Uso de ironia na Bíblia

Malta

Ilha de Malta

A ironia é uma figura de linguagem bastante conhecida. É um recurso usado para dizer o contrário do que se pretende expressar. A ironia desafia os locutários a raciocinarem rapidamente para identificar o verdadeiro contexto da mensagem.

 

A ironização não deve ser confundida com o ato de mentir, nem com sarcasmo. Existem sim, inúmeras ocorrências de ironias na Bíblia Sagrada. Elas devem ser observadas atentamente para se evitar más interpretações. Veja alguns exemplos:

  • Quando o SENHOR perguntou ao Adão: “[…] Onde estás?” (Gn 3:9); ou ao Caim “[…] Onde está Abel, teu irmão?[…]” (Gn 4:9), certamente o SENHOR usou da ironia para convidar os culpados a analisarem o que haviam feito. É claro que o SENHOR, sendo onisciente, sabia muito bem onde estavam cada um deles.
  • Saul tinha uma filha chamada Mical. Esta veio a ser esposa de Davi. Este, depois de receber a arca de Deus em Jerusalém, e se alegrado e dançado perante o SENHOR, disse Mical: “[…] Que bela figura fez o rei de Israel […]” (2 Sm. 6:20). O contexto do capítulo indica que o sentido pretendido era o oposto, pois no entender de Mical, Davi havia se humilhado e agido de maneira indigna (cf. 2Sm 6:22).
  • Às vezes, a ironia vem acompanhada de humor, como no caso em que Elias zombou dos profetas de Baal: “[…] Clamai em altas vozes, porque ele é deus!” (1 Rs. 18:27). Obviamente, Elias não acreditava que o falso deus Baal realmente existisse. Ele fez uma afirmação em tom de ironia para zombar dos falsos dos profetas.
  • Talvez, um dos acontecimentos mais irônicos seja o que está registrado em At 12:13-16, onde Pedro é milagrosamente liberto da prisão, mas fica preso fora da casa onde a igreja estava reunida.
  • Barjesus – Ocorrência em At 13:10. Paulo faz um contraste proposital chamando o feiticeiro de “filho do diabo”, quando o seu nome era Barjesus, que significa “filho de Jesus”.

    Ilha de Malta

    Ilha de Malta – onde atracou a embarcação Dióscuros

  • Dióscuros (At 28:11) – era o emblema do navio que levaria o apóstolo Paulo de Malta a Roma. É difícil de perceber o emprego de eufemismo neste versículo sem primeiro entender o que, ou quem era Dióscuros. Ora, Dióscuros eram deuses pagãos gêmeos da mitologia grega, também conhecidos como Castor e Pólix (cf. JFA – RC). Os antigos gregos que eram devotos a estes falsos deuses veneravam-nos como guardiões dos mares e protetores dos marinheiros. Lucas, o autor do Livro de Atos, depois de ter narrado pormenorizadamente o auxílio e a assistência de JESUS Cristo, ironizou os deuses pagãos que nada comparável podiam fazer.

 

A suprema ironia de Deus é o seu plano de redenção: O Senhor escolhe pessoas sem mérito nenhum. Por essas dá o Seu sangue graciosamente como pagamento. Oferece como meio de alcançar a salvação, uma fé que não se explica por nenhum mérito e garante que não abre mão de nenhum dos pecadores que resgatou.

 

A incapacidade de entender certas figuras de linguagem empregadas nas Escrituras Sagradas e no cotidiano, podem levar à interpretações contrárias e por conseguinte, a grandes equívocos. Interpretações bíblicas equivocadas e sem Espírito produzem indivíduos que acusam a Bíblia de conter contradições. Paulo aconselhou Timóteo a evitar estes profanadores.

 “E tu, ó Timóteo, guarda o que te foi confiado, evitando os falatórios inúteis e profanos e as contradições do saber, como falsamente lhe chamam, pois alguns, professando-o, se desviaram da fé. A graça seja convosco.” (1Tm 6:20-21)

 

Podem ainda, surgir homens equivocados, geralmente pessoas que ouvem pela metade e que não se dedicam à oração, que leem muito pouco a Bíblia, e que tem fé superficial. O perigo está nestes que podem espalhar as suas más interpretações a terceiros que, se estivessem presentes, possivelmente teriam notado a ironia pela situação e o tom de voz do momento.

“Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida.” (Tg 1:5)

 

Veja: Interpretando corretamento Amós 4:1