“Compreendendo as Escrituras e os seus mistérios, e recebendo, em nós, a graça de Deus, a fonte fluirá em nosso interior e logo florescerão flores no deserto.” (Salmos Espirituais, hino 44)

1. Deus concede o tabernáculo | 2. O bezerro de ouro | 3. O santuário | 4. A construção do tabernáculo | 5. O átrio do tabernáculo | 6. O muro | 7. A porta | 8. O reposteiro | 9. O tabernáculo |10. As bases de prata | 11. As argolas e as travessas de ouro |12. As cortinas de peles e as de linho fino | 13. A arca da aliança |14. O propiciatório | 15. O candelabro |16. O altar do incenso | 17. O fogo estranho | 18. Os chifres do altar | 19. A mesa de pães | 20. O altar do holocausto | 21. A bacia de bronze | 22. Os espelhos das mulheres | 23. As vestes sacerdotais | 24. O Urim e o Tumim: a autoridade de decisão | 25. A autoridade de Jesus Cristo | 26. O cinto | 27. A lâmina de ouro | 28. Jesus: o sacerdote não-levita | 29. Melquisedeque | 30. Bezalel | 31. O caminho até o Santo dos Santos | 32. A ordem das tribos no acampamento | 33. A coluna de nuvem e a coluna de fogo | 34. A nuvem sobre o tabernáculo | 35. O véu | 36. A Nova Aliança | 37. Advertências | 38. Os homens que seguiram ao Senhor | 39. Jesus Cristo é o Salvador | 40. O Senhor Jesus Cristo no Antigo Testamento | 41. Considerações finais |

Introdução

“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11:33-36).

Em Êxodo 25:9, o Senhor ordena a Moisés que construa um tabernáculo. Esse tabernáculo também era chamado de:

1. Tenda (Êx 26:36);

2. Santuário (Êx 25:8);

3. Tenda da Congregação (Êx 29:42, 29:44), e

4. Tabernáculo do Testemunho (Nm 1:50, 1:53).

Convém esclarecer que o tabernáculo é uma comparação com Cristo e com o seu corpo, que é a igreja. Apesar de ser comparado à igreja, deve ficar bem claro que tabernáculo não é igreja. Ele era:

1. “figura” e “sombra” de Cristo (Hb 8:5, 10:1; Cl 2:17);

2. “parábola” a respeito de Cristo (Hb 9:9).

A Bíblia está divida em: Antigo Testamento e Novo Testamento, também chamados Antiga Aliança e Nova Aliança respectivamente.

O livro mais recente do Antigo Testamento foi escrito por volta de 600 anos a.C. (antes do nascimento de Cristo) e o livro mais antigo do Novo Testamento, por volta de 40 anos d.C. (depois da vinda de Cristo). Aqui verificaremos a relação entre o Antigo e o Novo Testamento e, então, ao final da leitura, poderemos concluir que não devemos ler somente o Novo Testamento, como muitos fazem. Toda a Bíblia é importante; o Antigo Testamento depende do Novo e vice-versa.

“É isto uma parábola para a época presente; e, segundo esta, se oferecem tanto dons como sacrifícios, embora estes, no tocante à consciência, sejam ineficazes para aperfeiçoar aquele que presta culto, os quais não passam de ordenanças da carne, baseadas somente em comidas, e bebidas, e diversas abluções [rituais de purificação], impostas até ao tempo oportuno de reforma” (Hb 9:9-10).

Assim, Cristo veio cumprir tudo o que dizia a seu respeito no Antigo Testamento:

“Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir” (Mt 5:17).

E, ainda:

“Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados […]” (1Pe 3:18).

Com a morte do Senhor na cruz, a Antiga Aliança foi cumprida, dando lugar à Nova Aliança:

“A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados” (Mt 26:27-28).

Reconstruir o tabernáculo nos tempos atuais significaria ignorar a morte do Senhor na cruz, invalidando a sua promessa, o que fazem muitos judeus até hoje.

Tudo o que está escrito no Antigo Testamento refere-se ao Senhor Jesus e à sua igreja, inclusive o que diz respeito ao tabernáculo:

“Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja” (Ef 5:32);

“Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (Jo 5:39);

“Porque, se, de fato, crêsseis em Moisés, também creríeis em mim; porquanto ele escreveu a meu respeito” (Jo 5:46);

“[…] Achamos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e a quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, filho de José” (Jo 1:45);

“Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras” (Lc 24:25-27);

“A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia” (Lc 24:44-46);

“Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1Co 15:1-4).

Cabe aqui lembrar que, quando se diz:

1. Lei: refere-se às que foram dadas a Moisés;

2. Moisés: refere-se aos cinco primeiros livros da Bíblia, os quais ele escreveu. São também chamados de Pentateuco pelos teólogos, e Tora pelo judaísmo. Confira na Bíblia os títulos desses cinco livros;

3. Escrituras: refere-se ao Antigo Testamento, já que, na época de Jesus, o Novo Testamento ainda não havia sido escrito.

1. Deus concede o tabernáculo

Para quem?

1. Para o povo escolhido e santificado por Deus para habitar a terra prometida aos seus pais: “Porque tu és povo santo ao Senhor, teu Deus; o Senhor, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra” (Dt 7:6);

2. Para o povo redimido pelo sangue do Cordeiro (Êx 12);

3. Para o povo salvo e guiado pela força do Senhor (Êx 15:13);

4. Para o povo que foi selecionado pelo Senhor (Êx 19:4).

Para quê?

1. Para ele habitar no meio do seu povo (Êx 25:8, 29:45);

2. Para dali falar ao seu povo (Lv 1:1);

3. Para mostrar ao seu povo que Deus é o Supremo Senhor;

4. Para que o povo saiba discernir o puro do imundo (Nm 5:1-4; 2Co 6:14-18);

5. Para mostrar ao seu povo que não havia outro caminho, senão o Caminho de Deus: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3:14-17).

Portanto, o tabernáculo foi dado ao povo de Deus para:

1. ensinar;

2. repreender;

3. corrigir;

4. educar na justiça de Deus.

Quando?

Quando, eufóricos, alegravam-se em comer o pão que descia do céu, depois de terem visto muitos sinais e prodígios do Senhor, após terem saído do Egito: “Cuidareis de cumprir todos os mandamentos que hoje vos ordeno, para que vivais, e vos multipliqueis, e entreis, e possuais a terra que o Senhor prometeu sob juramento a vossos pais. Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o Senhor, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos. Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor viverá o homem” (Dt 8:1-3).

2. O bezerro de ouro

De fato, o povo de Israel estava bastante eufórico. Eles sentiam uma grande necessidade de louvar a alguém. Mas, a quem?
Em Êxodo, capítulos 25 a 30, Deus ordena a Moisés, no monte Sinai, que construa o tabernáculo, mostrando todos os detalhes em uma visão. Nos capítulos 35 a 40, o povo de Israel começa a construir o tabernáculo; e o conclui no final do livro de Êxodo.

Repare no que acontece entre os capítulos 30 e 35: “Mas, vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão e lhe disse: Levanta-te, faze-nos deuses que vão adiante de nós; pois, quanto a este Moisés, o homem que nos tirou do Egito, não sabemos o que lhe terá sucedido. Disse-lhes Arão: Tirai as argolas de ouro das orelhas de vossas mulheres, vossos filhos e vossas filhas e trazei-mas. Então, todo o povo tirou das orelhas as argolas e as trouxe a Arão. Este, recebendo-as das suas mãos, trabalhou o ouro com buril e fez dele um bezerro fundido. Então, disseram: São estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito. Arão, vendo isso, edificou um altar diante dele e, apregoando, disse: Amanhã, será festa ao Senhor. No dia seguinte, madrugaram, e ofereceram holocaustos, e trouxeram ofertas pacíficas; e o povo assentou-se para comer e beber e levantou-se para divertir-se” (Êx 32:1-6).

Isso acontecia enquanto Moisés recebia, das mãos do Senhor, as tábuas do Testemunho (os Dez Mandamentos). Estava mais do que na hora de disciplinar Israel. Os testemunhos são importantes numa igreja mas, sem disciplina, ela corre grande risco de se corromper, seguindo qualquer coisa. E foi o que aconteceu com o povo de Israel no deserto.

Quando o Senhor disse que não só de pão vive o homem, mas de tudo que procede da sua boca, é como dizer que não só de milagres vive o crente. Crente que não conhece a doutrina de Deus é um perigo! “Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal” (Hb 5:13-14).

Não cabe ao pai apenas dar comida ao seu filho. É dever de qualquer pai disciplinar, repreender, ensinar… Por isso, também está escrito: “Sabe, pois, no teu coração, que, como um homem disciplina a seu filho, assim te disciplina o Senhor, teu Deus. Guarda os mandamentos do Senhor, teu Deus, para andares nos seus caminhos e o temeres” (Dt 8:5-6).

Na verdade, o Senhor não queria dar apenas o maná ao seu povo para sustentar a carne, mas, muito mais que isso: “Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará […]” (Jo 6:26-27).

Já estava na hora de o Senhor dar os seus mandamentos: “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o Senhor, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão. Lembra-te do dia de sábado, para o santificar.

Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou. Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá. Não matarás. Não adulterarás. Não furtarás. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo” (Êx 20:2-17).

Por que o Senhor repete insistentemente, em vários versículos, a frase: “Segundo tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo e para modelo de todos os seus móveis, assim mesmo o fareis” (Êx 25:9)? Porque o Senhor é Deus, o Criador dos céus e da terra. Foi para que ficasse claro que o Senhor é quem ordena, não o povo. Ele é Deus, não Israel:

1.“[…] Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6:9-10);

2. “Ouvi, ó céus, e dá ouvidos, ó terra, porque o Senhor é quem fala […]” (Is 1:2);

3. “[…] Fala, porque o teu servo ouve” (1Sm 3:10).

Vamos dividir em duas etapas a viagem que os filhos de Israel fizeram, da saída do Egito até a entrada na terra de Canaã. Chamemos de primeira etapa o trecho entre o Egito e o monte Sinai, onde Moisés recebeu os Dez Mandamentos, as diversas leis e a ordem para construir o tabernáculo. A segunda etapa compreenderá o trecho entre o Sinai e Canaã.

Na primeira etapa aconteceram vários prodígios e sinais; mesmo passando por provações, houve muita alegria. Já na segunda etapa, aconteceram inúmeros castigos vindos de Deus. Na primeira etapa não havia leis, mas, na segunda, Israel já tinha uma doutrina a obedecer.

“Eis que vos tenho ensinado estatutos e juízos, como me mandou o Senhor, meu Deus, para que assim façais no meio da terra que passais a possuir. Guardai-os, pois, e cumpri-os, porque isto será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos que, ouvindo todos estes estatutos, dirão: Certamente, este grande povo é gente sábia e inteligente. Pois que grande nação há que tenha deuses tão chegados a si como o Senhor, nosso Deus, todas as vezes que o invocamos? E que grande nação há que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que eu hoje vos proponho? Tão-somente guarda-te a ti mesmo e guarda bem a tua alma, que te não esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto, e se não apartem do teu coração todos os dias da tua vida, e as farás saber a teus filhos e aos filhos de teus filhos. Não te esqueças do dia em que estiveste perante o Senhor, teu Deus, em Horebe, quando o Senhor me disse: Reúne este povo, e os farei ouvir as minhas palavras, a fim de que aprenda a temer-me todos os dias que na terra viver e as ensinará a seus filhos” (Dt 4:5-10).

3. O santuário

“E me farão um santuário, para que eu possa habitar no meio deles” (Êx 25:8). Esse santuário era sombra de Jesus Cristo, porque na Bíblia está escrito: “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais” (At 17:24-25). E, ainda: “Tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mt 20:28).

Quando Jesus começou a pregar, judeus que duvidavam dele lhe pediram sinais, e o Senhor lhes respondeu: “[…] Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei” (Jo 2:19). Mas, na verdade, o Senhor Jesus “[…] se referia ao santuário do seu corpo” (Jo 2:21).

Mais tarde, quando o Senhor estava sendo julgado, após ser preso, os judeus o acusaram: “Nós o ouvimos declarar: Eu destruirei este santuário edificado por mãos humanas e, em três dias, construirei outro, não por mãos humanas” (Mc 14:58).

Confira os versículos a seguir: “[…] e o Verbo era Deus” (Jo 1:1); “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós […]” (Jo 1:14). Ora, se Deus veio a este mundo como um homem, ele deve ter ficado no ventre materno por nove meses: “Estando eles ali, aconteceu completarem-se-lhe os dias, e ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2:6-7).

Da mesma forma, desde que Moisés recebeu a ordem para construir o tabernáculo até a conclusão da obra, decorreram nove meses. A Páscoa, festa que comemora a saída do Egito, foi realizada no primeiro mês do ano (Êx 12:2). Até chegarem no monte Sinai, onde Moisés recebeu a ordem para construir o tabernáculo, foram mais três meses (Êx 19:1). Começando a obra no terceiro mês, Moisés e o povo de Israel trabalharam durante nove meses, confeccionando cada peça do santuário, e no primeiro dia do primeiro mês, exatamente um ano depois de terem partido do Egito, montaram o tabernáculo no meio do deserto (Êx 40:2).

“Evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne […]” (1Tm 3:16). Jesus é Deus que se manifestou na carne. O tabernáculo profetizava a seu respeito: “Falavam ainda estas coisas quando Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: Paz seja convosco! Eles, porém, surpresos e atemorizados, acreditavam estarem vendo um espírito. Mas ele lhes disse: Por que estais perturbados? E por que sobem dúvidas ao vosso coração? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés” (Lc 24:36-40).

4. A construção do tabernáculo

O próprio Senhor foi o arquiteto do tabernáculo: “Segundo tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo e para modelo de todos os seus móveis, assim mesmo o fareis” (Êx 25:9). Até os materiais empregados na construção do tabernáculo e dos seus móveis foram preparados antecipadamente pelo Senhor:

1. “Portanto, estenderei a mão e ferirei o Egito com todos os meus prodígios que farei no meio dele; depois, vos deixará ir. Eu darei mercê a este povo aos olhos dos egípcios; e, quando sairdes, não será de mãos vazias. Cada mulher pedirá à sua vizinha e à sua hóspeda jóias de prata, e jóias de ouro, e vestimentas; as quais poreis sobre vossos filhos e sobre vossas filhas; e despojareis os egípcios” (Êx 3:20-22);

2. “Fizeram, pois, os filhos de Israel conforme a palavra de Moisés e pediram aos egípcios objetos de prata, e objetos de ouro, e roupas. E o Senhor fez que seu povo encontrasse favor da parte dos egípcios, de maneira que estes lhes davam o que pediam. E despojaram os egípcios” (Êx 12:35-36);

3. “Disse o Senhor a Moisés: Fala aos filhos de Israel que me tragam oferta; de todo homem cujo coração o mover para isso, dele recebereis a minha oferta. Esta é a oferta que dele recebereis: ouro, e prata, e bronze, e estofo azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino, e pêlos de cabra, e peles de carneiro tintas de vermelho, e peles finas, e madeira de acácia, azeite para a luz, especiarias para o óleo de unção e para o incenso aromático, pedras de ônix e pedras de engaste, para a estola sacerdotal e para o peitoral. E me farão um santuário, para que eu possa habitar no meio deles” (Êx 25:1-8).

