A mente que mente descancaradamente

A mente* humana é enganosa. Quem nunca foi enganado por ela? Veja o que diz a palavra do SENHOR em diversas traduções de Jr 17:9:

  • “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (JFA Atualizada);
  • Enganoso é o coração acima de todas as coisas, e gravemente enfermo; quem o poderá conhecer?” (SBB);
  • “O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo? (V. Internacional);
  • “Quem pode entender o coração humano? Não há nada que engane tanto como ele; está doente demais para ser curado.” (NTLH).

*Neste caso, mente é o mesmo que coração. Refere-se à consciência, sentimento, vontade, ou personalidade.

SAIDA_EMERGENCIA Quando detectado algum possível desconforto, a tendência do cérebro humano é reagir imediatamente à procura de uma escapatória que pode ser verbal, física, ou ambas. Não trataremos aqui os mecanismos de defesa física.

 

Fobias, aversões, e até desmaios inexplicáveis também podem ser reações da mente diante de circunstâncias desagradáveis para o indivíduo. São reações automáticas, movidas por instinto – e isto pode ser de natureza pecaminosa. Vimos no estudo anterior como o Diabo pode manipular uma mente fraca e levar a cometer pecado. Cuidado!

 

Você já parou para pensar porque as pessoas ocupam sempre os mesmos assentos nos cultos na igreja? Uns irmãos preferem o meio, outros, a frente, outros mais para trás. Ainda há aqueles que chegam cedo e outros que (não adianta mudar de horário) sempre chegam atrasados. Tem irmãos que dormem, enquanto que outros fingem que estão dormindo para evitar um olho-a-olho com o pregador, talvez por receio de ser censurado por sentir alguma culpa. Os argumentos são variados: desde o condicionador de ar, criança de colo, igreja cheia, calor, até necessidade de contínuo de ir ao lavatório. Bem, não deixam de ser argumentos válidos, mas o que tratamos neste estudo, são atitudes sem explicações plausíveis, coisas do subconsciente.

Veja: O caso de Êutico

 

Mecanismos de defesa

O velório é um lugar de respeito e de tristeza. Parece que ultimamente, o velório se tornou um lugar de rever parentes e velhos amigos. As pessoas aproveitam o momento de tristeza extrema para porem as suas conversas em dia, e há até quem conte algumas piadinhas e ri em voz alta. Na verdade, quem ri num velório pode estar tão triste como os demais, mas o seu cérebro procura descarregar a angústia rindo, na tentativa de substituir o momento desagradável pelo agradável – lembremos que sempre tem exceções. Daí podemos observar muitos comentários sem noção e constrangedores nos velórios. Este tipo de comportamento é popularmente conhecido como “rir para não chorar”.

 

E falando de chorar, tem também aquelas pessoas que, quando flagradas cometendo algum ato ilícito, reagem chorando, como se chorar resolvesse a situação, à semelhança da época de criança. Este mecanismo de defesa se chama Regressão. O choro das pessoas em certas situações pode ser uma regressão à infância, fase em que pode ter tido uma situação em que o choro resolveu o problema. Então, a pessoa inconscientemente usa aquele mesmo método para resolver a nova situação. No outro extremo estão as pessoas que adotam a tática do ‘atacar antes de serem atacadas’. Estas, normalmente, agem em tom de voz intimidador ou até aos berros, ao mesmo tempo descarregando a sua tensão. Falam sem parar, justamente para não dar oportunidade ao adversário atacar ou se defender – como diz o ditado popular: a melhor defesa é o ataque.

 

“Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.” (Tg 1:19)

 

Há inúmeras maneiras de o cérebro reagir ao que ele interpreta como uma ameaça ao seu conforto psíquico – citaremos aqui, algumas manobras mais comuns do cérebro. Os acadêmicos chamam este instinto de ‘mecanismo de defesa’. Chore, ou ria se quiser, com as tentativas ridículas que a mente faz para fugir de situações desconfortáveis. São mecanismos que o ser humano não controla e nem se dá conta porque acontecem no nível mais profundo da mente:

 

a) Compensação – é a tendência de encobrir alguma realidade indesejável enfatizando uma outra característica. Mediante algum desconforto, a mente pode procurar uma compensação para amenizar a situação.

