Sardes

Etimologia: O nome Sardes vem do nome da pedra sárdio, às vezes chamado de sardônio, como mencionado em Ap 4:3. A pedra semi-preciosa é vermelha acastanhada, mas reflete um vermelho profundo quando a luz passa através dela.

 

O sárdio é mencionado várias vezes na Bíblia. Lembremos, por exemplo, que uma das 12 pedras do peitoral do sumo sacerdote era sárdio, e representava a tribo de Judá (Êx 28:17 e Êx 39:10).

 

Sardes – hoje Sart na província de Manisa, na Turquia, é uma das cidades mais antigas da Ásia Menor. Na Antiguidade, Sardes era capital do Reino da Lídia que incluía outras cidades importantes como Tiatira e Filadélfia. Já as cidades mais a Oeste de Sardes como Esmirna e Éfeso eram algumas vezes reputadas como cidades lídias e outras vezes como cidades gregas. Presume-se que os lídios sejam descendentes de Lude, pela linhagem de Sem (Gn 10:22 ou 1Cr 1:17), portanto semita como os israelitas. Os livros dos profetas Jeremias 46:9 e Ezequiel 27:10 citam os lídios como valentes e habilidosos guerreiros.

 

Sardes na extremidade Oeste sob domínio persa

Sardes tinha fama de ser uma cidade próspera por causa da abundância de ouro, prata e pedras preciosas na região. Havia também um próspero comércio de lã, couro e tecidos.

“Sejam sempre alvas as tuas vestes, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça. ” (Ec 9:8)

 

Creso foi o último rei da Lídia, e foi durante o seu reinado que Sardes caiu nas mãos do exército de Ciro, rei da Pérsia. Observando o Livro de Ester e o mapa do vasto domínio persa ao lado, podemos ter noção das vias que já haviam naquela época (cf. Et 3:13 ou 8:10).

 

O historiador, Heródoto, que viveu no século V a.C., disse a respeito da queda de Sardes: “Sua derrota literalmente chocou os lídios, pois consideravam a sua cidade – pelo menos sua acrópole – inexpugnável”.

 

Vista da acrópole de Sardes a partir do templo de Ártemis

Você pode ter noção da acrópole de Sardes observando a foto ao lado. Ela ficava a cerca de 1 km do Vale do Hermo, rodeado por quase inacessíveis penhascos compostos de rochas traiçoeiramente frouxas. De acordo com Heródoto, as forças persas estavam no vale abaixo da acrópole, tentando descobrir um caminho para o topo para tomar a acrópole. Enquanto observavam as encostas mais baixas, um dos soldados de Ciro viu um soldado lídio se inclinar e perder seu capacete no penhasco. O soldado persa descobriu a trilha para o alto ao ver o soldado lídio descendo o precipício para recuperar o seu capacete. Havendo descoberto o caminho para o topo, imediatamente, o soldado persa informou o seu superior, e assim, escalando durante a escuridão da noite, as tropas persas conseguiram tomar a acrópole em 549 a.C. 

 

Dois séculos depois, os persas foram derrotados por Alexandre, o Grande. Depois da morte de Alexandre, o seu reino foi dividido em quatro, e a região de Lídia passou a ser chamado Selêucida. O Reino Selêucida fez de Sardes seu centro administrativo ocidental. Uma batalha notável ocorreu mais tarde em 214 a.C. quando a cidade caiu nos domínios de Antíoco, o Grande, que usou as mesmas táticas dos persas.

Ruínas da antiga Sardes

 

Um ginásio ricamente decorado com enormes colunas entalhadas em mármore ficava no centro da cidade. Perto ficavam residências, lojas de comércio, casas de banho e banheiro público da época romana que podem ser vistas ainda hoje. Havia também uma sinagoga de grande proporção com decorações em mosaicos nas paredes e no piso, e que só foi descoberta e escavada em 1962. Por se situar no centro da cidade de Sardes, pensa-se na grande influência judaica na cidade durante a diáspora. Pode-se caminhar ainda hoje, observando o piso em mosaico ricamente decorado. 

 

Fachada do ginásio de Sardes

Sardes é  a quinta das sete igrejas mencionadas no livro de Apocalipse. O Senhor JESUS Cristo ordenou João para que enviasse uma carta à igreja em Sardes, e o seu conteúdo, veremos a seguir:

 

Carta à igreja em Sardes (Ap 3:1-6)

A carta ao anjo da igreja em Sardes sugere que a igreja primitiva em Sardes estava vivendo a vida espiritual à semelhança das virgens néscias citadas na parábola pelo Senhor JESUS (cf. Mt 25:3). A situação infame dos que foram derrotados por duas vezes, da mesma maneira no passado foi esquecida, e a igreja vivia sem nenhuma aparente preocupação. A falta de vigilância não havia servido como lição.

 

As severas repreensões dadas à igreja em Sardes como: “Estás morto”; ou “Não tenho achado íntegras as tuas obras” são frequentemente interpretadas por leigos como igreja sem criatividade dos seus líderes para organizar atividades recreativas para o que chamam de seu crescimento (físico). Tal interpretação é equivocada, pois não há nenhum relato bíblico dizendo que a igreja primitiva promovia jogos esportivos, bazares, festas de confraternização etc., ou que oferecia cursos gratuitos ou não de línguas estrangeiras, música, corte e costura; ou ainda, que empenhavam em “ministérios” de dança ou coral – coisas estas que muitas igrejas ainda hoje continuam buscando para chamar novos adeptos; mas, ironicamente, a igreja em Sardes havia se contaminado exatamente com estes pensamentos humanistas e deixado os dons do Espírito Vivificante.