E, mais tarde, quando os filhos de Israel estavam no deserto: “Disse mais Moisés a toda a congregação dos filhos de Israel: Esta é a palavra que o Senhor ordenou, dizendo: Tomai, do que tendes, uma oferta para o Senhor; cada um, de coração disposto, voluntariamente a trará por oferta ao Senhor: ouro, prata, bronze, estofo azul, púrpura, carmesim, linho fino, pêlos de cabra, peles de carneiro tintas de vermelho, peles finas, madeira de acácia, azeite para a iluminação, especiarias para o óleo da unção e para o incenso aromático, pedras de ônix e pedras de engaste para a estola sacerdotal e para o peitoral.

Venham todos os homens hábeis entre vós e façam tudo o que o Senhor ordenou: o tabernáculo com sua tenda e a sua coberta, os seus ganchos, as suas tábuas, as suas vergas, as suas colunas e as suas bases; a arca e os seus varais, o propiciatório e o véu do reposteiro; a mesa e os seus varais, e todos os seus utensílios, e os pães da proposição; o candelabro da iluminação, e os seus utensílios, e as suas lâmpadas, e o azeite para a iluminação; o altar do incenso e os seus varais, e o óleo da unção, e o incenso aromático, e o reposteiro da porta à entrada do tabernáculo; o altar do holocausto e a sua grelha de bronze, os seus varais e todos os seus utensílios, a bacia e o seu suporte; as cortinas do átrio, e as suas colunas, e as suas bases, e o reposteiro da porta do átrio; as estacas do tabernáculo, e as estacas do átrio, e as suas cordas; as vestes do ministério para ministrar no santuário, as vestes santas do sacerdote Arão e as vestes de seus filhos, para oficiarem como sacerdotes.

Então, toda a congregação dos filhos de Israel saiu da presença de Moisés, e veio todo homem cujo coração o moveu e cujo espírito o impeliu e trouxe a oferta ao Senhor para a obra da tenda da congregação, e para todo o seu serviço, e para as vestes sagradas. Vieram homens e mulheres, todos dispostos de coração; trouxeram fivelas, pendentes, anéis, braceletes, todos os objetos de ouro; todo homem fazia oferta de ouro ao Senhor; e todo homem possuidor de estofo azul, púrpura, carmesim, linho fino, pêlos de cabra, peles de carneiro tintas de vermelho e peles de animais marinhos os trazia. Todo aquele que fazia oferta de prata ou de bronze por oferta ao Senhor a trazia; e todo possuidor de madeira de acácia para toda obra do serviço a trazia. Todas as mulheres hábeis traziam o que, por suas próprias mãos, tinham fiado: estofo azul, púrpura, carmesim e linho fino.

E todas as mulheres cujo coração as moveu em habilidade fiavam os pêlos de cabra. Os príncipes traziam pedras de ônix, e pedras de engaste para a estola sacerdotal e para o peitoral, e os arômatas, e o azeite para a iluminação, e para o óleo da unção, e para o incenso aromático. Os filhos de Israel trouxeram oferta voluntária ao Senhor, a saber, todo homem e mulher cujo coração os dispôs para trazerem uma oferta para toda a obra que o Senhor tinha ordenado se fizesse por intermédio de Moisés. Disse Moisés aos filhos de Israel: Eis que o Senhor chamou pelo nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o Espírito de Deus o encheu de habilidade, inteligência e conhecimento em todo artifício, e para elaborar desenhos e trabalhar em ouro, em prata, em bronze, e para lapidação de pedras de engaste, e para entalho de madeira, e para toda sorte de lavores.

Também lhe dispôs o coração para ensinar a outrem, a ele e a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã. Encheu-os de habilidade para fazer toda obra de mestre, até a mais engenhosa, e a do bordador em estofo azul, em púrpura, em carmesim e em linho fino, e a do tecelão, sim, toda sorte de obra e a elaborar desenhos. Assim, trabalharam Bezalel, e Aoliabe, e todo homem hábil a quem o Senhor dera habilidade e inteligência para saberem fazer toda obra para o serviço do santuário, segundo tudo o que o Senhor havia ordenado.

Moisés chamou a Bezalel, e a Aoliabe, e a todo homem hábil em cujo coração o Senhor tinha posto sabedoria, isto é, a todo homem cujo coração o impeliu a se chegar à obra para fazê-la. Estes receberam de Moisés todas as ofertas que os filhos de Israel haviam trazido para a obra do serviço do santuário, para fazê-la; e, ainda, cada manhã o povo trazia a Moisés ofertas voluntárias. Então, deixando cada um a obra que fazia, vieram todos os homens sábios que se ocupavam em toda a obra do santuário e disseram a Moisés: O povo traz muito mais do que é necessário para o serviço da obra que o Senhor ordenou se fizesse. Então, ordenou Moisés, e a ordem foi proclamada no arraial, dizendo: Nenhum homem ou mulher faça mais obra alguma para a oferta do santuário. Assim, o povo foi proibido de trazer mais. Porque o material que tinham era suficiente para toda a obra que se devia fazer e ainda sobejava” (Êx 35:4-36:7).

Desse modo, aprendemos que as igrejas de Deus também devem ser construídas como o tabernáculo, não com arrecadações vindas de bazares beneficentes, festas ou jogos promovidos pelas igrejas: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam […]” (Sl 127:1).

“[…] Entrando ele no templo, passou a expulsar os que ali vendiam e compravam; derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. Não permitia que alguém conduzisse qualquer utensílio pelo templo; também os ensinava e dizia: Não está escrito: A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações? Vós, porém, a tendes transformado em covil de salteadores” (Mc 11:15-17). Quem era o responsável pelo templo? Por que nada fazia para evitar os ambulantes, ou para evitar a fúria do Senhor Jesus?

Os sacerdotes eram os responsáveis pelo templo. Eles nada faziam contra Jesus porque ele estava certo. Por outro lado, não evitavam o comércio nas dependências do templo porque certamente cobravam taxas, vindo a ser essas uma grande fonte de lucro para eles. “E os principais sacerdotes e escribas ouviam estas coisas e procuravam um modo de lhe tirar a vida; pois o temiam, porque toda a multidão se maravilhava de sua doutrina” (Mc 11:18).

As igrejas de Deus se constroem com boa vontade e gratidão no coração, pelo próprio povo eleito por Deus, que caminha para a Terra Prometida: “Pois a nossa pátria está nos céus […]” (Fp 3:20).

Veja como era a igreja primitiva: “Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (At 2:44-47).

Entretanto, ninguém faz tantas ofertas por acaso. Para isso, é fundamental que haja em cada crente alegria, gratidão no coração e testemunhos. É necessário que todo crente esteja ciente da sua salvação, e viva com a certeza de que o seu nome está no Livro da Vida.

Já na época de Salomão, por ocasião da construção do templo, ele orou e disse: “Senhor, nosso Deus, toda esta abundância que preparamos para te edificar uma casa ao teu santo nome vem da tua mão e é toda tua. Bem sei, meu Deus, que tu provas os corações e que da sinceridade te agradas; eu também, na sinceridade de meu coração, dei voluntariamente todas estas coisas; acabo de ver com alegria que o teu povo, que se acha aqui, te faz ofertas voluntariamente” (1Cr 29:16-17).

Moisés nada fazia senão cumprir os mandamentos do Senhor. Da mesma forma, a função do pastor de uma igreja é somente obedecer ao Senhor. E o bom Senhor providenciará todas as coisas necessárias. Amém.

1. “Respondeu Abraão: Deus proverá para si […]” (Gn 22:8);

2. “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria. Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra” (2Co 9:7-8).

Assim, quem constrói a casa de Deus é o povo de Deus, com temor, amor, alegria e dedicação. No dia em que o tabernáculo foi montado, a glória do Senhor o encheu: “Então, a nuvem cobriu a tenda da congregação, e a glória do Senhor encheu o tabernáculo. Moisés não podia entrar na tenda da congregação, porque a nuvem permanecia sobre ela, e a glória do Senhor enchia o tabernáculo” (Êx 40:34-35).
Que todas as consagrações das nossas igrejas sejam assim! Seria muito triste uma igreja construída com empréstimos, sem nenhum testemunho, obra de homens; igreja cheia de pessoas com problemas e lamentações, sem a glória de Deus.

“Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos! A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo! O pardal encontrou casa, e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhotes; eu, os teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu! Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvam-te perpetuamente” (Sl 84:1-4).

5. O átrio do tabernáculo

“Farás também o átrio do tabernáculo; ao lado meridional (que dá para o sul), o átrio terá cortinas de linho fino retorcido; o comprimento de cada lado será de cem côvados*. Também as suas vinte colunas e as suas vinte bases serão de bronze; os ganchos das colunas e as suas vergas serão de prata. De igual modo, para o lado norte ao comprido, haverá cortinas de cem côvados de comprimento; e as suas vinte colunas e as suas vinte bases serão de bronze; os ganchos das colunas e as suas vergas serão de prata. Na largura do átrio para o lado do ocidente, haverá cortinas de cinqüenta côvados; as colunas serão dez, e as suas bases, dez. A largura do átrio do lado oriental (para o levante) será de cinqüenta côvados. As cortinas para um lado da entrada serão de quinze côvados; as suas colunas serão três, e as suas bases, três. Para o outro lado da entrada, haverá cortinas de quinze côvados; as suas colunas serão três, e as suas bases, três. À porta do átrio, haverá um reposteiro de vinte côvados, de estofo azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino retorcido, obra de bordador; as suas colunas serão quatro, e as suas bases, quatro. Todas as colunas ao redor do átrio serão cingidas de vergas de prata; os seus ganchos serão de prata, mas as suas bases, de bronze. O átrio terá cem côvados de comprimento, e cinqüenta de largura por todo o lado, e cinco de altura; as suas cortinas serão de linho fino retorcido, e as suas bases, de bronze. Todos os utensílios do tabernáculo em todo o seu serviço, e todas as suas estacas, e todas as estacas do átrio serão de bronze” (Êx 27:9-19). *1 côvado equivale a 44,4 cm. Dois palmos equivalem a 1 côvado.

Cada material empregado na construção do tabernáculo tem significado(s). É o que veremos a seguir.

6. O muro

Qual é o significado do linho fino retorcido de acordo com a Bíblia?

Em Apocalipse 19, a partir do versículo 1, o apóstolo João relata o júbilo que em breve acontecerá no céu, do qual somente os salvos poderão participar. Nos versículos 7 e 8 está escrito: “Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos”.

Vestir-se é estar do lado de dentro da roupa. Portanto, somente os que praticam atos de justiça terão o direito de entrar no tabernáculo e estar rodeado de cortinas de linho fino.

E qual é o significado do bronze?

Há muitos capítulos nas Escrituras em que esse metal é citado e o seu significado é claro: justiça, juízo ou julgamento de Deus.
Na língua hebraica não há distinção entre o cobre e o bronze. Na verdade, onde foi traduzido como “bronze” na nossa Bíblia, no texto original está “cobre”. O bronze é o cobre com a adição do estanho.

Quando estava nas fronteiras de Edom, o povo de Israel sofreu com as mordidas mortíferas de serpentes abrasadoras, como castigo pela rebeldia. Quando os israelitas rogaram a Moisés que intercedesse por eles perante Deus, para que fossem salvos das serpentes, Deus ordenou a Moisés que fizesse uma figura de bronze, representando uma serpente, e a alçasse no alto de uma haste. Assim, qualquer pessoa que fosse mordida e olhasse para a serpente de bronze não pereceria.

Dessa forma, Deus concedeu livramento ao povo, e frisou a lição de que deveriam depender unicamente dele, tanto nesse caso quanto como princípio geral: “Disse o Senhor a Moisés: Faze uma serpente abrasadora, põe-na sobre uma haste, e será que todo mordido que a mirar viverá. Fez Moisés uma serpente de bronze e a pôs sobre uma haste; sendo alguém mordido por alguma serpente, se olhava para a de bronze, sarava” (Nm 21:8-9).

O Senhor Jesus disse: “E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna” (Jo 3:14-15). Na Bíblia, a serpente está sempre relacionada ao pecado. Por isso, também está escrito: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5:21).
Entendemos que Deus usou a serpente de bronze para fazer justiça, separando os crentes dos incrédulos. Os que creram viveram e os que não, morreram. Essa serpente de bronze figura o Senhor Jesus que, mesmo sem pecado, foi levantado na cruz à semelhança de um maldito, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna:

1. “[…] porquanto o que for pendurado no madeiro é maldito de Deus […]” (Dt 21:23);

2. “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar […]” (Gl 3:13).

Em Deuteronômio 28:15 e 23, o bronze é comparado à justiça de Deus: “Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do Senhor, teu Deus, não cuidando em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos que, hoje, te ordeno, então, virão todas estas maldições sobre ti e te alcançarão: […] Os teus céus sobre a tua cabeça serão de bronze […]”.

Confira também Isaías 30:18: “Por isso, o Senhor espera, para ter misericórdia de vós, e se detém, para se compadecer de vós, porque o Senhor é Deus de justiça; bem-aventurados todos os que nele esperam”. Compare com Jeremias 15:20: “Eu te porei contra este povo como forte muro de bronze; eles pelejarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti; porque eu sou contigo para te salvar, para te livrar deles, diz o Senhor”.
O Senhor Jesus glorificado, que apareceu a João na ilha de Patmos para revelar as coisas que em breve acontecerão, tinha: “Os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha […]” (Ap 1:15). Esse é o mesmo Senhor ao qual se refere o apóstolo Paulo em 2Timóteo 4:8: “Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda”.

O que diz a Bíblia sobre a prata?

A prata é outro material citado várias vezes na Bíblia Sagrada. O seu significado é redenção, salvação, expiação. Confira: “Disse mais o Senhor a Moisés: Quando fizeres recenseamento dos filhos de Israel, cada um deles dará ao Senhor o resgate de si próprio, quando os contares; para que não haja entre eles praga nenhuma, quando os arrolares [inscreveres]. Todo aquele que passar ao arrolamento dará isto: metade de um siclo, segundo o siclo do santuário (este siclo é de vinte geras); a metade de um siclo é a oferta ao Senhor. Qualquer que entrar no arrolamento, de vinte anos para cima, dará a oferta ao Senhor. O rico não dará mais de meio siclo, nem o pobre, menos, quando derem a oferta ao Senhor, para fazerdes expiação pela vossa alma. Tomarás o dinheiro das expiações dos filhos de Israel e o darás ao serviço da tenda da congregação; e será para memória aos filhos de Israel diante do Senhor, para fazerdes expiação pela vossa alma” (Êx 30:11-16).