Exemplo1: em grandes manifestações de rua, já se tornou hábito o brasileiro cantar: “eu sou brasileiro, com muito orgulho”, quando na realidade, está revoltado e extremamente pessimista em relação ao futuro da nação;

Exemplo2: há quem diga: estou desviado da igreja, mas não fumo, não bebo…

Note que estas maneiras de se desculpar, não são seguidos de um raciocínio lógico. Em Mt 23:23, o Senhor JESUS ensinou a respeito do que é reto: “[…] Devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas!”  

 

b) Negação – é simplesmente negar um fato ou sentimentos ligados a ele. Neste estado primitivo, o mecanismo da negação ainda não é considerada mentira – a mente que entra em pânico, perde a razão e passa a recusar o que lhe é desconfortável. Na verdade, o indivíduo nem se dá conta de que está negando:

Exemplo1: o sobrevivente de um terrível acidente, grita ao ver a vítima ao seu lado: Não, não, isto não é verdade! isto não está acontecendo!

Exemplo2: o visitante diz ao enfermo em estado terminal: Você vai ficar bem. Logo estará em casa!

Bíblia: “E ele [Pedro] negou outra vez, com juramento: Não conheço tal homem.” (Mt 26:72)

 

c) Deslocamento – acontece quando o indivíduo percebendo que não conseguirá enfrentar uma ameaça superior, acaba descarregando a tensão ou a culpa nos que julga mais inofensivo. É maneira covarde de o cérebro descarregar o desconforto da tensão jogando a culpa nos mais fracos:psico defens

Exemplo: um gerente que acabou de ser repreendido por seu chefe agride verbalmente o seu subordinado, que por sua vez, chega em casa e maltrata o seu animal de estimação;

Bíblia: Adão disse: “[…] A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi.” (Gn 3:12);

 

d) Projeção – é tendência de culpar o próximo por causa do fracasso próprio:

Exemplo1: o aluno que foi mal na prova culpa o professor;

Exemplo2: não vou mais à igreja porque o meu vizinho é crente mas é mentiroso. – Isto é como dizer que 2+2=5. É totalmente irracional. Esse tipo de atitude é conhecido popularmente como ‘jogar culpa no outro’;

Bíblia: Eva disse: “A serpente me enganou, e eu comi” (Gn 3:13);

 

e) Racionalização -Sofisma. Definição: sofisma é uma mentira maquiada com argumentos verdadeiros, para que possa parecer real. É argumento astucioso cheio de malícia com que se pretende enganar ou fazer calar o adversário. É justificativa provisória que a mente cria para tentar sair de uma situação não favorável. O cérebro procura desesperadamente uma saída inteligente, mas como surpreendido, não consegue raciocinar devidamente e acaba dando desculpas esfarrapadas. É conhecida como ‘desculpa que não cola.’

Exemplo1: não fui à igreja porque estou sem dinheiro para gasolina. – e a pessoa foi vista logo depois passeando de carro;

Exemplo2: a Bíblia é aberta à uma pessoa, mas logo ela diz que está sem óculos, por isso não enxerga – mas todo mundo sabe que aquela pessoa não usa óculos.

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Tiago 3:14-15 diz: “[…] Nem mintais contra a verdade. Esta não é sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e demoníaca.”

 

f) Identificação – é a tendência de um indivíduo procurar evitar angústias identificando-se com outras pessoas ou grupos que tem histórico semelhante a ele.

Exemplo: um aluno que tirou nota ruim na prova se consola com outros que igualmente não foram bem.

Por isso, o homem tem tendência de fazer algo que considerado perigoso quando está em grupo, assim o sentimento de culpa e angústia ligados a tal ação se dilui no grupo inteiro. Quando mal empregado, este mecanismo pode levar um frustrado a rebeliões.

 

Na Bíblia: Corá, Datã e Abirão: “Levantaram-se perante Moisés com duzentos e cinquenta homens dos filhos de Israel, príncipes da congregação, eleitos por ela,varões de renome, e se ajuntaram contra Moisés e contra Arão […]” (Nm 16:2-3)

 

Não é de estranhar que pessoas que cometem erros de cálculo mental vivam endividadas financeiramente. As grandes causas de dívidas financeiras são erros de cálculo. Se é o seu caso, da próxima vez, procure fazer um cálculo mais preciso para não repetir o erro. Muitas vezes, fazemos cálculo mental, digamos, bem por cima, o bem conhecido sistema ‘mais ou menos’. Por outro lado, repare que pessoas que comentem erro de cálculo espiritual também vivem endividados com a justiça de Deus.

