a Nova Aliança, que será explicado com mais detalhes no capítulo seguinte.

O corpo é constituído por carne e todo o corpo é banhado pelo sangue, que é único e circula da cabeça aos pés. Quando o Senhor Jesus afirma que o seu sangue é verdadeira bebida, refere-se ao Espírito Santo (cf. Jo 6:55; 4:14; 7:37~39).

 

Lembremo-nos do que está escrito em Efésios 5:23 – Cristo é o Cabeça e a igreja o Seu corpo. Portanto, assim como um corpo sem sangue é um corpo morto, a igreja sem o Espírito Santo é uma igreja morta.

“[…] E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8:9)

 

6. O sangue da Nova Aliança

Sangue é o preço que o Senhor Jesus pagou para nos redimir do pecado. O pecado engana, corrompe e mata, mas o sangue do Senhor Jesus nos redime, lavando e purificando de todo pecado (Ef 1:7, 1Jo 1:7). O sangue de Jesus é a fonte do perdão, da nossa justificação e da fé cristã (Hb 9:22, Rm 5:9).

 

Ao tomarmos o cálice da Ceia, devemos nos lembrar que o Senhor Jesus pagou um alto preço para a igreja poder estar unida com Ele, o Único Salvador. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14:6). Acolhamos esta grande verdade no nosso coração e alegremo-nos no Senhor. Aleluia!

“A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados.” (Mt 26:27-28)

 

O que significa Nova Aliança?

Para falarmos da Nova Aliança, primeiro precisamos nos lembrar da Antiga Aliança, também chamada Primeira Aliança que se refere à Lei de Moisés que era parábola (Hb 9:9), figura e sombra dos bens vindouros (Hb 10:1).

 

O irmão que lê a Bíblia pode notar que na época de Moisés e subsequente, os israelitas sacrificavam animais, derramando o sangue deles. E isso porque, pela Lei, eles deviam fazer esses sacrifícios, pois sem derramamento de sangue não havia remissão. (Lv 17:11, Hb 9:22).

 

Na Epístola aos Hebreus, está escrito:

“Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer.” (8:13).

 

“[…] Remove o primeiro para estabelecer o segundo.” (10:9).

 

A Lei foi estabelecida por causa das transgressões do povo (Gl 3:19). Entretanto, com o passar dos anos, muitos passaram a obedecê-la maliciosamente, somente por temerem a punição, deixando de prestar a devida honra a Deus, o que era o verdadeiro propósito da Lei. Assim, toda prática religiosa tornou-se uma atitude hipócrita. Por esta razão, está escrito em Gálatas, 3:10-11:

“Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no Livro da Lei, para praticá-las. E é evidente que pela lei ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé.”

 

Jesus Cristo, o nosso Senhor, veio para cumprir a Lei (Mt 5:17) e, assim nos tirar do jugo da Lei. Na noite em que foi traído, depois de haver ceado, o Senhor Jesus tomou em mãos o cálice representando o sangue que Ele haveria de derramar para nos redimir e ainda disse ser o sangue da Nova Aliança (Mt 26:27-28). Sim, com a morte e a ressurreição de Jesus, uma nova aliança foi sancionada. Mas qual?

 

Confira Jeremias 31:31-34:

“Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que farei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porque eles invalidaram a minha aliança apesar de eu os haver desposado, diz o SENHOR. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR; porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR; Pois perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei.”

 

A Segunda Epístola aos Coríntios 3:3-18 confirma a profecia de Jeremias e nos ensina que a Nova Aliança é regida pelo Espírito Santo. Assim, todos nós, recebendo o Espírito Santo, podemos cumprir toda a vontade do Senhor Jesus, não por medo de sermos punidos, mas com alegria e prazer em poder servir a Deus. Aleluia!

 

7. “Em memória de mim”

Em 1Co 11:25 está escrito:

“Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.”