Compare com: “A prata dos arrolados da congregação foram cem talentos e mil e setecentos e setenta e cinco siclos, segundo o siclo do santuário: um beca por cabeça, isto é, meio siclo, segundo o siclo do santuário, de qualquer dos arrolados, de vinte anos para cima, que foram seiscentos e três mil quinhentos e cinqüenta. Empregaram-se cem talentos de prata para fundir as bases do santuário e as bases do véu; para as cem bases, cem talentos: um talento para cada base. Dos mil setecentos e setenta e cinco siclos, fez os colchetes das colunas, e cobriu as suas cabeças, e lhes fez as vergas” (Êx 38:25-28).

Veja também: “Eu lhes disse: se vos parece bem, dai-me o meu salário; e, se não, deixai-o. Pesaram, pois, por meu salário trinta moedas de prata” (Zc 11:12). E compare com: “Então, Judas, o que o traiu, vendo que Jesus fora condenado, tocado de remorso, devolveu as trinta moedas de prata aos principais sacerdotes e aos anciãos, dizendo: Pequei, traindo sangue inocente. Eles, porém, responderam: Que nos importa? Isso é contigo. Então, Judas, atirando para o santuário as moedas de prata, retirou-se e foi enforcar-se” (Mt 27:3-5).

Aquele que entrava no átrio do tabernáculo via-se cercado por todos os lados de colunas de justiça, vergas de salvação e obras de justiça.
Os muros tinham cinco côvados de altura, ou seja, 2,22 m. Essa é uma altura difícil para um homem espiar por cima; também não conseguiria espiar por baixo, pois os muros eram praticamente encostados no chão. Isso significa que uma pessoa não pode conhecer as coisas de Deus com o seu próprio entendimento ou poder: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1Co 2:14). Portanto, tornava-se imprescindível, para qualquer homem, passar pela porta, aliás, a única porta, que é Jesus.

7. A porta

Havia uma única porta de entrada para o átrio do tabernáculo, e essa porta é o Senhor Jesus:

1. “Jesus, pois, lhes afirmou de novo: Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas” (Jo 10:7);

2. “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo […]” (Jo 10:9).

O Senhor Jesus é a única porta, o único Salvador. Não havia como entrar no átrio do tabernáculo sem passar pela porta: “Em verdade, em verdade vos digo: o que não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador” (Jo 10:1).

A porta de entrada ficava obrigatoriamente no lado oriental, ou seja, no lado em que nasce o sol. Então, comparemos:

1. “[…] Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (Jo 8:12);

2. “Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas […]” (Ml 4:2);

3. “Seguindo ele estrada fora, ao aproximar-se de Damasco, subitamente uma luz do céu brilhou ao seu redor, e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Ele perguntou: Quem és tu, Senhor? E a resposta foi: Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (At 9:3-5);

4. “Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas. Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a brilhante Estrela da manhã” (Ap 22:16).

A Estrela da Manhã também é conhecida como Estrela d’Alva, uma estrela que brilha antes do amanhecer, obviamente no lado oriental.
Há ainda nas Escrituras inúmeras passagens que testificam que o Senhor Jesus é a luz.

8. O reposteiro

Reposteiro é um cortinado que serve para substituir ou dissimular uma porta (biombo). O reposteiro do tabernáculo era sustentado por quatro colunas, que podem representar:
os quatro cantos do mundo (Mc 16:15; Ap 7:1);
as quatro colunas da salvação que o próprio Senhor Jesus instituiu: o batismo da água, o batismo do Espírito, a lavagem dos pés e a Ceia do Senhor.
A cortina do reposteiro era feita de estofo azul, púrpura (roxo) e carmesim (vermelho vivo). Cada uma dessas cores representa o nosso Senhor:

1. azul = cor do céu. Foi de lá que Jesus veio, e para lá voltou: “Ora, ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do Homem que está no céu” (Jo 3:13);

2. púrpura = cor do rei. Segundo o dicionário bíblico, púrpura era uma cor obtida do caríssimo suco de murex, um molusco do Mediterrâneo: “[…] Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor! […]” (Lc 19:38); “Tem no seu manto e na sua coxa um nome inscrito: Rei dos Reis e Senhor dos Senhores” (Ap 19:16);

3. carmesim = cor de sangue. Confira: “[…] isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados” (Mt 26:28); “Vendo Pilatos que nada conseguia, antes, pelo contrário, aumentava o tumulto, mandando vir água, lavou as mãos perante o povo, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo; fique o caso convosco! E o povo todo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos! Então, Pilatos lhes soltou Barrabás; e, após haver açoitado a Jesus, entregou-o para ser crucificado” (Mt 27:24-26); “Mas um dos soldados lhe abriu o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água” (Jo 19:34).

O carmesim também é associado ao pecado: “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã” (Is 1:18). Confira outras passagens que também demonstram essa associação:

1. Esaú vendeu o seu direito de primogenitura por um cozinhado vermelho (Gn 25:27-34);

2. a meretriz do Apocalipse montava numa besta escarlate (Ap 17:3-4);

3. o cavalo vermelho que traz guerra (Ap 6:4);

4. a cor do sangue (Hb 9:22).

Portanto, passar pelo reposteiro significa receber a salvação, crendo no Senhor Jesus:

1. “Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5:6-9);

2. “No qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef 1:7);

3. “[…] o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1Jo 1:7);

4. “[…] porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 5:9);

5. “[…] Ele, então, me disse: São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro, razão por que se acham diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário; e aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo” (Ap 7:14-15);

6. “Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas” (Ap 22:14).

7. “[…] Respondeu-lhe Jesus: Se eu não te lavar, não tens parte comigo” (Jo 13:8).

8. “[…] Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne” (Jo 6:51).

9. “[…] Quem comer este pão viverá eternamente” (Jo 6:58).

10. “E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.” (Jo 20:22) compare com “[…] E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8:9).

Assim, o Senhor se expôs publicamente na entrada do átrio do tabernáculo para nos redimir.
“Senhor, Deus dos Exércitos, escuta-me a oração; presta ouvidos, ó Deus de Jacó! Olha, ó Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu ungido. Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil; prefiro estar à porta da casa do meu Deus, a permanecer nas tendas da perversidade. Porque o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor dá graça e glória; nenhum bem sonega aos que andam retamente. Ó Senhor dos Exércitos, feliz o homem que em ti confia” (Sl 84:8-12).

9. O tabernáculo

O tabernáculo propriamente dito era a parte coberta. O Senhor fala detalhadamente a respeito do tabernáculo no capítulo 26 do livro de Êxodo.

As tábuas de acácia ou de setim

A madeira descrita como acácia na Bíblia traduzida por João Ferreira de Almeida, versão atualizada, e como setim, na versão corrigida, é uma madeira bastante resistente a pragas e, em algumas espécies, há espinhos.
A madeira de acácia representa a nós, o povo de Deus. As árvores foram derrubadas, descascadas, fatiadas, cortadas em largura e comprimento iguais, cobertas de ouro e, finalmente, postas em pé e travadas, umas nas outras, para formarem as paredes do tabernáculo.

A seguir, vamos analisar os versículos 15 a 17 do capítulo 26 de Êxodo:

1. “Farás também de madeira de acácia as tábuas para o tabernáculo”. Uma pessoa deve ser transformada, como aconteceu com essas árvores, para poder servir a Deus;

“as quais serão colocadas verticalmente”. As tábuas não foram colocadas horizontalmente porque todo crente deve estar sempre em pé, vigiando: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (1Co 10:12);

2. “Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência” (Hb 4:11);

3. “Cada uma das tábuas terá dez côvados de comprimento e côvado e meio de largura” (4,44 m x 0,67 m). Na igreja de Deus, todos somos e devemos ser iguais, como acabamos de ver, com o mesmo comprimento e largura. Ninguém deve se exaltar: “[…] aprendais isto: não ultrapasseis o que está escrito; a fim de que ninguém se ensoberbeça a favor de um em detrimento de outro” (1Co 4:6);

4. “Cada tábua terá dois encaixes, travados um com o outro; assim farás com todas as tábuas do tabernáculo”. Este versículo diz respeito à união. Compare com Filipenses 1:27: “Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica”.

Depois de preparadas, as tábuas eram cobertas de ouro. E qual é o significado do ouro? Ele representa a riqueza espiritual: pureza e nobreza de Deus:

1. “Então, o Todo-Poderoso será o teu ouro e a tua prata escolhida” (Jó 22:25);

2. “[…] dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas” (Ap 3:17-18).

Compare com: “Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui. E lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produziu com abundância. E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? E disse: Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus(Lc 12:15-21).

10. As bases de prata

“[…] ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo” (1Co 3:11).

Base = fundação = fundamento = alicerce = raiz

“Farás também quarenta bases de prata debaixo das vinte tábuas: duas bases debaixo de uma tábua para os seus dois encaixes e duas bases debaixo de outra tábua para os seus dois encaixes” (Êx 26:19).
Cada base de prata tinha o peso de um talento (Êx 38:27), o que equivale a aproximadamente 34 kg, ou seja, era pesada e bem firme. Como já vimos anteriormente, a prata representa a salvação. Portanto, no versículo 19 vemos os crentes transformados, apoiados sobre duas bases (fundamentos) da salvação, bem firmes.
Confira: “Para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie(Ef 2:7-9):

1. “mediante a fé”: porque ter fé é crer, e se uma pessoa não crê no seu Salvador, não fica em pé;

2. “para que ninguém se glorie”: para que não se glorie, ficando em pé por si mesmo, pois pela graça fomos salvos e postos em pé: “[…] as quais serão colocadas verticalmente” (Êx 26:15).

Confira também os trechos seguintes:

1. “Sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus. Onde, pois, a jactância? Foi de todo excluída. Por que lei? Das obras? Não; pelo contrário, pela lei da fé. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (Rm 3:24-28);

2. “Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados [enraizados], e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças” (Cl 2:6-7);

3. “Se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes e que foi pregado a toda criatura debaixo do céu […]” (Cl 1:23);

4. “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos [que seguiram o Salvador] e profetas [que anunciaram o Salvador], sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito” (Ef 2:20-22);

5. “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína” (Mt 7:24-27, Os dois fundamentos).

11. As argolas e as travessas de ouro

“E, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus” (Ef 3:17-19).
Com todos os santos, ou seja, todas as tábuas firmes, unidas e travadas, é que poderemos contemplar esta realidade: “Farás travessas de madeira de acácia; cinco para as tábuas de um lado do tabernáculo, cinco para as tábuas do outro lado do tabernáculo e cinco para as tábuas do tabernáculo ao lado posterior que olha para o ocidente. A travessa do meio passará ao meio das tábuas de uma extremidade à outra. Cobrirás de ouro as tábuas e de ouro farás as suas argolas, pelas quais hão de passar as travessas; e cobrirás também de ouro as travessas” (Êx 26:26-29).

Ainda hoje, a aliança de ouro tem grande significado. Ela representa união, casamento. De fato, como o próprio nome diz, é um sinal de aliança:

1. “Eis aí vêm dias, diz o Senhor, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá” (Jr 31:31);

2. “Porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados” (Mt 26:28).

12. As cortinas de peles e as de linho fino

Deus ordenou que o tabernáculo fosse coberto com os seguintes materiais:
pêlos de cabra: “Farás também de pêlos de cabra cortinas para servirem de tenda sobre o tabernáculo […]” (Êx 26:7);
peles de carneiro: “Também farás de peles de carneiro tintas de vermelho uma coberta para a tenda […]” (Êx 26:14). Essa cortina de peles de carneiro tingidas de vermelho representa o sangue do Cordeiro, Jesus;
peles finas: “[…] e outra coberta de peles finas” (Êx 26:14). Tais peles finas são peles de animais marinhos. Confira quando o povo traz ofertas para a construção do tabernáculo, em Êxodo 35:23: “E todo homem possuidor de estofo azul, púrpura, carmesim, linho fino, pêlos de cabra, peles de carneiro tintas de vermelho e peles de animais marinhos os trazia”.

Vejamos algumas outras traduções da Bíblia:

1. Almeida, edição corrigida: peles de texugo

2. edição católica: peles de golfinho;

3. Almeida, edição atualizada de 1969: peles de animais marinhos.

Repare que independentemente do animal mencionado, todos têm pele de cor desprezível. Por que Deus teria escolhido uma pele tão pouco apreciável à vista?

Primeiro, porque esses animais eram encontrados na região do mar Vermelho, que o povo de Israel contornou durante quase toda a viagem. Segundo, porque mais tarde seria profetizado por Isaías: “[…] não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse. Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens […]” (Is 53:2-3).

De fato, não é diferente o que acontece com a igreja de Deus atualmente. Ela é desprezada pelas pessoas porque elas apenas a vêem por fora. Ora, para conhecer a beleza de Jesus Cristo e da sua igreja, é necessário entrar nela e, então, ver a parede de tábuas cobertas de ouro, e o teto de linho fino colorido, como veremos a seguir.

De fora para dentro, depois das peles finas de animais da região do Mar Vermelho, vinham peles de carneiro tingidas de vermelho, que também têm o seu significado: o sangue do Cordeiro, Jesus: “[…] como cordeiro foi levado ao matadouro […]” (Is 53:7).

Essas peles serviam como cobertura do tabernáculo que, como vimos anteriormente, tinha paredes de tábuas cobertas de ouro; tábuas essas que representam os crentes. As peles cobriam as tábuas, assim como o Senhor cobre os crentes:

1. “Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1Jo 1:7);

2. “[…] Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!” (Mt 23:37);

3. “O Senhor retribua o teu feito, e seja cumprida a tua recompensa do Senhor, Deus de Israel, sob cujas asas vieste buscar refúgio” (Rt 2:12);

4. “A parte que restar das cortinas da tenda, a saber, a meia cortina que sobrar, penderá às costas do tabernáculo. O côvado de um lado e o côvado de outro lado, do que sobejar no comprimento das cortinas da tenda, penderão de um e de outro lado do tabernáculo para o cobrir” (Êx 26:12-13).

Em outras palavras, o que sobrasse do comprimento e da largura das cortinas deveria ser jogado para trás e para os lados, exceto na frente (Êx 26:9), onde deveria ser dobrado. Isso nos dá a ideia da asa de um pássaro. Vejamos alguns versículos das Escrituras em que os filhos de Deus procuram refúgio sob as asas de Deus:

1. “[…] tu me tens sido refúgio e torre forte contra o inimigo. Assista eu no teu tabernáculo, para sempre; no esconderijo das tuas asas, eu me abrigo” (Sl 61:3-4);

2. “Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia, pois em ti a minha alma se refugia; à sombra das tuas asas me abrigo, até que passem as calamidades” (Sl 57:1);

3. “O que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente diz ao Senhor: Meu refúgio e meu baluarte, Deus meu, em quem confio. Pois ele te livrará do laço do passarinheiro e da peste perniciosa. Cobrir-te-á com as suas penas, e, sob suas asas, estarás seguro; a sua verdade é pavês e escudo. Não te assustarás do terror noturno, nem da seta que voa de dia, nem da peste que se propaga nas trevas, nem da mortandade que assola ao meio-dia. Caiam mil ao teu lado, e dez mil, à tua direita; tu não serás atingido. Somente com os teus olhos contemplarás e verás o castigo dos ímpios. Pois disseste: O Senhor é o meu refúgio. Fizeste do Altíssimo a tua morada(Sl 91:1-9);

“Guarda-me como a menina dos olhos, esconde-me à sombra das tuas asas” (Sl 17:8).