 

A fé usada erroneamente como mecanismo de defesa

Ainda que pareça contraditória, a fé que nos liberta e transforma pode também se tornar um mecanismo de defesa para fugir da realidade. Ora, a fé não deve ser usada como uma válvula de escape fantasiosa.

 

Existem pessoas que abraçam a fé evangélica não porque creram no Senhor e se arrependeram dos seus pecados para receberem a salvação pela graça; não porque entenderam que precisam conhecer o único Salvador da humanidade, Senhor JESUS Cristo e a sua obra redentora na cruz do calvário; nem porque sentiram o dever de andar retamente perante o Senhor, obedecendo os Seus mandamentos. O que move essas pessoas às igrejas, é o desejo de encontrar na fé uma forma de anestesiar a sua ansiedade, de transportar para o sobrenatural as suas responsabilidades frente aos problemas e sofrimentos da vida. Um outro grave engano!

 

Quando os mecanismos de defesa tornam-se atitudes pecaminosas

Você consegue dizer amém às palavras do SENHOR? Desde que o homem cometeu pecado, não conseguiu mais dizer amém ao SENHOR.

 

Para escrever sobre este assunto, eu estava lendo a respeito da captura, julgamento e condenação de um oficial nazista foragido na Argentina nos anos 60. No tribunal israelense, acusado de 15 horrendos crimes contra a humanidade, o réu apenas dizia: ‘eu estava apenas obedecendo ordem superior’. Pergunto: quem era o superior dele? Hitler? Não era este como o próprio demônio encarnado?

 

Muitos mecanismos de defesa considerados normais (nem todos) tiveram origem na desobediência à Palavra de Deus. São atos involuntários e inconscientes consequentes do pecado. São maneiras enganosas que a mente age para justificar o pecado. De fato, percebe-se que o inimigo pode facilmente se infiltrar na mente inconsciente cegando o homem, porque os mecanismos de defesas agem sem que o homem esteja consciente de uma ação, tornando-se porta de entrada ao Maligno.

“Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno.” (Mt 5:37)

 

Paulo, diante da limitação imposta por Deus em vistas ao seu aperfeiçoamento não criou mecanismos para se defender ou justificar-se, mas acreditou que a graça do Senhor seria suficiente para lhe dar o poder necessário à vitória diária (2 Co 12:1-10).  A realidade humana continua presente na vida dos que se convertem, através da carne e de suas limitações. Deus não nega essa realidade, não despreza as emoções dos seus filhos, mas espera que eles alcancem a maturidade espiritual, o que demanda tempo e um processo muitas vezes lento e doloroso. A Sua Palavra pede que o crente se desarme dos seus mecanismos de defesa do ego e dê lugar aos mecanismos de santificação do Espírito Santo. Por isso, é necessário curar-se desses mecanismos para trazer ao nível consciente as situações vividas para serem tratadas. Sem consciência da doença, não há como buscar a cura.

 

  • “Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações.” (JFA atualizada);
  • “Eu, Jeová, esquadrinho o coração, provo os rins, para dar a cada um segundo os seus caminhos, segundo o fruto dos seus feitos.” (SBB);
  • “Eu sou o Senhor que sonda o coração e examina a mente, para recompensar a cada um de acordo com a sua conduta, de acordo com as suas obras.” (V. Internacional);
  • “Eu, o SENHOR, examino os pensamentos e ponho à prova os corações. Eu trato cada pessoa conforme a sua maneira de viver, de acordo com o que ela faz.” (NTLH).

 

O poder do Espírito Santo

“Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2Co 10:4-5)

 

“Mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade” (2Tm 2:26)

 

O Espírito Santo não trabalhará segundo uma dinâmica santa, levando em conta cada realidade, trabalhando ansiedades, fobias, frustrações, dúvidas, iras, mecanismos de defesa, enquanto transforma o homem na imagem e semelhança de Deus, através da Sua maravilhosa graça e do Seu mover poderoso.

“Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.” (Mt 5:48)