Sol Invicto

Bandeira argentina

A bandeira da Argentina (ao lado) não é para homenagear os nossos vizinhos, nem para desonrá-los; mas para mostrar como os antigos deuses mitológicos continuam influenciando os dias atuais. Você pode achar que a sociedade moderna não é tão ignorante a ponto de adorar o Sol, porém, ao atentarmos à origem de alguns costumes de hoje, podemos perceber que o culto ao deus-sol não morreu, e sim que a antiga semeadura do maligno germinou, cresceu e continua bem enraizado até os dias atuais, tal como estudamos na postagem anterior a respeito do bezerro de ouro.

Veja: http://gloria-aleluia.org.br/bezerro-de-ouro/

“Guarda-te não levantes os olhos para os céus e, vendo o sol, a lua e as estrelas, a saber, todo exército dos céus, sejas seduzido a inclinar-te perante eles e dês culto àqueles, coisas que o SENHOR, teu Deus, repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus.” (Dt 4:19)

 

Sol Invicto

Sol Invicto foi um título introduzido pelo imperador romano Heligábalo. Seu pai era cidadão romano e se chamava Sexto Vário Marcelo, e sua mãe, Júlia Soémia, era natural da cidade de Emesa, onde existia um templo ao deus-sol sírio El-Gabal, também conhecido como Elagabalus.

 

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Heligábalo era sacerdote do deus-sol, em Emesa até se tornar imperador.

Emesa (hoje chamada Homs) era uma cidade síria dominada pelo Império Romano e foi o quartel-general do imperador romano Aureliano durante o conflito contra a rainha Zenóbia de Palmira. Vimos recentemente em meios de comunicação que as ruínas arqueológicas de Palmira foram implodidas pelos rebeldes sírios. No conflito civil que se iniciou em 2011 e que tomou conta do país, a cidade foi palco de intensos combates entre militantes da oposição síria e forças leais ao governo Assad. Como resultado da luta, milhares de pessoas morreram e a cidade ficou parcialmente destruída.

 

Cidade de Homs, antiga Emesa, Síria: destruída pelo conflito

O culto ao deus-sol El-Gabal praticamente desapareceu após a morte do imperador Heliogábalo em 222 d.C., mas em 270 d.C., o imperador Aureliano reintroduziu no império o culto oficial a Mitra (um outro deus sol), fazendo deste, o principal deus dos romanos.

Veja: http://gloria-aleluia.org.br/mitraismo/

 

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Hélius: deus-sol grego

Assim, mais uma vez, o culto pagão ao deus-sol voltou a ser realizado entre os romanos, agora sob título de Deus Sol Invictus, mas com características próprias do mitraísmo. Quando Constantino ascendeu ao poder na primeira metade do quarto século, na tentativa de ampliar os seus domínios, fez uma manobra política introduzindo este culto pagão ao cristianismo, que a essa altura já estava bastante corrompido.

 

25 de dezembro – feriado de Mitra

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Apu Inti: deus-sol inca

Os romanos fizeram uma festa em 25 de dezembro chamado dies natalis Solis Invicti, “o nascimento do Sol Invicto”. O uso do título Sol Invictus permitiu várias divindades solares dos povos sob influência romana a serem adorados em conjunto, incluindo Elah-Gabal, o deus sol sírio; Sol, o deus patrono do imperador Aureliano (270-274 dC), e Mitra, o deus-sol bastante popular entre os soldados romanos. O imperador Heliogábalo (218-222) introduziu o festival, e atingiu o auge de sua popularidade sob Aureliano, que promoveu como um feriado em todo o império.

 

Talvez, a desculpa que muito ouvimos hoje: “tudo que fala de deus (sic) é bom, deus (sic) é um só, não importa a religião” seja herança dos tempos em que os romanos diziam “tudo que fala de sol é bom, é tudo mesma coisa, pouco importa se é mitraísmo, helagabalismo, ou simplesmente culto ao deus-sol. “

 

Os cristãos volvem-se ao mundo

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Igreja romana e o paganismo

O dia de louvor semanal a Mitra era domingo, e anual era 25 de dezembro. Constantino viu que, o seu falso deus, o sol que nasce e se põe no horizonte todos os dias seria perfeitamente identificável com o Senhor JESUS, a verdadeira luz do mundo que morreu, mas ressuscitou.  Assim, o nascimento de JESUS passou a ser celebrado em 25 de dezembro; e sábado, o feriado bíblico semanal que está nos Dez Mandamentos, foi mudado para o domingo sob desculpa de que o Senhor ressuscitou nesse dia. A festividade pagã de 25 de dezembro acompanhada de bebedices e orgias agradavam tanto, que os cristãos de fé rasa as tomaram como desculpa para continuar a celebrá-la com algumas alterações – isso é chamado sincretismo religioso. Pregadores cristãos do Ocidente e do Oriente próximo protestaram contra a imoralidade com que se celebrava o nascimento de Cristo, enquanto os cristãos da Mesopotâmia acusavam os do ocidente de idolatria e de culto ao Sol, por aceitarem como cristã a festividade pagã.

Veja: O Senhor do Sábado

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Rá: divindade solar egípcia

Assim fica evidente que os costumes chamados natalinos tem origens pré-cristãs e completamente mundanas: troca de presentes, decorações características, Papai-Noel, árvore de Natal, guirlanda, ceia, músicas, festas e folias já estavam presentes nos festivais de Sol Invicto.

“E, tendo derrubado os altares, e os bosques, e as imagens de escultura, até reduzi-los a pó, e tendo despedaçado todas as imagens do sol em toda a terra de Israel, então voltou para Jerusalém.” (2Cr 34:7 Almeida Corrigida)

 

Sol de Mayo

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Bandeira argentina (esq) e uruguaia (dir)

A figura do Sol de Mayo que está presente nas bandeiras argentina e uruguaia é representação do deus-sol inca Apu Inti. A cultura Inca se estabeleceu nas regiões onde hoje se compreende o Peru, Equador, Bolívia, Chile e parte da Argentina. O imperador Inca era considerado o filho de Inti e era considerado por dinastias incas como o “supremo criador”.

 

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Amaterasu – deusa-sol japonesa

Diversos povos adoraram o Sol como deus, a saber: egípcios, babilônicos, sírios, gregos, romanos, chineses, indianos, japoneses, incas, etc. Muitos desses povos personificaram os seus deuses solares através de mitos que os envolviam no cotidiano. Nota-se na Bíblia que os judeus também haviam se contaminado com deuses pagãos, por isso, alguns anos antes da queda de Jerusalém, o SENHOR revelou ao profeta Ezequiel o motivo pelo qual Ele castigaria o Seu povo:

“Levou-me para o átrio de dentro da Casa do SENHOR, e eis que estavam à entrada do templo do SENHOR, entre o pórtico e o altar, cerca de vinte e cinco homens, de costas para o templo do SENHOR e com o rosto para o oriente; adoravam o sol, virados para o oriente.” (Ez 8:16)

 

Celebrar festas com pretexto de honrar o SENHOR, mas com o molde pagão, passa a ser um desrespeito a Deus. Não podemos misturar santo com o profano. Agora você pode entender melhor o sentido da palavra da Bíblia:

“Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome, venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6:9)