13. A arca da aliança

“Também farão uma arca de madeira de acácia; de dois côvados e meio será o seu comprimento, de um côvado e meio, a largura, e de um côvado e meio, a altura. De ouro puro a cobrirás; por dentro e por fora a cobrirás e farás sobre ela uma bordadura de ouro ao redor. Fundirás para ela quatro argolas de ouro e as porás nos quatro cantos da arca: duas argolas num lado dela e duas argolas noutro lado. Farás também varais de madeira de acácia e os cobrirás de ouro; meterás os varais nas argolas aos lados da arca, para se levar por meio deles a arca. Os varais ficarão nas argolas da arca e não se tirarão dela. E porás na arca o Testemunho, que eu te darei” (Êx 25:10-16).

Comprimento = 1,11 m

Largura = 0,66 m

Altura = 0,66 m

A arca da aliança, também chamada de arca do Testemunho (Êx 40:3), foi dada aos israelitas para que eles se lembrassem do acordo que Deus havia feito com eles. Tanto é que o exército de Israel levou essa preciosa arca, toda coberta de ouro, para a frente de batalha (veja Josué, capítulo 6).

Na arca foram depositados três sinais evidentes do poder e do amor de Deus pelo seu povo: “[…] a arca da aliança totalmente coberta de ouro, na qual estava uma urna de ouro contendo o maná [Êx 16:31-34], o bordão de Arão, que floresceu [Nm 17:1-11], e as tábuas da aliança [Êx 20:1-17, 34:1]; e sobre ela, os querubins de glória, que, com a sua sombra, cobriam o propiciatório […]” (Hb 9:4-5).

Por que levavam uma arca tão preciosa, contendo objetos tão valiosos, para a frente de batalha?

Quando o Senhor ordenou a destruição da cidade de Jericó, disse: “Levai a arca da aliança” (Js 6:6). Deus ordenou que assim fosse para que todo o exército de Israel se lembrasse, nas horas mais difíceis, que o Senhor nunca havia de deixá-lo, pelo contrário, sempre o socorrera e cuidara. Os varais de madeira de acácia cobertos de ouro eram exatamente para que os homens carregassem a arca.

Assim, nós também devemos carregar conosco os testemunhos e, onde quer que estejamos, lembrar das obras poderosas das mãos do Senhor, que sempre nos acompanhou e jamais nos deixará. Vivamos com essa certeza e venceremos todas as batalhas: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8:35-39).

14. O propiciatório

“Propiciatório” está relacionado a “propiciar”, que significa “tornar favorável”. “Farás também um propiciatório de ouro puro; de dois côvados e meio será o seu comprimento, e a largura, de um côvado e meio. Farás dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório; um querubim, na extremidade de uma parte, e o outro, na extremidade da outra parte; de uma só peça com o propiciatório fareis os querubins nas duas extremidades dele. Os querubins estenderão as asas por cima, cobrindo com elas o propiciatório; estarão eles de faces voltadas uma para a outra, olhando para o propiciatório. Porás o propiciatório em cima da arca; e dentro dela porás o Testemunho, que eu te darei. Ali, virei a ti e, de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do Testemunho, falarei contigo acerca de tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel” (Êx 25:17-22).

Repare que a largura e o comprimento do propiciatório eram idênticos aos da arca. Isso para que, conforme vimos no parágrafo anterior, pudesse ser colocado por cima da arca, como uma tampa.
O propiciatório era o lugar onde Deus falava com o sacerdote quando este levava sangue de animais para ali derramar.

15. O candelabro

“Farás também um candelabro de ouro puro; de ouro batido se fará este candelabro; o seu pedestal, a sua hástea, os seus cálices, as suas maçanetas e as suas flores formarão com ele uma só peça. Seis hásteas sairão dos seus lados: três de um lado e três do outro. Numa hástea, haverá três cálices com formato de amêndoas, uma maçaneta e uma flor; e três cálices, com formato de amêndoas na outra hástea, uma maçaneta e uma flor; assim serão as seis hásteas que saem do candelabro. Mas no candelabro mesmo haverá quatro cálices com formato de amêndoas, com suas maçanetas e com suas flores. Haverá uma maçaneta sob duas hásteas que saem dele; e ainda uma maçaneta sob duas outras hásteas que saem dele; e ainda mais uma maçaneta sob duas outras hásteas que saem dele; assim se fará com as seis hásteas que saem do candelabro. As suas maçanetas e as suas hásteas serão do mesmo; tudo será de uma só peça, obra batida de ouro puro. Também lhe farás sete lâmpadas, as quais se acenderão para alumiar defronte dele. As suas espevitadeiras e os seus apagadores serão de ouro puro. De um talento de ouro puro se fará o candelabro com todos estes utensílios. Vê, pois, que tudo faças segundo o modelo que te foi mostrado no monte” (Êx 25:31-40).

O candelabro representa o Senhor Jesus: “De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (Jo 8:12).

As seis hásteas que saíam do candelabro representam o povo de Deus: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5:14-16).
No tabernáculo não existiam janelas, e as cortinas da entrada ficavam completamente fechadas, impedindo a entrada de luz natural. O interior do tabernáculo era iluminado apenas pelo candelabro, não pela luz externa. Isso significa que a sabedoria do mundo não decifra as coisas de Deus; apenas a sabedoria que vem de Deus deve iluminar a igreja de Deus. “Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo” (Fp 3:7).
Veja também Isaías 4:1; 1Coríntios 1:18-2:16, 3:18-20; João 14:26, 16:12-13; Colossenses 1:9-10; Mateus 16:17; 1João 2:27; Tiago 1:5, 3:15; Jó 28:28; Provérbios 4:20-27, 13:20; Daniel 2:26-28.

16. O altar do incenso

“Farás também um altar para queimares nele o incenso; de madeira de acácia o farás. Terá um côvado de comprimento, e um de largura (será quadrado), e dois de altura; os chifres formarão uma só peça com ele. De ouro puro o cobrirás, a parte superior, as paredes ao redor e os chifres; e lhe farás uma bordadura de ouro ao redor. Também lhe farás duas argolas de ouro debaixo da bordadura; de ambos os lados as farás; nelas, se meterão os varais para se levar o altar. De madeira de acácia farás os varais e os cobrirás de ouro. Porás o altar defronte do véu que está diante da arca do Testemunho, diante do propiciatório que está sobre o Testemunho, onde me avistarei contigo. Arão queimará sobre ele o incenso aromático; cada manhã, quando preparar as lâmpadas, o queimará. Quando, ao crepúsculo da tarde, acender as lâmpadas, o queimará; será incenso contínuo perante o Senhor, pelas vossas gerações. Não oferecereis sobre ele incenso estranho, nem holocausto, nem ofertas de manjares; nem tampouco derramareis libações sobre ele. Uma vez no ano, Arão fará expiação sobre os chifres do altar com o sangue da oferta pelo pecado; uma vez no ano, fará expiação sobre ele, pelas vossas gerações; santíssimo é ao Senhor” (Êx 30:1-10).

Em qualquer religião, o incenso representa veneração. Muito antes dos hebreus, vários outros povos já utilizavam o incenso para fins religiosos. A maioria dos incensos atualmente à venda é produzida por associações religiosas ou esotéricas. Não nos convém comprar tais coisas.
O altar do incenso era um lugar de oração, onde o Senhor se avistava com o sacerdote. Para que o incenso possa exalar o seu perfume é necessário, obviamente, acender o fogo; e em quase toda a Bíblia o significado do fogo é o Espírito Santo: “Não apagueis o Espírito” (1Ts 5:19).

A pessoa que não ora em Espírito não exala um perfume agradável a Deus: “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos” (Rm 8:26-27).
Ora, todos percebem a fé de uma pessoa de oração. Afinal, é difícil esconder o cheiro: “Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem. Para com estes, cheiro de morte para morte; para com aqueles, aroma de vida para vida […]” (2Co 2:15-16).

“Disse mais o Senhor a Moisés: Toma substâncias odoríferas, estoraque, ônica e gálbano; estes arômatas com incenso puro, cada um de igual peso; e disto farás incenso, perfume segundo a arte do perfumista, temperado com sal, puro e santo. Uma parte dele reduzirás a pó e o porás diante do Testemunho na tenda da congregação, onde me avistarei contigo; será para vós outros santíssimo. Porém o incenso que fareis, segundo a composição deste, não o fareis para vós mesmos; santo será para o Senhor. Quem fizer tal como este para o cheirar será eliminado do seu povo” (Êx 30:34-38). E isso quer dizer que devemos orar somente ao Senhor.

17. O fogo estranho

“Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram fogo estranho perante a face do Senhor, o que lhes não ordenara. Então, saiu fogo de diante do Senhor e os consumiu; e morreram perante o Senhor” (Lv 10:1-2).

Acender fogo estranho é querer oferecer ao Senhor o que não é do agrado dele, ou, ainda, orar diante de outros deuses. Corá e os rebeldes que o seguiram também ofereceram fogo estranho ao Senhor e foram eliminados do meio do povo. Veja Números, capítulo 16.

1. “Tiveram inveja de Moisés, no acampamento, e de Arão, o santo do Senhor. Abriu-se a terra, e tragou a Datã, e cobriu o grupo de Abirão. Ateou-se um fogo contra o seu grupo; a chama abrasou os ímpios. Em Horebe, fizeram um bezerro e adoraram o ídolo fundido. E, assim, trocaram a glória de Deus pelo simulacro de um novilho que come erva” (Sl 106:16-20);

2. “O que desvia os ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável” (Pv 28:9);

“Mas Nadabe e Abiú morreram perante o Senhor, quando ofereciam fogo estranho perante o Senhor, no deserto do Sinai […]” (Nm 3:4).

3. O incenso que Deus havia ordenado ao povo que fizessem era exclusivamente para ele, assim como a oração e o louvor devem ser dirigidos somente a Deus. Qualquer que se fizer passar por Deus será eliminado: “Quem fizer tal como este para o cheirar será eliminado do seu povo” (Êx 30:38).
Confira também em Atos 12:21~24 sobre a morte de Herodes.

18. Os chifres do altar

O significado do chifre é poder e força. Confira: “Levanta-te e debulha, ó filha de Sião, porque farei de ferro o teu chifre e de bronze, as tuas unhas; e esmiuçarás a muitos povos, e o seu ganho será dedicado ao Senhor, e os seus bens, ao Senhor de toda a terra” (Mq 4:13).

Veja também:

1. trombetas de chifre para a guerra: Josué 6:4;

2. o Império de Ferro e os seus dez chifres: Daniel 7:7;

3. um reino forte (Grécia) com um chifre notável entre os olhos: Daniel 8:5;

4. os dez reis representados por dez chifres: Apocalipse 17:12.

Deus exige que Arão passe sangue sobre os chifres do altar. Esse sangue figurava o sangue de Jesus e o chifre, o seu poder.

Os varais de madeira de acácia cobertos de ouro, como nos outros casos, foram feitos para levar os móveis. No caso do altar do incenso, a Bíblia nos ensina que devemos orar sempre: “Orai sem cessar” (1Ts 5:17).

19. A mesa de pães

“Enquanto o rei está assentado à sua mesa, o meu nardo exala o seu perfume” (Ct 1:12).

“Também farás a mesa de madeira de acácia; terá o comprimento de dois côvados, a largura, de um côvado, e a altura, de um côvado e meio; de ouro puro a cobrirás e lhe farás uma bordadura de ouro ao redor. Também lhe farás moldura ao redor, da largura de quatro dedos, e lhe farás uma bordadura de ouro ao redor da moldura. Também lhe farás quatro argolas de ouro; e porás as argolas nos quatro cantos, que estão nos seus quatro pés. Perto da moldura estarão as argolas, como lugares para os varais, para se levar a mesa. Farás, pois, estes varais de madeira de acácia e os cobrirás de ouro; por meio deles, se levará a mesa. Também farás os seus pratos, e os seus recipientes para incenso, e as suas galhetas, e as suas taças em que se hão de oferecer libações; de ouro puro os farás. Porás sobre a mesa os pães da proposição diante de mim perpetuamente” (Êx 25:23-30).
Na nossa vida cotidiana, as mesas servem para muitas coisas: apresentação, comunhão, refeição, preparo etc. Assim, pois, a mesa do Senhor também tinha todos esses significados. Essa mesa tinha aproximadamente 88,8 cm de comprimento, 44,4 cm de largura e 66,6 cm de altura. Era uma mesa retangular.
Mesas redondas, quadradas ou triangulares são mesas informais, todos os que nelas se sentam são iguais. Entretanto, em uma mesa retangular, como a do Senhor, há sempre alguém superior. Esse alguém é quem dita as regras, o anfitrião.

As pessoas que se sentam à mesa retangular devem ser submissas, atentas e obedientes. Ao mesmo tempo, também devem ter desprezo completo à auto-suficiência, obras ou virtudes pessoais.
Em seguida, verifiquemos alguns versículos nos quais se fala de pães:

“Então, disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover do céu pão, e o povo sairá e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu ponha à prova se anda na minha lei ou não” (Êx 16:4). Esse pão que chovia do céu era também conhecido como maná. Ele era “branco e de sabor como bolos de mel”, como está escrito no versículo 31. Agora, compare com: “Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não pereça. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne” (Jo 6:48-51). Esses trechos da Bíblia nos ensinam que devemos “colher” o Senhor Jesus Cristo diariamente, isto é, devemos estar em comunhão com ele todos os dias: “Colhiam-no, pois, manhã após manhã […]” (Êx 16:21). O Senhor Jesus é o pão que necessitamos para nos mantermos. Entretanto, o pão também é a provação do nosso dia-a-dia;

“Dar-se-á que, ao sexto dia, prepararão o que colherem; e será o dobro do que colhem cada dia” (Êx 16:5);

“Então, disse Moisés: Comei-o hoje, porquanto o sábado é do Senhor; hoje, não o achareis no campo. […] Ao sétimo dia, saíram alguns do povo para o colher, porém não o acharam” (Êx 16:25-27).

Com essas informações, voltemos a analisar o pão do tabernáculo: “Em cada sábado, Arão os porá em ordem perante o Senhor, continuamente, da parte dos filhos de Israel, por aliança perpétua. E serão de Arão e de seus filhos, os quais os comerão no lugar santo, porque são coisa santíssima para eles, das ofertas queimadas ao Senhor, como estatuto perpétuo” (Lv 24:8-9).

