Roma x Babilônia

Na antiguidade a Babilônia foi uma cidade de destaque de onde derivam também mitos importantes, sobretudo sobre a sua criação, que influenciaram a narração bíblica sobre o início da humanidade. Era também chamada de Babel. Ligados a este local há muitas realidades e personagens de quem nós provavelmente já ouvimos falar: Hamurabi, amorreus, sumérios, heteus (hititas), Senaqueribe, Assurbanipal, Assíria, Nínive, Mesopotâmia, Nabucodonosor, exílio, etc.

 

A queda da Babilônia ocorreu ainda nos tempos do Antigo Testamento. Em Isaías 21 e em Jeremias 51 podemos encontrar profecias contra a Babilônia, e a sua ruína está detalhada em Dn 5 – todos no Antigo Testamento; portanto, nos tempos dos apóstolos não haveria nenhum sentido falar da Babilônia, a não ser como metáfora.

Metáfora é uma figura de linguagem onde se usa uma palavra ou uma expressão em um sentido que não é muito comum, revelando uma relação de semelhança entre dois termos. 

 

A fama da cidade no mundo judaico-cristão deriva das obras realizadas pelo rei da Babilônia chamado Nabucodonosor (606 – 562 a.C.). Este conquistou Jerusalém, destruiu o Templo de Salomão e deportou muitos hebreus para a Babilônia, onde viveram em exílio por cerca de 70 anos (2Reis 24). Por isso a cidade é mencionada na Bíblia como símbolo dos inimigos de Deus e do seu povo, tornando-se uma metáfora para definir a realidade oposta àquela desejada por Deus. Daí nasce a oposição, sobretudo na literatura apocalíptica, entre Babilônia, lugar do paganismo e dos vícios, e a Jerusalém celeste (cf. Ap 22), reino de paz e virtudes.

 

Provavelmente, por esse motivo, o apóstolo Pedro em 1Pe 5:13 escreveu: “Aquela que se encontra em Babilônia […]”, referindo-se à igreja situada na cidade pagã, Roma. A comparação de Babilônia com Roma é nítida em Apocalipse capítulos 17 e 18, no que se refere às imundícies e abominações por elas cometidas.