 

“Em memória de Cristo” não significa apenas lembrar-se historicamente de Jesus Cristo; mas reconhecer a maravilhosa salvação que Ele nos concedeu através de sua Obra na cruz e estar ciente de que Ele está conosco o tempo todo; caso contrário, seria como se estivéssemos sentados sozinhos à mesa sem o Anfitrião. Por isso, firmando um compromisso sério com o Senhor, vamos viver, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, lutando juntos pela fé evangélica (cf. Fp 1:27).

 

“[…] E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século.” (Mt 28:20).

 

8. “Anunciais a morte do Senhor”

Ao contrário do que muitos pensam, não é certo participarmos da Ceia do Senhor com tristeza; pelo contrário, festejando (1Co 5:8) com gratidão.

Assim como o cordeiro da Páscoa era oferecido em sacrifício, o Senhor Jesus se ofereceu como sacrifício para nos libertar do pecado. Ele venceu a morte e ressuscitou, deu ordem para a evangelização e batismo; subiu aos céus, prometendo em breve o Seu retorno, desta vez, para arrebatar a Sua Igreja. Derramou o Espírito Santo e fazendo daqueles que creem nele filhos de Deus, dignos do Reino Celestial. Se não acreditarmos nesta realidade, não há motivo para nos reunirmos para a Ceia do Senhor.

“Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas”. (At 2:41)

 

9. “Até que Ele venha”

Em 1Co 11:23-26 está escrito que o Senhor Jesus nos deixou a ordem de participar do Pão e do Cálice e de anunciar a obra que Ele fez na cruz por nós até a Sua vinda.

Desse modo, devemos participar da Ceia do Senhor, com a certeza da Sua volta, quando seremos arrebatados aos céus, onde participaremos das Bodas do Cordeiro. Paralelamente, vemos registrado no livro de Êxodo que o SENHOR ordenou aos israelitas participarem da Páscoa no Egito com lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão e comendo apressadamente, pois algo maravilhoso estava para acontecer no dia seguinte pelas mãos poderosas do SENHOR: A libertação de todos os filhos de Israel.

 

O homem que não tem nenhum plano a curto prazo não se importa de demorar, ao passo que aquele que tem objetivos movidos pela esperança, apressa-se em alcançá-los.

“Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro […]” (Ap 19:9)

Confira também:

  • At 1:9-11 – “[…] Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir”.
  • Jo 14:3 – “E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também”.
  • Mc 13:26 – “Então, verão o Filho do Homem vir nas nuvens, com grande poder e glória”.
  • Ap 17:14 – “[…] E o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele”.

10. “Examine-se a si mesmo”

Não era permitido a um estrangeiro incircunciso comer da Páscoa (Êx 12:43 e 45), por ser ele alheio à doutrina do SENHOR e, consequentemente um estranho ao SENHOR; da mesma maneira, o incrédulo não deve participar da Ceia do Senhor.

O estrangeiro que estivesse habitando entre o povo de Deus, para participar da Páscoa era necessário observar as Leis (Êx 12:44 e 48-49, Nm 9:14). Assim, todos que participam da Ceia do Senhor devem andar de acordo com os mandamentos do Senhor.

“Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos” (1 Jo 5:3).

 

A Ceia do Senhor, assim como a Festa de Páscoa, é um momento sagrado do povo de Deus, em que é comemorado o Salvador e a sua salvação. É também um momento de reflexão para toda a igreja, pois em 1Co 5:11 há uma severa advertência referente aos irmãos não praticantes ou desviados da doutrina de Cristo. Participar da Ceia do Senhor é:

  • participar do Corpo (Igreja) e do Sangue do Senhor (Salvação).
  • estar em comunhão com Cristo juntamente com os irmãos da fé.
  • declarar a sua fé e obediência por Cristo Jesus.
  • assumir, confessar e declarar que é membro do corpo de Cristo, no qual, o próprio Senhor Jesus é a cabeça. O corpo deve ser, portanto, obediente e totalmente submisso (Ef 5:22-24).
  • examinar-se a si mesmo se anda de acordo com a doutrina de Cristo (2Co13:5, 2Pe 1:3~11).

“Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele.” (1Co 6:17)

 

Obviamente, aquele que mantém comunhão com Cristo não deve, jamais, manter comunhão com o Maligno. Como poderia alguém que diz membro do corpo de Cristo participar de rituais idólatras, nos quais há todo tipo de coisa abominado pelo Senhor?