Os pães eram substituídos e comidos pelos sacerdotes, ali mesmo, no lugar santo. Convém lembrar que só os sacerdotes tinham o direito de comer do pão oferecido na mesa do tabernáculo: “O estrangeiro e o assalariado não comerão dela*” (Êx 12:45). *da Páscoa

Porém, nós também fomos feitos sacerdotes de Deus: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2:9). Aleluia!

Em Corinto, os irmãos que se congregavam criavam divisões e partidos dentro da igreja (1Co 3:1-9, 11:17-34). Por isso, o apóstolo Paulo disse: “Quando, pois, vos reunis no mesmo lugar, não é a ceia do Senhor que comeis. Porque, ao comerdes, cada um toma, antecipadamente, a sua própria ceia; e há quem tenha fome, ao passo que há também quem se embriague” (1Co 11:20-21).

Participar da ceia do Senhor é participar da sua mesa. Como podemos participar da mesa tão sagrada do Senhor indignamente?

1. “Porque todas as mesas estão cheias de vômitos, e não há lugar sem imundícia” (Is 28:8);

2. “Ofereceis sobre o meu altar pão imundo e ainda perguntais: Em que te havemos profanado? Nisto, que pensais: A mesa do Senhor é desprezível” (Ml 1:7);

“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não sejais mutuamente destruídos” (Gl 5:13-15).

3. A mesa de pães, como os outros móveis do tabernáculo, tinha varais para ser carregada. Isso quer dizer que a comunhão com o Senhor Jesus deve estar presente na nossa vida em todos os lugares onde estivermos. É a mesa de graça, de obediência e de bênção. Entretanto: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si” (1Co 11:28-29). E, assim, o pão da bênção acaba se tornando o pão da maldição: “Dá-lhe a comer pão de lágrimas e a beber copioso pranto” (Sl 80:5).

“Sobre cada fileira porás incenso puro, que será, para o pão, como porção memorial; é oferta queimada ao Senhor” (Lv 24:7). Sobre incenso e sobre pães, veja “O altar do incenso” e “O caminho até o Santo dos Santos”.

20. O altar do holocausto – (Êx 27:1~8; 38:1~7)

Não se deve confundir “altar” com “púlpito”. Altar é lugar de oferecer sacrifícios; é lugar de adoração. Púlpito é lugar de pregação: “Esdras, o escriba, estava num púlpito de madeira […]” (Ne 8:4).
Já que sabemos os significados de todos os materiais empregados na construção do altar do holocausto, verificaremos com mais atenção o próprio holocausto.

O que é holocausto?

Holocausto é “oferta queimada, de aroma agradável ao Senhor” (Lv 1:13). É também “sacrifício pelo pecado” (Êx 29:14).

1. “E andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Ef 5:2). Jesus Cristo tornou-se sacrifício com aroma suave por nós:
“Então, Maria, tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo. Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, o que estava para traí-lo, disse: Por que não se vendeu este perfume por trezentos denários e não se deu aos pobres? […] Jesus, entretanto, disse: Deixa-a! Que ela guarde isto para o dia em que me embalsamarem” (Jo 12:3-7);

2. “Tomaram, pois, o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com os aromas, como é de uso entre os judeus na preparação para o sepulcro” (Jo 19:40);

3. “Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem embalsamá-lo” (Mc 16:1).

Como devia ser o altar

“Farás também o altar de madeira de acácia; de cinco côvados será o seu comprimento, e de cinco, a largura (será quadrado o altar), e de três côvados, a altura. Dos quatro cantos farás levantar-se quatro chifres, os quais formarão uma só peça com o altar; e o cobrirás de bronze. Far-lhe-ás também recipientes para recolher a sua cinza, e pás, e bacias, e garfos, e braseiros; todos esses utensílios farás de bronze. Far-lhe-ás também uma grelha de bronze em forma de rede, à qual farás quatro argolas de metal nos seus quatro cantos, e as porás dentro do rebordo do altar para baixo, de maneira que a rede chegue até ao meio do altar. Farás também varais para o altar, varais de madeira de acácia, e os cobrirás de bronze. Os varais se meterão nas argolas, de um e de outro lado do altar, quando for levado. Oco e de tábuas o farás; como se te mostrou no monte, assim o farão” (Êx 27:1-8).

“Se a sua oferta for holocausto de gado, trará macho sem defeito […]” (Lv 1:3). Veja também Êxodo 12:5 e Números 28:3, 9, 11, 19, 31.

“Disse mais o Senhor a Moisés: Fala a Arão, e a seus filhos, e a todos os filhos de Israel e dize-lhes: Qualquer que, da casa de Israel ou dos estrangeiros em Israel, apresentar a sua oferta, quer em cumprimento de seus votos ou como ofertas voluntárias, que apresentar ao Senhor em holocausto, para que seja aceitável, oferecerá macho sem defeito, ou do gado, ou do rebanho de ovelhas, ou de cabras. Porém todo o que tiver defeito, esse não oferecereis; porque não seria aceito a vosso favor. Quando alguém oferecer sacrifício pacífico ao Senhor, quer em cumprimento de voto ou como oferta voluntária, do gado ou do rebanho, o animal deve ser sem defeito para ser aceitável; nele, não haverá defeito nenhum. O cego, ou aleijado, ou mutilado, ou ulceroso, ou sarnoso, ou cheio de impigens, não os oferecereis ao Senhor e deles não poreis oferta queimada ao Senhor sobre o altar” (Lv 22:17-22).

Jesus era esse animal sem defeito; Pôncio Pilatos confirmou isso três vezes:

1. “[…] Eu não acho nele crime algum” (Jo 18:38);

2. “Outra vez saiu Pilatos e lhes disse: Eis que eu vo-lo apresento, para que saibais que eu não acho nele crime algum” (Jo 19:4);

3. “[…] Tomai-o vós outros e crucificai-o; porque eu não acho nele crime algum” (Jo 19:6).

As mãos sobre a cabeça da vítima

“E porá a mão sobre a cabeça do holocausto, para que seja aceito a favor dele, para a sua expiação” (Lv 1:4);

“Farás chegar o novilho diante da tenda da congregação, e Arão e seus filhos porão as mãos sobre a cabeça dele” (Êx 29:10).

Quando coroaram o Senhor com espinhos, puseram as duas mãos sobre a sua cabeça. Confira João 19:2.

As cinzas

“Far-lhe-ás também recipientes para recolher a sua cinza, e pás, e bacias, e garfos, e braseiros; todos esses utensílios farás de bronze” (Êx 27:3).
As cinzas representam a humilhação:

Abraão: Gênesis 18:27;

Jó: Jó 42:6;

Jeremias: Jeremias 6:26;

Jesus: Filipenses 2:7-9.

Um fato curioso é que as cinzas eram recolhidas e levadas para fora do arraial: “O sacerdote vestirá a sua túnica de linho e os calções de linho sobre a pele nua, e levantará a cinza, quando o fogo houver consumido o holocausto sobre o altar, e a porá junto a este. Depois, despirá as suas vestes e porá outras; e levará a cinza para fora do arraial a um lugar limpo” (Lv 6:10-11).

O correspondente a esse versículo do Antigo Testamento encontra-se no Novo, em Hebreus 13:11-13, e, com bastante clareza, refere-se ao Senhor Jesus Cristo: “Pois aqueles animais cujo sangue é trazido para dentro do Santo dos Santos, pelo sumo sacerdote, como oblação pelo pecado, têm o corpo queimado fora do acampamento. Por isso, foi que também Jesus, para santificar o povo, pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta. Saiamos, pois, a ele, fora do arraial, levando o seu vitupério”.

O sangue nos chifres do altar

“Depois, tomarás do sangue do novilho e o porás com o teu dedo sobre os chifres do altar; o restante do sangue derramá-lo-ás à base do altar” (Êx 29:12).
O altar do holocausto representa a cruz do Calvário, onde o Senhor morreu. O altar possuía quatro cantos, pois era quadrangular. Assim também a cruz do Senhor tinha quatro pontas, de onde se derramou o seu sangue: cabeça, ambas as mãos e os pés. O restante do sangue foi derramado do meio da cruz: “Mas um dos soldados lhe abriu o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água” (Jo 19:34).

O sangue na orelha direita

“Imolarás o carneiro, e tomarás do seu sangue, e o porás sobre a ponta da orelha direita de Arão e sobre a ponta da orelha direita de seus filhos […]” (Êx 29:20).

Compare com Jesus no Getsêmani: “Então, Simão Pedro puxou da espada que trazia e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita; e o nome do servo era Malco” (Jo 18:10).

21. A bacia de bronze

“No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado” (Jo 7:37-39).
Como já vimos anteriormente, bronze representa justiça: “Antes, corra o juízo como as águas; e a justiça, como ribeiro perene” (Am 5:24).

A bacia de bronze é o móvel do tabernáculo descrito com menos detalhes. Não se encontra registrado o seu peso, a sua altura, a sua largura, ou a sua capacidade. Não sabemos se o seu formato era redondo, quadrado ou hexagonal. Ou talvez nenhum deles. Todavia, analisemos os detalhes fornecidos pelas Escrituras: “Disse mais o Senhor a Moisés: Farás também uma bacia de bronze com o seu suporte de bronze, para lavar. Pô-la-ás entre a tenda da congregação e o altar e deitarás água nela. Nela, Arão e seus filhos lavarão as mãos e os pés. Quando entrarem na tenda da congregação, lavar-se-ão com água, para que não morram; ou quando se chegarem ao altar para ministrar, para acender a oferta queimada ao Senhor. Lavarão, pois, as mãos e os pés, para que não morram; e isto lhes será por estatuto perpétuo, a ele e à sua posteridade, através de suas gerações” (Êx 30:17-21).

Na Bíblia há várias ocorrências e significados para “água”:

1. água da vida (o Espírito Santo);

2. batismo da água;

3. lavagem dos pés.

Todos esses significados representam a salvação.

“Afirmou-lhe Jesus: Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (Jo 4:13-14).

Aqui vemos a importância de nos lavarmos, caso contrário, morreremos, diz o Senhor. Se nos lavarmos, teremos uma fonte a jorrar para a vida eterna.

“O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso” (Sl 23:1-2);

“E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida” (Ap 21:5-6);

“Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus” (Jo 3:5).

22. Os espelhos das mulheres

“Fez também a bacia de bronze, com o seu suporte de bronze, dos espelhos das mulheres que se reuniam para ministrar à porta da tenda da congregação” (Êx 38:8).
Percebemos que essas mulheres consideravam o santuário de Deus mais importante do que elas próprias. O espelho certamente era um objeto de uso pessoal importante para elas, assim como nos dias de hoje. “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria. Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra” (2Co 9:7-8).

E ainda está escrito: “Porque o serviço desta assistência não só supre a necessidade dos santos, mas também redunda em muitas graças a Deus, visto como, na prova desta ministração, glorificam a Deus pela obediência da vossa confissão quanto ao evangelho de Cristo e pela liberalidade com que contribuís para eles e para todos, enquanto oram eles a vosso favor, com grande afeto, em virtude da superabundante graça de Deus que há em vós” (2Co 9:12-14).

Quando falamos de espelho, falamos também da imagem refletida nele. Arão e seus filhos se lavavam na bacia de bronze e, provavelmente, eles viam as suas imagens refletidas no fundo dela. Vamos conferir na Bíblia alguns versículos que falam a respeito disso:

“Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que contempla, num espelho, o seu rosto natural; pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência. Mas aquele que considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar” (Tg 1:22-25);

“Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão” (Mt 7:3-5).

A bacia de bronze era o lugar para se olhar e para se lavar. “Lavar” significa “purificar”; então, todo aquele que se purifica, deve olhar para si mesmo enquanto o faz:

“Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2:38);

“Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração” (Tg 4:8);

“[…] Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!” (Rm 10:15);

“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2Co 3:18).

23. As vestes sacerdotais

Leia todo o capítulo 28 de Êxodo.
“Falarás também a todos os homens hábeis a quem enchi do espírito de sabedoria, que façam vestes para Arão para consagrá-lo, para que me ministre o ofício sacerdotal. As vestes, pois, que farão são estas: um peitoral, uma estola sacerdotal, uma sobrepeliz, uma túnica bordada, mitra e cinto. Farão vestes sagradas para Arão, teu irmão, e para seus filhos, para me oficiarem como sacerdotes. Tomarão ouro, estofo azul, púrpura, carmesim e linho fino e farão a estola sacerdotal de ouro, e estofo azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino retorcido, obra esmerada” (Êx 28:3-6).
Veja o significado das seguintes palavras:

1. estola: peça formada por longa faixa, alargada nas extremidades;

2. sobrepeliz: sobretudo, veste sacerdotal usada sobre todas as outras;

3. túnica: vestuário comprido e ajustado ao corpo;

4. mitra: cobertura para a cabeça;

5. esmerada: bem feita, bem acabada.

24. O Urim e o Tumim: a autoridade de decisão

“Também porás no peitoral do juízo o Urim e o Tumim, para que estejam sobre o coração de Arão, quando entrar perante o Senhor; assim, Arão levará o juízo dos filhos de Israel sobre o seu coração diante do Senhor continuamente” (Êx 28:30).

Mediante o Urim e o Tumim, o sumo sacerdote podia declarar a vontade de Deus tanto acerca dos líderes (Nm 27:21) como acerca do povo (Dt 33:8, 10).

Tem sido sugerido por estudiosos que o Urim e o Tumim eram dois objetos achatados, que tinham a palavra “Urim”, derivada de “amaldiçoar”, escrita de um lado; e a palavra “Tumim”, derivada de “perfeito”, escrita do outro.
Quando esses objetos eram lançados e aparecia a palavra “Urim” em ambos, significava uma “resposta negativa”; se aparecia a palavra “Tumim” em ambos, significava uma “resposta positiva”; mas, um lado “Urim” e outro “Tumim” significava “sem resposta”. Entretanto, tudo isso não passa de hipótese. Mesmo que o Urim e o Tumim fossem objetos usados para tirar a sorte, devemos nos lembrar de que: “A sorte se lança no regaço [colo], mas do Senhor procede toda decisão” (Pv 16:33).

Josué consultou o Urim (subentende-se Urim e Tumim): “Disse o Senhor a Moisés: toma Josué, filho de Num, homem em quem há o Espírito, e impõe-lhe as mãos; apresenta-o perante Eleazar, o sacerdote, e perante toda a congregação; e dá-lhe, à vista deles, as tuas ordens. Põe sobre ele da tua autoridade, para que lhe obedeça toda a congregação dos filhos de Israel. Apresentar-se-á perante Eleazar, o sacerdote, o qual por ele consultará, segundo o juízo do Urim, perante o Senhor; segundo a sua palavra, sairão e, segundo a sua palavra, entrarão, ele, e todos os filhos de Israel com ele, e toda a congregação” (Nm 27:18-21).
Saul também consultou o Urim, mas Deus não lhe deu resposta: “Consultou Saul ao Senhor, porém o Senhor não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas” (1Sm 28:6).

25. A autoridade de Jesus Cristo

Jesus é o sumo sacerdote que tem autoridade para decidir:

“Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados […]” (Mc 2:10);

“Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mt 28:18);

“[…] Não temas; eu sou o primeiro e o último e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno” (Ap 1:17-18).