“[…] Tens nome de que vives, mas estás morto.” (Ap 3:1)

 

Inscrições em grego

Cada uma das sete igrejas citadas em Apocalipse representa um período histórico vivido pelos cristãos. Sardes representa o quinto período histórico que tem como ponto de partida a Reforma Protestante ocorrida na Europa entre os séculos XIV e XVI. A reforma foi uma dura resposta às abominações do catolicismo.

 

A carta à igreja em Sardes é uma profecia que retrata a igreja Protestante fundada por Lutero e outros. Lutero foi um monge católico excomungado que iniciou um protesto contra as corrompidas doutrinas católicas. Ao fundar o Protestantismo, trouxera na sua bagagem alguns ensinamentos que tinha aprendido na antiga denominação: a doutrina da trindade e a observância de domingo como dia santo são alguns deles. Outro ponto importante a ser observado, é que a nova religião de Lutero tinha nome de quem está vivo: “Protestantismo”, mas estava morto, pois semelhantemente à igreja anterior (Tiatira), não havia Espírito Santo. Ora, igreja sem o Espírito Santo é igreja morta! A igreja Protestante não passava de uma igreja natimorta gerada pela já espiritualmente decadente Igreja Romana.

Veja: Somos protestantes?

Muitos se tornaram adeptos à novidade aceitando a proteção de reis, uso da força como resposta à perseguição, e atraídos pelos inflamados discursos por parte daqueles homens que lideraram o movimento da Reforma Protestante, mergulharam posteriormente em profunda apostasia e desviaram-se de Deus. Sentindo-se auto-suficientes e bastante seguros, eles se acomodaram nas questões espirituais. Muitos deles, despreocupados e adormecidos, permitiram que o puro evangelho de Cristo fosse mesclado com as tradições humanas e filosofias pagãs. Naqueles tempos, começava no mundo secular o movimento humanista que acabou penetrando também na igreja forçando a extinguir a obra do Espírito Santo. Suas obras não foram íntegras diante do Senhor!

 “[…] Não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus.” (Ap 3:2)

 

Sinagoga de Sardes

A igreja em Sardes foi aconselhada a lembrar-se de tudo o que tinha ouvido e a manter-se fiel ao evangelho anunciado. Os que se desviaram do verdadeiro evangelho, evidentemente não vigiaram e nesse estado de dormência estiveram propensos aos enganos do Diabo; assim como quando por falta de cuidado os habitantes da cidade de Sardes caíram nas mãos dos inimigos através da guerra. Os não vigilantes cristãos do período histórico de Sardes deveriam se arrepender, pois pensaram estar vivos, no entanto, foram considerados mortos pelo Senhor que tudo conhece.

“Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te” (Ap 3:3)

 

O que havia recebido a igreja em Sardes? Mateus 10:7-8 responde: Evangelho! Sim, e é este evangelho recebido de graça é que devemos guardar, observar, e anunciar. Se esquecermos da palavra de Deus e da salvação, facilmente cairemos no pecado (cf. 2Pe 1:8-9). O protesto que os reformistas apresentaram no Protesto de Espira, em 19 de abril de 1529, de onde se origina o nome “protestante”, e que constitui a essência do protestantismo, não foi observado na prática.

“Sê vigilante […]” (Ap 3:2)

 

Sardes caiu duas vezes nas mãos dos seus inimigos por falta de vigilância. Os persas e gregos penetraram na acrópole de Sardes e tomaram a fortaleza, assim também, o Satanás tenta se infiltrar contaminando a igreja. As  igrejas caem por falta de vigilância. Muitas passagens no Novo Testamento frisam a importância da vigilância, pois o pecado nos ameaça (Mt 26:41; 1Pe 5:8). Falsos mestres procuram devorar os fiéis (At 20:29-31). O bom soldado toma a armadura de Deus e vigia constantemente com perseverança e oração (cf. Ef 6:18; Cl 4:2).

“[…] Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti.” (Ap 3:3)

 

A figura de um ladrão encontrando pessoas despreparadas é comum nas Escrituras. JESUS empregou esta ideia várias vezes no seu ministério entre os judeus (cf. Mt 24:43; Lc 12:39), e os apóstolos imitaram este exemplo nas suas cartas (1Ts 5:2-4; 2Pe 3:10). Em Apocalipse, o nosso Senhor JESUS prometeu vir como ladrão, encontrando despreparadas as pessoas que não vigiam. 

“Tens, contudo, em Sardes, umas poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras e andarão de branco junto comigo, pois são dignas.” (Ap 3:4)

 

No meio de uma igreja quase morta, JESUS encontrou algumas pessoas fiéis. Este fato nos lembra de que o julgamento final será individual (Ap 2:23; 22:12). Cada um receberá “segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2Co 5:10). As pessoas que não se contaminaram serão consideradas dignas, não por mérito próprio, mas por serem salvas pela graça do Senhor (cf. Ef 2:8-10). 

“[…] E de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida […]” (Ap 3:5)

Aleluia!!!