O ato de participar de oferendas e sacrifícios, a outros deuses, em forma de cerimônias, louvores ou danças, já é, segundo o bom senso, ser sócio do mal. A isto chamamos de prostituição espiritual. Veja Idolatria é pecado

  • “Ninguém pode servir a dois senhores […]” (Mt 6:24).
  • “[…] Julgai vós mesmos o que digo.” (1Co 10:14).
  • “[…] Não quero que vos torneis associados aos demônios.” (1Co 10:20).
  • “[…] Não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.” (1Co 10:21).
  • “[…] Porventura, tomaria os membros de Cristo e os faria membros de meretriz? Absolutamente, não.” (1Co 6:15).
  • “[…] Que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo? Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? […]” (2Co 6:14-16).
  • “Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei” (2Co 6:17).

Judas Iscariotes foi escolhido a dedo pelo Senhor Jesus e com Ele esteve durante três anos; porém, acabou por traí-Lo, pois embora estivesse sempre presente com os demais discípulos, ele não estava em comunhão com Cristo, isto é, não fazia parte do corpo do Senhor. A sua fraqueza logo se manifestou em Betânia, quando disse: – “Porque não se vendeu este perfume por trezentos denários e não se deu aos pobres?”(Jo 12:5). Na verdade, ele não tinha cuidado com os pobres, mas estava pensando em subtrair o dinheiro (cf Jo 12: 6). Sendo Judas cobiçoso, e não podendo se conformar com a missão de Jesus Cristo, o seu coração foi se corrompendo até que “entrou nele Satanás” (Jo 13:27). Estava presente no cenáculo da última Páscoa do Senhor, foi quando Jesus disse –“o que mete comigo a mão no prato, esse me trairá” (Mt 26:23); e, de fato, pouco depois, com um beijo, entregou Jesus para ser crucificado.

“Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si.” (1Co 11:27~29)

 

11. Fermentos

Uma das exigências da festa da Páscoa era que os pães fossem asmos, e por isso ela também era chamada de Festa dos Pães Asmos (Êx 12:17). Asmo significa “sem fermento” e este é um detalhe bastante importante: cázimos em algumas traduções bíblicas

 

O fermento, no que se refere à igreja, representado no pão da Ceia do Senhor, é símbolo de corrupção. Em Gálatas 5:9 está escrito: “Um pouco de fermento leveda toda a massa”, mostrando que um pouco de ensinamento mundano pode ser capaz de contaminar e corromper os membros do corpo de Cristo, que é a igreja.

 

Os irmãos, com muita oração e cheios do Espírito Santo, devem ser uma nova massa, sem fermento, celebrando o Senhor Jesus Cristo e a sua salvação com os asmos da sinceridade e da verdade (cf. 1Co 5:7-11).

Atualmente temos no mercado uma grande variedade de fermentos biológicos ou químicos, prontos para o uso. Mas, nos tempos bíblicos, as pessoas obtinham a fermentação artesanalmente, principalmente através do mosto. Uma vez levedada a massa, separava-se dela uma pequena porção e fazia-se pão com a massa restante. Posteriormente, aquela porção com fermento era acrescentada à nova massa, e a levedava também. Era a maneira de obter pão caseiro evitando o uso contínuo de mosto.

Isso é uma comparação ao Maligno: os filhos de Israel não deveriam levar na sua longa caminhada à Terra Prometida, nenhum pedaço de pão velho, ou seja, do passado. Assim também, hoje, o irmão que participa da Ceia do Senhor, participa do pão, como integrante da Nova Massa, e deve deixar para trás a velha vida cheia de pecado.

“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2Co 5:17).

 

Veja, a seguir, sete tipos de fermentos malignos citados no Novo Testamento.