26. O cinto

O cinto representa a justiça e a fidelidade de Jesus Cristo:

“A justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade, o cinto dos seus rins” (Is 11:5).

27. A lâmina de ouro

“Farás também uma lâmina de ouro puro e nela gravarás à maneira de gravuras de sinetes: Santidade ao Senhor. Atá-la-ás com um cordão de estofo azul, de maneira que esteja na mitra; bem na frente da mitra estará. E estará sobre a testa de Arão, para que Arão leve a iniqüidade concernente às coisas santas que os filhos de Israel consagrarem em todas as ofertas de suas coisas santas; sempre estará sobre a testa de Arão, para que eles sejam aceitos perante o Senhor” (Êx 28:36-38).

A lâmina de ouro devia ser usada para aceitação: “Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler. Então, lhe deram o livro do profeta Isaías, e, abrindo o livro, achou o lugar onde estava escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor. Tendo fechado o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e todos na sinagoga tinham os olhos fitos nele. Então, passou Jesus a dizer-lhes: Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir(Lc 4:16-21).

No livro de Apocalipse, encontramos o Senhor Jesus com diademas (coroas) na cabeça: “Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça. Os seus olhos são chama de fogo; na sua cabeça, há muitos diademas; tem um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo. Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama o Verbo de Deus” (Ap 19:11-13).
Compare com: “E lhe pôs a mitra na cabeça e na mitra, na sua parte dianteira, pôs a lâmina de ouro, a coroa sagrada, como o Senhor ordenara a Moisés” (Lv 8:9). Diadema é ornato com que reis e rainhas cingiam a cabeça. Assim, Jesus tornou-se sacerdote consagrado.

28. Jesus: o sacerdote não-levita

Pela Lei de Deus, só os levitas poderiam ser sacerdotes: “Disse o Senhor a Moisés: Faze chegar a tribo de Levi e põe-na diante de Arão, o sacerdote, para que o sirvam e cumpram seus deveres para com ele e para com todo o povo, diante da tenda da congregação, para ministrarem no tabernáculo. Terão cuidado de todos os utensílios da tenda da congregação e cumprirão o seu dever para com os filhos de Israel, no ministrar no tabernáculo” (Nm 3:5-8). Leia também os capítulos 3 e 4 do livro de Números.

Arão foi escolhido como sumo sacerdote para ministrar o tabernáculo. Ele era irmão de Moisés e de Miriã, e todos eram descendentes de levitas:

“Foi-se um homem da casa de Levi e casou com uma descendente de Levi. E a mulher concebeu e deu à luz um filho; e, vendo que era formoso, escondeu-o por três meses” (Êx 2:1-2);

“[…] Não é Arão, o levita, teu irmão? […]” (Êx 4:14);

“A profetisa Miriã, irmã de Arão […]” (Êx 15:20).
Sabemos também que Jesus Cristo era descendente de Judá (Mt 1:1-17); sendo assim, como ele poderia ser sacerdote? Estaria, agora, a Bíblia contradizendo as próprias palavras? “Pois é evidente que nosso Senhor procedeu de Judá, tribo à qual Moisés nunca atribuiu sacerdotes” (Hb 7:14).
O profeta Jeremias dizia que chegaria o dia em que Deus firmaria uma nova aliança com Israel e com Judá. Essa nova aliança é a que foi mencionada pelo Senhor Jesus, na sua última ceia, confirmando com isso que ele, Jesus, era o sumo sacerdote da Nova Aliança, prometida no livro de Jeremias. Compare:

“Eis aí vêm dias, diz o Senhor, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o Senhor. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (Jr 31:31-33);

“Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados” (Mt 26:26-28).
Por isso, em Hebreus 8:13 está escrito: “Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer”. Leia todo o capítulo 8.
O Senhor morreu derramando o seu sangue, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia. Permaneceu com os seus discípulos por quarenta dias e, então, subiu aos céus: “Ditas estas palavras, foi Jesus elevado às alturas, à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos seus olhos” (At 1:9).

Assim como o sumo sacerdote, o Senhor Jesus Cristo penetrou no Santo dos Santos, levando o seu próprio sangue para propiciação e, gravado em si, o nome de todo o povo eleito por Deus. E o Santo dos Santos é o céu, de onde, em breve, retornará para arrebatar a sua igreja: “Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente, venho sem demora. Amém! Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22: 20).

29. Melquisedeque

Melquisedeque representa o Senhor Jesus. E quem foi Melquisedeque?

As obras desse homem de Deus estão resumidas em apenas sete versículos (Gn 14:18-24). Isto é tudo o que sabemos:

1. era rei de Salém (versículo 18);

2. era sacerdote do Deus Altíssimo (versículo 18);

3. abençoou a Abrão (versículo 19);

4. recebeu o dízimo (versículo 20).

“Considerai, pois, como era grande esse a quem Abraão, o patriarca, pagou o dízimo tirado dos melhores despojos. Ora, os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm mandamento de recolher, de acordo com a lei, os dízimos do povo, ou seja, dos seus irmãos, embora tenham estes descendido de Abraão; entretanto, aquele cuja genealogia não se inclui entre eles recebeu dízimos de Abraão e abençoou o que tinha as promessas. Evidentemente, é fora de qualquer dúvida que o inferior é abençoado pelo superior. Aliás, aqui são homens mortais os que recebem dízimos, porém ali, aquele de quem se testifica que vive. E, por assim dizer, também Levi, que recebe dízimos, pagou-os na pessoa de Abraão. Porque aquele ainda não tinha sido gerado por seu pai, quando Melquisedeque saiu ao encontro deste” (Hb 7:4-10)

Nada mais sabemos a respeito de Melquisedeque; ele surgiu e desapareceu repentinamente. Vejamos a seguir o que diz a Palavra em Hebreus: “Porque este Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro de Abraão, quando voltava da matança dos reis, e o abençoou, para o qual também Abraão separou o dízimo de tudo (primeiramente se interpreta rei de justiça, depois também é rei de Salém, ou seja, rei de paz; sem pai, sem mãe, sem genealogia; que não teve princípio de dias, nem fim de existência, entretanto, feito semelhante ao Filho de Deus), permanece sacerdote perpetuamente” (Hb 7:1-3).
Leia Hebreus, do capítulo 7 ao capítulo 10.

30. Bezalel

O nome Bezalel significa “na sombra de Deus”. Ele foi o mestre-de-obras do tabernáculo. Ao contrário do que aconteceu com Moisés, o Senhor não havia mostrado a Bezalel, com exatidão, em uma visão, como deveria ser a obra.
Todos os homens que saíram do Egito foram escravos a vida toda. Tudo que faziam era fabricar tijolos de barro. Porém, chamado por Deus e recebendo o Espírito de Deus, Bezalel tornou-se um homem altamente capacitado não somente para comandar, mas também para executar e ensinar seus companheiros na obra do Senhor: “Disse Moisés aos filhos de Israel: Eis que o Senhor chamou pelo nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o Espírito de Deus o encheu de habilidade, inteligência e conhecimento em todo artifício, e para elaborar desenhos e trabalhar em ouro, em prata, em bronze, e para lapidação de pedras de engaste, e para entalho de madeira, e para toda sorte de lavores. Também lhe dispôs o coração para ensinar a outrem, a ele e a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã. Encheu-os de habilidade para fazer toda obra de mestre, até a mais engenhosa, e a do bordador em estofo azul, em púrpura, em carmesim e em linho fino, e a do tecelão, sim, toda sorte de obra e a elaborar desenhos” (Êx 35:30-35).
Compare com a igreja: “Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus” (1Co 1:26-29).

Bezalel foi ensinado pelo Espírito de Jesus Cristo

“Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados; não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada; mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória; sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória; mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Co 2:6-9);

“Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, investigando, atentamente, qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam” (1Pe 1:10-11).
Paulo também foi guiado pelo Espírito de Jesus Cristo: “E, percorrendo a região frígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na Ásia, defrontando Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu. E, tendo contornado Mísia, desceram a Trôade” (At 16:6-8).

Pode parecer fácil construir o tabernáculo com os dados que o servo de Deus, Moisés, forneceu. Mas, se formos construir até mesmo uma maquete, nos deparamos com inúmeras dificuldades por falta de dados mais precisos.Por exemplo:

1. qual era o comprimento das varas da arca da aliança?

2. como era exatamente a bordadura de ouro do altar do incenso?

3. como deveria ser o semblante dos querubins do propiciatório? Eles deveriam estar em pé ou ajoelhados?

4. qual era o formato da pia de bronze? Redondo, quadrado, sextavado…? E o seu peso? Quantos litros de água deveria comportar?

Somente Moisés havia visto o tabernáculo na visão. Certamente havia muitos detalhes inexplicáveis verbalmente, mas conseguiram concluir a obra: “E tudo fez Moisés segundo o Senhor lhe havia ordenado; assim fez” (Êx 40:16).

“Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus. Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente. Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais. Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém. Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo” (1Co 2:10-16). Amém.

É necessário saber que há também outro tipo de sabedoria: a demoníaca, que afasta o ser humano de Deus: “Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e demoníaca” (Tg 3:15).

Portanto:

“Ninguém se engane a si mesmo: se alguém dentre vós se tem por sábio neste século, faça-se estulto para se tornar sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; porquanto está escrito: Ele apanha os sábios na própria astúcia deles. E outra vez: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são pensamentos vãos” (1Co 3:18-20). Veja também Jó 28:12-28 e 38:1-42:6.

“Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida” (Tg 1:5).

O rei Nabucodonosor perguntou a Daniel: “[…] Podes tu fazer-me saber o que vi no sonho e a sua interpretação? Respondeu Daniel na presença do rei e disse: O mistério que o rei exige, nem encantadores, nem magos, nem astrólogos o podem revelar ao rei; mas há um Deus no céu, o qual revela os mistérios […]” (Dn 2:26-28).

“Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir” (Jo 16:13);

“Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou” (1Jo 2:27);

“E disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e o apartar-se do mal é o entendimento” (Jó 28:28);

“Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus” (Cl 1:9-10).
Bezalel ensinou aos seus companheiros tudo aquilo que o Espírito de Deus lhe ensinara:
“Quem anda com os sábios será sábio […]” (Pv 13:20);

“Dá instrução ao sábio, e ele se fará mais sábio ainda; ensina ao justo, e ele crescerá em prudência. O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é prudência” (Pv 9:9-10);

“Também lhe dispôs o coração para ensinar a outrem, a ele e a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã” (Êx 35:34).

Compare com o Novo Testamento, na época da igreja primitiva: “Quanto à minha situação, Tíquico, irmão amado, e fiel ministro, e conservo no Senhor, de tudo vos informará. Eu vo-lo envio com o expresso propósito de vos dar conhecimento da nossa situação e de alentar o vosso coração. Em sua companhia, vos envio Onésimo, o fiel e amado irmão, que é do vosso meio. Eles vos farão saber tudo o que por aqui ocorre. Saúda-vos Aristarco, prisioneiro comigo, e Marcos, primo de Barnabé (sobre quem recebestes instruções; se ele for ter convosco, acolhei-o)” (Cl 4:7-10).

“E, por meio dele, todo o que crê é justificado de todas as coisas das quais vós não pudestes ser justificados pela Lei de Moisés” (At 13:39).

31. O caminho até o Santo dos Santos

Propiciatório

(s)

Arca da Aliança

Candelabro Altar do Incenso Mesa de Pães
(f) (f) (f)

Pia de Bronze
(á)

Altar de Holocausto
(f)

(s) = sangue, (f) = fogo, (á) = água

Esse é o caminho que nos leva à presença de Deus: “[…] o imundo não passará por ele, pois será somente para o seu povo; quem quer que por ele caminhe não errará, nem mesmo o louco […] os remidos andarão por ele” (Is 35:8-9).

Façamos aqui um resumo de tudo o que vimos até agora:

a porta: lugar de decisão;

o altar do holocausto: lugar de sacrifício;

a bacia de bronze: lugar de purificação;

o altar do incenso: lugar de oração;

a mesa de pães: lugar de oferta;

o candelabro: lugar de ser iluminado;

o propiciatório: lugar de expiação;

a arca da aliança: lugar de testemunhos.

“[…] Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14:6). O Senhor Jesus veio para cumprir tudo o que estava escrito a seu respeito, por isso, ele não desceu da cruz: “Salva-te a ti mesmo, descendo da cruz! De igual modo, os principais sacerdotes com os escribas, escarnecendo, entre si diziam: Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se; desça agora da cruz o Cristo, o rei de Israel, para que vejamos e creiamos” (Mc 15:30-32).

Quando nas Escrituras está escrito “O Senhor carregou a cruz”, podemos entender “O Senhor carregou o tabernáculo”.

“Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á. Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?” (Mt 16:24-26);

“E, como o conduzissem, constrangendo um cireneu, chamado Simão, que vinha do campo, puseram-lhe a cruz sobre os ombros, para que a levasse após Jesus” (Lc 23:26).

Repare que para chegar à arca da aliança, onde estão as promessas do Senhor, é necessário acender fogo várias vezes. Veja, no começo deste texto, onde está assinalado (f).
Acender fogo é queimar. Queimar o melhor animal no altar do holocausto, queimar o melhor azeite no candelabro, queimar o incenso feito com substâncias preciosas no altar do incenso e na mesa de pães. Queimar é consumir, destruir, perder… As Escrituras nos ensinam a proceder dessa maneira para podermos nos encontrar com o Senhor. Os crentes queimaram os pecados, mas isso não é suficiente. Infelizmente, muitos irmãos continuam teimando em queimar o lixo chamado “pecado”, pensando ser isso uma oferta queimada de aroma agradável ao Senhor.

É fácil queimar lixo, porém, o Senhor pede para queimarmos sempre o melhor que temos. Então, que temos queimado ao Senhor? Se vivemos na carne, com certeza pensamos: Que desperdício!
Observe o seguinte relato feito por Marcos: “Estando ele em Betânia, reclinado à mesa, em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher trazendo um vaso de alabastro com preciosíssimo perfume de nardo puro; e, quebrando o alabastro, derramou o bálsamo sobre a cabeça de Jesus. Indignaram-se alguns entre si e diziam: Para que este desperdício de bálsamo? Porque este perfume poderia ser vendido por mais de trezentos denários e dar-se aos pobres. E murmuravam contra ela. Mas Jesus disse: Deixai-a; por que a molestais? Ela praticou boa ação para comigo” (Mc 14:3-6).

32. A ordem das tribos no acampamento

No capítulo 2 do livro de Números, o Senhor divide as doze tribos de Israel em quatro grupos, para acamparem ao redor do tabernáculo:
Judá, Issacar e Zebulom: ao lado oriental, no lado da porta do tabernáculo;
Gade, Rúben e Simeão: ao sul;
Benjamim, Efraim e Manasses: ao lado ocidental;
Aser, Dã e Naftali: ao norte.

A tribo de Levi acamparia ao redor de todo o tabernáculo. Levi tinha três filhos: Gérson, Coate e Merari (Nm 3:17). Os descendentes de Gérson foram chamados de gersonitas; os de Coate, coatitas; os de Merari, meraritas. Todos os seus descendentes, acima de um mês de idade, foram contados, totalizando vinte e dois mil homens (Nm 3:39).
Os gersonitas foram designados por Deus para acamparem no lado ocidental, atrás do tabernáculo (Nm 3:23); os coatitas, ao sul (Nm 3:29); e os meraritas, ao norte (Nm 3:35). Moisés, Arão e os seus filhos foram ordenados a acampar em frente da porta do tabernáculo (Nm 3:38).
Voltemos nossa atenção à tribo de Judá: ela acampava no lado oriental, no lado da porta (já tratamos desse assunto quando abordamos o átrio do tabernáculo), e era a primeira a se pôr em marcha, logo após os levitas (Nm 2:9).
Para sabermos um pouco mais sobre a tribo de Judá, vejamos Gênesis 49:8-9, em que Jacó abençoa os filhos antes da sua morte: “Judá, teus irmãos te louvarão; a tua mão estará sobre a cerviz de teus inimigos; os filhos de teu pai se inclinarão a ti. Judá é leãozinho; da presa subiste, filho meu. Encurva-se e deita-se como leão e como leoa; quem o despertará?”.

O Novo Testamento revela quem é o Leão de Judá: “[…] eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos” (Ap 5:5). Comparemos com Apocalipse 22:16: “Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas. Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a brilhante Estrela da manhã”.
Jesus é o Leão da tribo de Judá. Todas as outras tribos seguiam a de Judá. Jesus Cristo é o Senhor, e que todos o sigam!

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (Jo 10:27);

“Caminhando junto ao mar da Galiléia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Então, eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram. Passando adiante, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco em companhia de seu pai, consertando as redes; e chamou-os. Então, eles, no mesmo instante, deixando o barco e seu pai, o seguiram” (Mt 4:18-22);

“Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu” (Mt 9:9).

33. A coluna de nuvem e a coluna de fogo

A primeira vez que a Bíblia menciona a coluna de nuvem e a coluna de fogo é em Êxodo 13:21-22, quando o povo de Israel estava partindo do Egito, em direção ao deserto: “O Senhor ia adiante deles, durante o dia, numa coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho; durante a noite, numa coluna de fogo, para os alumiar, a fim de que caminhassem de dia e de noite. Nunca se apartou do povo a coluna de nuvem durante o dia, nem a coluna de fogo durante a noite”.

A coluna de nuvem, além de guiar o povo de Deus pelo deserto, fazia sombra durante o dia, protegendo-o da forte radiação solar; de noite, a coluna de fogo, além de o guiar, iluminava e aquentava, protegendo do intenso frio noturno do deserto.

“Então, o Anjo de Deus, que ia adiante do exército de Israel, se retirou e passou para trás deles; também a coluna de nuvem se retirou de diante deles, e se pôs atrás deles, e ia entre o campo dos egípcios e o campo de Israel; a nuvem era escuridade para aqueles e para este esclarecia a noite; de maneira que, em toda a noite, este e aqueles não puderam aproximar-se. Então, Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o Senhor, por um forte vento oriental que soprou toda aquela noite, fez retirar-se o mar, que se tornou terra seca, e as águas foram divididas. Os filhos de Israel entraram pelo meio do mar em seco; e as águas lhes foram qual muro à sua direita e à sua esquerda” (Êx 14:19-22).

Compare com: “E maravilharam-se os homens, dizendo: Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?” (Mt 8:27).
Quando Moisés subiu ao monte Sinai: “Tendo Moisés subido, uma nuvem cobriu o monte. E a glória do Senhor pousou sobre o monte Sinai, e a nuvem o cobriu por seis dias; ao sétimo dia, do meio da nuvem chamou o Senhor a Moisés. O aspecto da glória do Senhor era como um fogo consumidor no cimo do monte, aos olhos dos filhos de Israel. E Moisés, entrando pelo meio da nuvem, subiu ao monte; e lá permaneceu quarenta dias e quarenta noites” (Êx 24:15-18).

No dia em que erigiram o tabernáculo, uma nuvem o cobriu e a glória do Senhor o encheu: “Então, a nuvem cobriu a tenda da congregação, e a glória do Senhor encheu o tabernáculo. Moisés não podia entrar na tenda da congregação, porque a nuvem permanecia sobre ela, e a glória do Senhor enchia o tabernáculo” (Êx 40:34-35).
Note que o fato descrito no parágrafo anterior aconteceu porque o povo de Deus fez tudo conforme as ordens do Senhor. Se tivesse feito conforme as próprias idéias, a nuvem da glória de Deus jamais teria enchido o tabernáculo. Nos dois últimos capítulos do livro de Êxodo, aparece dezessete vezes a frase: “fizeram segundo o Senhor ordenara a Moisés”.
Agir conforme os mandamentos do Senhor é importantíssimo para todos os crentes. Sem obediência, não há vitória e a pessoa perde a confiança da parte de Deus. Assim, é necessário que todos nós observemos as Palavras, não nos tornando ouvintes negligentes, mas operosos praticantes. “O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor” (Pv 16:1).

A seguir, vejamos alguns versículos do Novo Testamento em que a nuvem é citada:
Atos 1:9: “Ditas estas palavras, foi Jesus elevado às alturas, à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos seus olhos”;
Marcos 13:26: Então, verão o Filho do Homem vir nas nuvens, com grande poder e glória”;
Apocalipse 14:14-16: “Olhei, e eis uma nuvem branca, e sentado sobre a nuvem um semelhante a filho de homem, tendo na cabeça uma coroa de ouro e na mão uma foice afiada. Outro anjo saiu do santuário, gritando em grande voz para aquele que se achava sentado sobre a nuvem: Toma a tua foice e ceifa, pois chegou a hora de ceifar, visto que a seara da terra já amadureceu! E aquele que estava sentado sobre a nuvem passou a sua foice sobre a terra, e a terra foi ceifada”;
Apocalipse 1:7: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém!”;
1Tessalonicenses 4:16-17: “Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor”.

34. A nuvem sobre o tabernáculo

“No dia em que foi erigido o tabernáculo, a nuvem o cobriu, a saber, a tenda do Testemunho; e, à tarde, estava sobre o tabernáculo uma aparência de fogo até à manhã. Assim era de contínuo: a nuvem o cobria, e, de noite, havia aparência de fogo. Quando a nuvem se erguia de sobre a tenda, os filhos de Israel se punham em marcha; e, no lugar onde a nuvem parava, aí os filhos de Israel se acampavam. Segundo o mandado do Senhor, os filhos de Israel partiam e, segundo o mandado do Senhor, se acampavam; por todo o tempo em que a nuvem pairava sobre o tabernáculo, permaneciam acampados. Quando a nuvem se detinha muitos dias sobre o tabernáculo, então, os filhos de Israel cumpriam a ordem do Senhor e não partiam. Às vezes, a nuvem ficava poucos dias sobre o tabernáculo; então, segundo o mandado do Senhor, permaneciam e, segundo a ordem do Senhor, partiam. Às vezes, a nuvem ficava desde a tarde até à manhã; quando, pela manhã, a nuvem se erguia, punham-se em marcha; quer de dia, quer de noite, erguendo-se a nuvem, partiam. Se a nuvem se detinha sobre o tabernáculo por dois dias, ou um mês, ou por mais tempo, enquanto pairava sobre ele, os filhos de Israel permaneciam acampados e não se punham em marcha; mas, erguendo-se ela, partiam. Segundo o mandado do Senhor, se acampavam e, segundo o mandado do Senhor, se punham em marcha; cumpriam o seu dever para com o Senhor, segundo a ordem do Senhor por intermédio de Moisés” (Nm 9:15-23).

Aqui aprendemos uma lição maravilhosa: o povo de Deus deve caminhar seguindo unicamente a vontade do Senhor.

“Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6:9-10);

“O Senhor faz justiça e julga a todos os oprimidos. Manifestou os seus caminhos a Moisés e os seus feitos aos filhos de Israel” (Sl 103:6-7);

“O caminho do Senhor é fortaleza para os íntegros, mas ruína aos que praticam a iniqüidade” (Pv 10:29);

“Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte” (Pv 14:12, 16:25);

“Aconteceu, no ano segundo, no segundo mês, aos vinte do mês, que a nuvem se ergueu de sobre o tabernáculo da congregação. Os filhos de Israel puseram-se em marcha do deserto do Sinai, jornada após jornada […]” (Nm 10:11-12).

Veja também Neemias, capítulo 9.

35. O véu

“Farás também um véu de estofo azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino retorcido; com querubins, o farás de obra de artista. Suspendê-lo-ás sobre quatro colunas de madeira de acácia, cobertas de ouro; os seus colchetes serão de ouro, sobre quatro bases de prata. Pendurarás o véu debaixo dos colchetes e trarás para lá a arca do Testemunho, para dentro do véu; o véu vos fará separação entre o Santo Lugar e o Santo dos Santos” (Êx 26:31-33).

Compare com: “E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito. Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo […]” (Mt 27:50-51).

O véu que separava o Lugar Santo do Santo dos Santos rasgou-se de alto a baixo. Por que de “alto a baixo” e não de “baixo ao alto”? Se Mateus tivesse relatado de “baixo ao alto”, poderíamos entender que alguém rasgou o véu desde a orla inferior até a superior.
A altura do véu era a mesma do tabernáculo, ou seja, dez côvados (4,44 m). Seria, portanto, impossível alguém entrar no templo, vigiado por vários sacerdotes e peregrinos, com uma escada, subir até o topo e rasgar o véu de alto a baixo.

Está escrito que o véu se rasgou de “alto a baixo” porque, na verdade, o próprio Senhor Jesus o rasgou, pois, a partir daquele momento, tudo aquilo estaria extinto. Jesus Cristo cumpriu o tabernáculo. “Como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem” (Hb 8:2). O véu se rasgou no exato momento em que o Senhor entregou o espírito, ou seja, morreu.

36. A Nova Aliança

Por que não há mais necessidade de vivermos a época do tabernáculo? “Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo buscado lugar para uma segunda” (Hb 8:7).

“Eis aí vêm dias, diz o Senhor, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o Senhor. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (Jr 31:31-33). E esse dia chegou quando o Senhor, durante a sua última ceia, disse: “[…] Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados” (Mt 26:27-28). Nessa mesma noite, o Senhor Jesus foi traído e, a seguir, crucificado, cumprindo tudo o que estava escrito a seu respeito na Lei de Moisés.

Depois dessas coisas, Jesus ressuscitou ao terceiro dia, apareceu aos discípulos e disse-lhes: “[…] Recebei o Espírito Santo” (Jo 20:22). No dia em que o Senhor subiu aos céus, ele disse: “[…] recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas […]” (At 1:8). E antes disso ele já havia avisado: “Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito” (Jo 14:26). Assim, a Nova Aliança é o derramamento do Espírito Santo, que só foi possível com a morte e a ressurreição do Senhor Jesus.

No Antigo Testamento, quando o Espírito Santo ainda não havia sido derramado, Israel guardava a arca da aliança como quem guardava um grande tesouro. Mas, agora: “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” (2Co 4:7). Ora, os vasos de barro somos nós; as Escrituras afirmam que fomos feitos de barro: “O Espírito de Deus me fez, e o sopro do Todo-Poderoso me dá vida. Se podes, contesta-me, dispõe bem as tuas razões perante mim e apresenta-te. Eis que diante de Deus sou como tu és; também eu sou formado do barro” (Jó 33:4-6).
Recebemos o Espírito Santo e, agora sim, temos no nosso corpo, que é a arca, a Nova Aliança, que nos foi dada através do sangue de Jesus Cristo:

“[…] Eis aí vêm dias, diz o Senhor, e firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá, não segundo a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os conduzir até fora da terra do Egito; pois eles não continuaram na minha aliança, e eu não atentei para eles, diz o Senhor. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: na sua mente imprimirei as minhas leis, também sobre o seu coração as inscreverei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. E não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior. Pois, para com as suas iniquidades, usarei de misericórdia e dos seus pecados jamais me lembrarei. Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer” (Hb 8:8-13);

“[…] Remove o primeiro para estabelecer o segundo” (Hb 10:9);

“Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção. Portanto, se o sangue de bodes e de touros e a cinza de uma novilha, aspergidos sobre os contaminados, os santificam, quanto à purificação da carne, muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!” (Hb 9:11-14).

A Antiga Aliança foi sancionada com sangue de animais; a Nova Aliança, com o derramamento do sangue de Jesus Cristo na cruz. O Senhor, na sua última ceia com os seus discípulos, tomando um cálice e dando graças, disse para que todos bebessem dele porque aquele seria o sangue da Nova Aliança, que seria derramado em favor de muitos, para remissão de pecados. Confira Mateus 26:27-28.

De fato, os sacerdotes, no dia da sua consagração e do tabernáculo, derramavam o sangue do sacrifício:

“Então, fez chegar o novilho da oferta pelo pecado; e Arão e seus filhos puseram as mãos sobre a cabeça do novilho da oferta pelo pecado; e Moisés o imolou, e tomou o sangue, e dele pôs, com o dedo, sobre os chifres do altar em redor, e purificou o altar; depois, derramou o resto do sangue à base do altar e o consagrou, para fazer expiação por ele” (Lv 8:14-15);

“Depois, fez chegar o carneiro do holocausto; e Arão e seus filhos puseram as mãos sobre a cabeça do carneiro. E Moisés o imolou e aspergiu o sangue sobre o altar, em redor” (Lv 8:18-19);

“Então, fez chegar o outro carneiro, o carneiro da consagração; e Arão e seus filhos puseram as mãos sobre a cabeça do carneiro. E Moisés o imolou, e tomou do seu sangue, e o pôs sobre a ponta da orelha direita de Arão, e sobre o polegar da sua mão direita, e sobre o polegar do seu pé direito. Também fez chegar os filhos de Arão; pôs daquele sangue sobre a ponta da orelha direita deles, e sobre o polegar da mão direita, e sobre o polegar do pé direito; e aspergiu Moisés o resto do sangue sobre o altar, em redor” (Lv 8:22-24);

“Com efeito, quase todas as coisas, segundo a Lei, se purificam com sangue; e, sem derramamento de sangue, não há remissão” (Hb 9: 22).

Assim, desde que foi sancionada a Nova Aliança, tão logo o Senhor ressuscitou, ele disse:

“[…] Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado” (Mc 16:15-16).

E o que vem a ser “evangelho”?

A palavra “evangelho” significa “boas-novas”. Em 1Coríntios, o apóstolo Paulo explica que Jesus é o evangelho em pessoa:

“Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1Co 15:1-4).