 

a. Fermento dos fariseus (Mt 16:5~12; Mc 8:15; Lc 12:1)

Os fariseus formavam um grupo religioso na época de Jesus Cristo. Eles receberam esse nome porque costumavam se separar dos demais judeus, em busca de maior espiritualidade, e acabaram por ultrapassar a Doutrina. Inúmeras vezes, o Senhor Jesus denunciou e combateu a hipocrisia de alguns membros da seita dos fariseus, que agiam sem profundeza de fé (Mt 23:13-36). Em Lucas 12:1, o Senhor Jesus diz claramente que o fermento dos fariseus é a hipocrisia.
Está escrito também que os fariseus eram avarentos (Lc 16:14) e em várias partes da Bíblia a avareza é condenada (cf. 1Co 5:11; 1Co 6:10; Lc 12:15; Cl 3:5; Hb 13:5).

“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus” (Mt 5:20)

 

b. Fermento dos saduceus (Mt 16:5-12)

Paralelamente aos fariseus, os saduceus formavam uma seita judaica que exercia forte influência no sacerdócio, a ponto de todos os sumos sacerdotes da época pertencerem a esse partido.
O conflito entre os saduceus e os fariseus se evidencia em At 23:6-8. Entretanto, ambos os grupos queriam eliminar o Senhor Jesus. E, assim como os fariseus, os saduceus também procuravam criar dificuldades a Jesus, fazendo-lhe perguntas astutas como registrada em Mt 22:23- 33.

Os saduceus negavam haver ressurreição, anjos e espíritos (At 23:8), o que é contrário às Escrituras. Materialistas, eles acreditavam somente no que queriam e rejeitavam o Ensinamento divino, por isso, o Senhor Jesus disse aos seus discípulos para que se acautelassem do fermento dos saduceus, que é o ensinamento e o modo corrompido de ver o que é sagrado.

“Respondeu-lhes Jesus [aos saduceus]: errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mt 22:29)

 

c. Fermento de Herodes (Mc 8:15)

Nos registros do Novo Testamento, encontramos muitos membros da família Herodes, e até mesmo um partido político influente, o dos herodianos.

Quando o Senhor Jesus disse aos discípulos que se acautelassem do fermento de Herodes, Ele estava alertando-os para que o caráter pecaminoso dos Herodes não viesse a contaminá-los (cf. Lc 13:31-32).
Vejamos as particularidades mais conhecidas de cada um deles:

 

Herodes, o Grande – o governador da Judéia, ordenou a matança de todos os meninos de Belém e dos seus arredores, na tentativa de eliminar o recém-nascido, Rei dos reis, Senhor Jesus (cf. Mt 2:7-18);

Herodes Arquelau – filho mais velho e sucessor de Herodes, o Grande. Pouco se sabe a seu respeito, apenas está escrito em Mt 2:22 que José temeu ir para onde ele estava;

Herodes Antipas – filho mais novo de Herodes, o Grande, seu feito mais conhecido foi a decapitação de João Batista;

Herodes, o rei – mais conhecido como Agripa, era neto de Herodes, o Grande. Cruel perseguidor da Igreja e dos apóstolos, morreu subitamente ferido por um anjo do Senhor quando arrogantemente se apresentou diante do povo (At 12:21-23). Foi ele que mandou matar o discípulo do Senhor, Tiago, irmão de João;

Agripa, filho de Herodes Agripa – sucessor de seu pai, a quem Paulo discursou (At 26:27-28);

Partido dos Herodianos – associado principalmente aos fariseus, eram inimigos do Senhor Jesus (Mt 22:16; Mc 3:6, 12:13);

Herodias, Berenice, Drusila e Salomé – mulheres da família Herodes, que foram igualmente cruéis, incrédulas, imorais e arrogantes.

“[…] enfureceu-se Herodes grandemente e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo […]” (Mt 2:16)

 

d. Fermento da jactância (1Co 5:6)

Jactância significa orgulho, altivez, vanglória, soberba, ufania, arrogância. – ela é citada como fermento em 1Co 5:6. O orgulho rebelde que induz o homem a recusar a submissão ao SENHOR e ao Seu Poder é um grave pecado. O orgulhoso dá a si próprio a honra devida a Deus, e isso é próprio do Maligno (cf. Rm 1:21-22); a falsa humildade também se enquadra na mesma situação (Cl 2:23).

“Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo. Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna.” (Tg 4:13-16)

 

Durante a sua última ceia, o Senhor Jesus lavou os pés dos discípulos, lembrando-os de que a humildade é uma qualidade fundamental aos que querem segui-lo (cf. Jo 13).

“A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito a queda”. (Pv 16:18)

 

e. Velho fermento (1Co 5:7)

Enquadra-se aqui, entre outros, noções e ensinamentos religiosos que a pessoa recebeu antes da sua conversão, apenas com os olhos e ouvidos da carne. De fato, nós também, ao recebermos a excelência do conhecimento de Cristo – não com os recursos do mundo, mas com o poder do Espírito Santo – consideramos perda tudo o que havíamos acumulado até então.

É uma grande tolice querer se aproximar do SENHOR com recursos mentais meramente humanos, porque o homem natural jamais poderá entender as coisas espirituais, a não ser que se torne espiritual (cf. Jo 3:6, 1Co 2:12-16).

Nós, que fomos feitos um só corpo com Cristo, devemos nos despir totalmente da mentalidade mundana, bem como das suas tradições; não podemos trazer na bagagem nada que possa contaminar a Nova Vida. A Igreja, que é o corpo de Cristo, é e deve ser mantida pura. Por isso, a ordem é lançar fora o velho fermento.

“[…] Despojeis do velho homem que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.” (Ef 4:22-24)

 

f. Fermento da maldade (1Co 5:8)

Ao desobedecer a Deus e comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, o homem passou a ser conhecedor do bem e do mal. Ele não conhecia o mal, porque o seu caminho era único, o do bem, que agrada ao SENHOR. Por isso, tudo que o homem fazia, ele fazia sem dor, culpa ou vergonha; mas, ao se corromper, passou a praticar o mal, mesmo ciente do caminho em que devia andar (cf. Gn 4:7).

A maldade é a corrupção do saber; é atributo daquele que é mal, e este, já existia antes desse desastre acontecer no Éden, tendo origem em Satanás (Ez 28:13-19).

O maldoso ouve e com toda a perversidade, pratica o conselho do iníquo. Existem indivíduos que praticam o mal por diversão, simplesmente por prazer, imaginando a si mesmos como auto-suficientes, sentindo-se no direito de humilhar, ferir ou matar o próximo.

Há pensamentos mundanos, como a teoria do “equilíbrio entre o bem e o mal”, mas a Palavra de Deus nos ensina: que harmonia pode haver entre Cristo e o Maligno? (cf. 2Co 6:15).

Certamente, a maior de todas as maldades, é negar o Senhor Jesus Cristo. Que nenhum crente jamais negue o Senhor Jesus, esquecendo-se da obra que Ele fez na cruz para nos salvar, suportando e vencendo toda a maldade do inimigo.

“Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma”. (Tg 1:21)

 

g. Fermento da malícia (1Co 5:8)

Os dicionários definem a malícia como:

  • qualidade de maligno;
  • maldade;
  • tendência para o mal;
  • intenção maldosa ou satírica;
  • conhecimento do que é mau;
  • astúcia com que as pessoas enganam e não se deixa enganar;
  • interpretação danosa;
  • esperteza e astúcia, empregadas com intenção de prejudicar alguém.

A inveja, a cobiça e o ciúme, embora não sejam sinônimos, também são formas de malícia. A palavra “invejar”, em português, origina-se do latim e significa “espiar de perto”, já no hebraico, significa “queimar”.

Invejar é olhar com intenção maliciosa; é sentir-se triste por não poder ter algo que o outro tem, enquanto que ciúme é temer perder algo que já se possua.

“Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes é terrena, animal e demoníaca.” (Tg 3:14-15).

 

Assim como os outros fermentos, este também não deve fazer parte da nova vida, pois a malícia não é apenas uma deficiência moral, mas, uma potente fonte destruidora de comunhão. Não devemos nos esquecer que no passado fomos maliciosos, mas pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, nos tornamos herdeiros do Reino Celestial (Tt 3:3-7). Oh, glória!

“Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim.” (Jn 1:2)