Como já foi explicado anteriormente, para substituir a Antiga Aliança, a Nova Aliança foi sancionada com o derramamento do sangue de Jesus Cristo. Na Epístola aos Hebreus, Paulo explica que houve a necessidade da Nova Aliança porque a Antiga era ineficaz, por vários motivos:

“É isto uma parábola para a época presente; e, segundo esta, se oferecem tanto dons como sacrifícios, embora estes, no tocante à consciência, sejam ineficazes para aperfeiçoar aquele que presta culto, os quais não passam de ordenanças da carne, baseadas somente em comidas, e bebidas, e diversas abluções, impostas até ao tempo oportuno de reforma (Hb 9:9-10).

O tempo oportuno de reforma se referia à morte e à ressurreição de Jesus Cristo;

“Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem. Doutra sorte, não teriam cessado de ser oferecidos […]” (Hb 10:1-2);

“Porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados” (Hb 10:4);

“Ora, todo sacerdote se apresenta, dia após dia, a exercer o serviço sagrado e a oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca jamais podem remover pecados” (Hb 10:11).

A Nova Aliança é eficaz porque Jesus, o Sumo Sacerdote, morreu mas ressuscitou e está vivo, enquanto todos os sacerdotes anteriores morreram:

“[…] Não temas; eu sou o primeiro e o último e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno” (Ap 1:17-18);

“Por isso mesmo, Jesus se tem tornado fiador de superior aliança. Ora, aqueles são feitos sacerdotes em maior número, porque são impedidos pela morte de continuar; este, no entanto, porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável. Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles. Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus, que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por seus próprios pecados, depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu. Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens sujeitos à fraqueza, mas a palavra do juramento, que foi posterior à lei, constitui o Filho, perfeito para sempre” (Hb 7:22-28);

“Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados […]” (1Pe 3:18);

“Assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação” (Hb 9:28).
A Antiga Aliança foi um tipo de projeto do Salvador, como a planta de uma construção. Uma vez concluída a obra, o projeto é arquivado, mas isso não quer dizer que ele pode ser eliminado, pois é um documento, um histórico que contém a procedência de cada material ou cálculo, um memorial em que consta todo o querer do construtor. Portanto, podemos dizer que sem o Antigo Testamento é impossível afirmar que Jesus é o Cristo, o nosso Salvador. Mas, graças ao Antigo Testamento, também podemos negar todos os outros que vêm se declarando salvadores do mundo.

O rosto de Moisés resplandeceu

“Quando desceu Moisés do monte Sinai, tendo nas mãos as duas tábuas do Testemunho, sim, quando desceu do monte, não sabia Moisés que a pele do seu rosto resplandecia, depois de haver Deus falado com ele. Olhando Arão e todos os filhos de Israel para Moisés, eis que resplandecia a pele do seu rosto; e temeram chegar-se a ele” (Êx 34:29-30);

“Tendo Moisés acabado de falar com eles, pôs um véu sobre o rosto. Porém, vindo Moisés perante o Senhor para falar-lhe, removia o véu até sair; e, saindo, dizia aos filhos de Israel tudo o que lhe tinha sido ordenado. Assim, pois, viam os filhos de Israel o rosto de Moisés, viam que a pele do seu rosto resplandecia; porém Moisés cobria de novo o rosto com o véu até entrar a falar com ele” (Êx 34:33-35).
A esse respeito, está escrito no Novo Testamento: “E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente, como não será de maior glória o ministério do Espírito! Porque, se o ministério da condenação foi glória, em muito maior proporção será glorioso o ministério da justiça” (2Co 3:7-9).
Por isso:

“[…] não somos como Moisés, que punha véu sobre a face, para que os filhos de Israel não atentassem na terminação do que se desvanecia. Mas os sentidos deles se embotaram. Pois até ao dia de hoje, quando fazem a leitura da antiga aliança, o mesmo véu permanece, não lhes sendo revelado que, em Cristo, é removido. Mas até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado” (2Co 3:13-16).

O apóstolo Paulo chama a Antiga Aliança de “ministério da morte” ou “ministério da condenação”, e a Nova Aliança, de “ministério do Espírito Santo” ou “ministério da justiça” (2Co 3:6-9):

“[…] a nossa suficiência vem de Deus, o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica” (2Co 3:5-6);

“Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado. Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2Co 3:16-17).

37. Advertências

Ao lermos os livros de Êxodo a Deuteronômio, podemos ficar impressionados ao repararmos que o povo de Israel, mesmo levando consigo um sinal tão maravilhoso de Deus, que era o tabernáculo, tentou voltar atrás, abandonando a Deus e seu caminho inúmeras vezes e, por fim, somente Josué e Calebe, dos que tinham mais de vinte anos quando saíram do Egito, puderam entrar na tão esperada terra de Canaã. Os demais, todos eles, pereceram no deserto:

“Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração como foi na provocação, no dia da tentação no deserto, onde os vossos pais me tentaram, pondo-me à prova, e viram as minhas obras por quarenta anos. Por isso, me indignei contra essa geração e disse: Estes sempre erram no coração; eles também não conheceram os meus caminhos. Assim, jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso. Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado. Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos. Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração, como foi na provocação. Ora, quais os que, tendo ouvido, se rebelaram? Não foram, de fato, todos os que saíram do Egito por intermédio de Moisés? E contra quem se indignou por quarenta anos? Não foi contra os que pecaram, cujos cadáveres caíram no deserto? E contra quem jurou que não entrariam no seu descanso, senão contra os que foram desobedientes? Vemos, pois, que não puderam entrar por causa da incredulidade” (Hb 3:7-19).

Não adiantou para o povo de Israel apenas carregar o tabernáculo de Deus durante a peregrinação pelo deserto. Assim também, para nós, hoje, apenas dizer que cremos em Cristo não é suficiente:

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mt 7:21);

“Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?” (Tg 2:14);

“Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta” (Tg 2:17);

“Verificais que uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente” (Tg 2:24);

“Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura. Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel. Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hb 10:19-25);

“De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?” (Hb 10:29).

38. Os homens que seguiram ao Senhor

Como disse o Senhor Jesus, tudo o que está escrito no Antigo Testamento se refere a ele: o Antigo Testamento preparava a humanidade para receber o verdadeiro Salvador.

39. Jesus Cristo é o Salvador

André era discípulo de João Batista até conhecer o Senhor Jesus:

“No dia seguinte, estava João outra vez na companhia de dois dos seus discípulos” (Jo 1:35);

“Era André, o irmão de Simão Pedro, um dos dois que tinham ouvido o testemunho de João e seguido Jesus” (Jo 1:40).

André seguia João Batista, mas passou a seguir ao Senhor Jesus porque, como explica a Bíblia:

“Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João. Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele. Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz, a saber, a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem” (Jo 1:6-9);

“De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (Jo 8:12).

Outro homem, Filipe, também seguiu ao Senhor. Quando Filipe encontrou seu antigo companheiro Natanael, disse-lhe: “[…] Achamos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e a quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, filho de José” (Jo 1:45).

Há muitas pessoas bondosas neste mundo, porém, devemos saber que só Jesus Cristo salva. Ele é o profetizado e esperado Salvador. Quem não conhece as Palavras de Deus, engana-se seguindo qualquer pessoa de bom caráter, endeusando, beatificando e canonizando-a. É um grande e perigoso engano:

“[…] Vede que ninguém vos engane. Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos” (Mt 24:4-5);

“Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (Mt 7:15);

“[…] Não provém o vosso erro de não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus?” (Mc 12:24);

“Pois, com efeito, já algumas se desviaram, seguindo a Satanás” (1Tm 5:15).

40. O Senhor Jesus Cristo no Antigo Testamento

“Pela fé, Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado; porquanto considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão” (Hb 11:24-26).
O que Cristo fazia na época de Moisés, se ele nasceu somente no Novo Testamento? Disse Jesus: “Abraão, vosso pai, alegrou-se por ver o meu dia, viu-o e regozijou-se. Perguntaram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinqüenta anos e viste Abraão? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, Eu Sou” (Jo 8:56-58).
Disse mais o Senhor Jesus: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (Jo 5:39).

A profecia Antiga Aliança /Antigo Testamento: a promessa Nova Aliança /Novo Testamento: o cumprimento
Jesus virá Dt 18:15-19 At 3:22-26
Será descendente de Davi Is 9:7; 2Sm 7:12; Sl 132:11 Mt 1:1-18; Lc 3:23-38, 1:32; Ap 22:16; At 2:29-30, 13:22-23
Nascimento de Jesus (I) Is 7:14 Mt 1:20-25; Lc 1:27-31
Nascimento de Jesus (II) Is 9:6-7 Lc 1:31-33, 2:1-20
Nascerá em Belém Mq 5:2 (Belém-Efrata: veja Gn 35:19) Mt 2:6; Jo 7:42
Matança de inocentes Êx 1:16, 1:22; Jr 31:15 Mt 2:16-18
Fuga para o Egito Os 11:1 Mt 2:14-15
Será chamado de “nazareno” Is 11:1 (a palavra “netser”, em hebraico, tem dois significados: “renovo” e “nazareno”) Mt 2:23, 21:11
O que iria fazer no mundo Is 42:2-4 Mt 12:15-21
Pregação de Jesus Is 53:1 Jo 12:37-38
Jesus será luz Is 42:6, 49:6; Sl 118:26-29 Lc 2:32; Jo 1:6-9; At 13:47, 26:23
Montará em um jumento Zc 9:9 Mt 21:1-7; Jo 12:14-16
Irá curar enfermos Is 53:4 Mt 8:16-17; 1Pe 2:24
Será a Porta Sl 118:19-20 Jo 10:7, 10:9
Será traído Sl 41:9 Mt 26:24; Mc 14:21; Lc 22:22; Jo 13:18, 17:12
30 moedas de prata Zc 11:12 Mt 27:9-10
Sobre o traidor Sl 109:1-31 At 1:20
Jesus será julgado Êx 12:5-6 Jo 18:38, 19:4, 19:6
Não se achará dolo Is 53:9 1Pe 2:22
Será blasfemado (I) Sl 22:7, 109:25 Mt 27:39; Mc 15:29; Lc 23:35
Será blasfemado (II) Sl 22:8 Mt 27:43
Carregará as nossas transgressões Is 53:2-12 1Pe 2:21-24
Derramará o seu sangue Êx 12:13 Ap 22:14; 1Jo 1:7; Jo 19:34 compare com 1Jo 5:6
Repartirão as suas vestes Sl 22:18 Mt 27:35; Mc 15:24; Lc 23:34
Será contado como transgressor Is 53:12; Dt 21:22-23 Mc 15:28; Lc 22:37; Gl 3:13
Será traspassado Zc 12:10 Jo 19:37; Ap 1:7
“Eli, Eli, lamá sabactâni?” Sl 22:1 Mt 27:46; Mc 15:34
Darão-lhe vinagre Sl 69:21 Mt 27:48; Jo 19:28-30
Não quebrarão nenhum dos seus ossos Êx 12:46; Nm 9:12; Sl 22:17, 34:20 Jo 19:31-33
Será sepultado com os ricos Is 53:9 Mt 27:57-61; Mc 15:42-47; Lc 23:50-56
Ressuscitará Os 6:1-2; Sl 16:10 Mt 28:6; Mc 16:6; Lc 24:45-46; Jo 20:24-29; At 2:31-32, 13:32-41; 1Co 15:3-4
A profecia Novo Testamento: a promessa Novo Testamento: o cumprimento
Ressuscitará (I) Mt 16:21, 17:22-23, 20:18-19; Mc 8:31, 10:33-34; Lc 9:22, 18:31-33 Lc 24:6-7
Ressuscitará (II) Mt 26:61; Jo 2:19 Mt 27:40; Mc 14:58, 15:29, 16:6

Também está escrito: “Porque, se, de fato, crêsseis em Moisés, também creríeis em mim; porquanto ele escreveu a meu respeito. Se, porém, não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?” (Jo 5:46-47).

41. Considerações Finais

Não só o tabernáculo, mas todo o Antigo Testamento profetiza a respeito do único Salvador, Jesus, que viria ao mundo, e a respeito da sua igreja. Citemos alguns exemplos:

1. Adão e Eva (Gn 2:18-24) = Cristo e a igreja (Ef 5:22-32);

2. José foi vendido pelos próprios irmãos por moedas de prata = Jesus foi vendido pelo seu próprio discípulo por moedas de prata;

3. Noé = Jesus;

4. Moisés, o salvador do povo de Deus = Jesus, o salvador do povo de Deus;

5. o povo de Israel bebeu água da rocha no deserto: “Tendo aí o povo sede de água, murmurou contra Moisés e disse: Por que nos fizeste subir do Egito, para nos matares de sede, a nós, a nossos filhos e aos nossos rebanhos? Então, clamou Moisés ao Senhor: Que farei a este povo? Só lhe resta apedrejar-me. Respondeu o Senhor a Moisés: Passa adiante do povo e toma contigo alguns dos anciãos de Israel, leva contigo em mão o bordão com que feriste o rio e vai. Eis que estarei ali diante de ti sobre a rocha em Horebe; ferirás1 a rocha2, e dela sairá água, e o povo beberá3. Moisés assim o fez na presença dos anciãos de Israel. E chamou o nome daquele lugar Massá e Meribá, por causa da contenda dos filhos de Israel e porque tentaram ao Senhor, dizendo: Está o Senhor no meio de nós ou não4?” (Êx 17:3-7).

1. “Então, por isso, Pilatos tomou a Jesus e mandou açoitá-lo” (Jo 19:1); “[…] por que me feres?” (Jo 18:23);

2. “[…] E a pedra era Cristo” (1Co 10:4);

3. “Aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (Jo 4:14);

4. “[…] Pedra de tropeço e rocha de ofensa. São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos” (1Pe 2:8);

1. Josué, o grande líder combatente = Jesus é o Senhor dos senhores, combatente do pecado;

2. Jó, ficou doente da planta do pé até ao alto da cabeça (Jó 2:7) = pelas chagas de Jesus fomos curados (1Pe 2:21-24);

3. Davi derrotou o gigante Golias = Jesus destruiu a morte (At 2:24; 2Tm 1:10);

4. Esdras e Neemias, os restauradores = Jesus, o restaurador da vida dos crentes;

5. Jonas permaneceu três dias e três noites no ventre de um peixe = Jesus ressuscitou após três dias.

“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho […]” (Hb 1:1-2).

“[…] se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus.” (2Co 4:3-5)

Conhecendo essas revelações, não há como ser enganado(a) por falsos profetas. Não há como ignorar o Antigo Testamento, pois o Senhor, de antemão, nos preparou todas as informações necessárias para reconhecermos o verdadeiro Salvador que havia de vir ao mundo: Jesus Cristo.

“Quem, Senhor, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte? O que vive com integridade, e pratica a justiça, e, de coração, fala a verdade; o que não difama com sua língua, não faz mal ao próximo, nem lança injúria contra o seu vizinho; o que, a seus olhos, tem por desprezível ao réprobo, mas honra aos que temem ao Senhor; o que jura com dano próprio e não se retrata; o que não empresta o seu dinheiro com usura, nem aceita suborno contra o inocente. Quem deste modo procede não será jamais abalado.” (Sl 15:1-5)