Têm surgido nos últimos tempos, alguns movimentos que afirmam que devemos batizar em nome de YAHOSHUA, porque dizem ser esta a pronúncia correta do nome do nosso Salvador. Deveríamos todos nos rebatizar? A resposta é NÃO. Veja porquê:

 

Em Gênesis 11 diz que no princípio, “em toda a terra havia apenas uma linguagem e uma só maneira de falar” e que o próprio Senhor Deus confundiu a linguagem dos homens.  Algumas versões bíblicas traduzem: “um só sotaque”, o que não deixa de ser uma só maneira de falar o mesmo idioma.

 

Em Juízes 12:6 diz que nos tempos de guerra, 42.000 efraimitas foram mortos porque não conseguiam pronunciar a palavra chibolete (espiga de cereais) – eles diziam sibolete. O motivo desta guerra, na verdade, foi um grande absurdo que não nos é interessante falar no momento.

 

O próprio Senhor Deus que mudou a linguagem e o sotaque dos homens, certamente não exige que as pessoas do mundo todo pronunciem do mesmo modo, com exatidão, o nome YAHOSHUA. Talvez, até nós brasileiros, de algum modo tenhamos dificuldade de pronunciar este Nome com exatidão e para alguma pessoas do mundo, talvez, seja impronunciável.

 

 

Conheça um pouco da história da escrita latina

Os sistemas de escrita e o vocabulário estão em processo contínuo de evolução. O nosso alfabeto é latino. Ao longo dos anos, assim como em muitos outros sistemas de escrita, o alfabeto latino também foi se desenvolvendo até chegar ao sistema que conhecemos atualmente. Dê uma olhada no teclado do seu computador: tudo o que você precisa para se expressar em português, está na ponta dos seus dedos! Mas nem sempre foi assim.

Letras maiúsculas e sem espaçamento

 

Nos primórdios do Império Romano só se escrevia com letras maiúsculas, porque as minúsculas só seriam inventadas mais tarde, nos meados da Idade Média, para facilitar o uso de penas (canetas) – para entalhar letras em pedras era mais fácil escrever em maiúsculas.

 Veja: caixa alta e caixa baixa

Naquela época, não havia pontuação, nem espaçamento entre as palavras – isto pode parecer bastante estranho a nós, mas não podemos ignorar que em outras línguas, o espaçamento não é muito importante – a exemplo das escritas orientais que conseguem expressar perfeitamente sem recorrer ao uso de espaçamento entre palavras.

 

Veja como o nosso sistema de escrita evoluiu nos últimos 2.000 anos: agora temos @, %, &, Ç, ?, !, :, ;, etc. Você sabia que na escrita turca existe “Ș” – s cedilha? Imagine como é o teclado de computador árabe, chinês, khmer… Se você fala outro idioma, deve ter notado que existem alguns sons que não existem em português. Como representar estes sons com o nosso sistema de escrita? Certamente, seria bastante difícil ou até impossível. O máximo que poderíamos fazer é encontrar alguma letra com um som mais próximo.

 

No latim antigo usado pelos romanos não havia letra “Y”, “J”, “K”, “U”, nem “W”. No caso da letra “Y”, ela só foi acrescentada mais tarde no alfabeto latino quando os romanos copiaram do alfabeto grego. Por isso, em castelhano, a letra “Y” se chama “I Griega”.

 

A letra “W” conhecida como “dábliu”, na verdade é “V+V” ou “V duplo”. Por isso, os falantes da língua castelhana dizem “Uve Double”. Já os da língua inglesa preferem dizer “U Duplo”, ou seja, “Double U”.

 

Curiosidade: nos países de língua castelhana, dizem “Triple Uve Double” ao se referirem a “www”.

 

Você sabia que segundo o Novo Acordo Ortográfico, agora temos 7 vogais que são: A, E, I, O, U, Y, e W – sendo que esta última, dependendo da origem da palavra pode ser consoante? Quando a letra “W” é de origem inglesa, é considerada vogal; mas quando é de origem germânica, é considerada consoante.

 

 

Por que  “i” e “j” têm pingo?

Na antiguidade, a letra “I” podia ser vogal ou consoante, como no caso de “W” acima, até que na Idade Média, começaram a dobrar “a perna” do  “I” inventando assim, a letra “J” para diferenciar da “I” vogal. Mais tarde, com a invenção das letras minúsculas:

      • “i” (minúscula) passou a receber pingo para não ser confundida com “u” principalmente quando se escrevia “i” duplo – para diferenciar ii  de u.

      • “j” também recebeu pingo, pois nada mais era do que “i” com “a perna dobrada”.

 

Como YAHOSHUA passou a ser escrito JESUS?

 

Como não havia letra “Y” em latim, tudo que se escrevia com “Y” em outras línguas deveria ser escrito em latim com a letra com o som mais parecido possível, que no caso era “I”. Então, YAHOSHUA era grafado IAHOSHUA.

 

Os nomes próprios que eram escritos com “I” passaram a ser grafados com “J”. Assim, IAHOSHUA passou a ser grafado JAHOSHUA e, como não se pronuncia o “H”, JAOSUA, e depois, JESUA, como vemos em Ne 11:26; 1Cr 24:11; Ed 2:40, etc; e mais tarde JESUS, como nós grafamos hoje.

 

 

JESUS

Se a pronúncia nos idiomas que se originaram do latim são tão variáveis, o que dizermos de outros?

JÉSUS, JESSUS ou JESUIS – mesmo no Brasil, onde todos falam a mesma língua do Norte ao Sul há variações de pronúncia.

Na época de JESUS, os israelitas falavam, ou pelo menos deveriam falar quatro idiomas:

  1. Aramaico, que é a língua da qual deriva o hebraico;
  2. Hebraico, que é a língua oficial de Israel;
  3. Grego, que era a língua universal da época;
  4. Latim, que era a língua dos dominadores romanos.

João descreveu um detalhe muito interessante na crucificação de Jesus:

“[…] O que estava escrito era:

“JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS.

[…] e estava escrito em hebraico, latim e grego” (Jo 19:19-20)

 

Isso significa que na mensagem que se lia no cimo da cruz estava “YAHOSHUA” em hebraico, “IESUS” em latim e “IZOUS” em grego:

 

ישוע מנצרת מלך היהודים

“IESUS NAZARENUS REX IUDAEORUM”

“ΙΗΣΟΥΣ Ο ΝΑΖΩΡΑΙΟΣ Ο ΒΑΣΙΛΕΥΣ ΤΩΝ ΕΒΡΑΙΩΝ”

 

 

 Nome pode ser traduzido?

Sim. O próprio Senhor Jesus chamou Simão de “Pedro” (cf. Mt 16:18), que mais tarde, foi chamado “Cefas” (cf Jo 1:42). Pedro significa pedra em grego, que é o mesmo que Cefas em aramaico. Já Simão não é o mesmo que Pedro, portanto, não é tradução, mas variação de Simeão ou Samuel.

 

Podemos observar um outro exemplo em At 9:36:

“Havia em Jope uma discípula por nome Tabita,

nome este, que traduzido, quer dizer Dorcas”

que por sua vez, traduzindo para o português, significa “Gazela”.

 

Conclusão

Não precisamos nos preocupar com ventos de doutrinas estranhas que sopram do mundo. O SENHOR não irá amaldiçoar ou mesmo deixar de salvar os que não conseguirem pronunciar corretamente o Seu Nome. Não há necessidade de rebatizar ninguém que já tenha sido batizado em Nome do Senhor JESUS CRISTO por causa de pronúncia. E que a paz do Senhor Jesus seja com todos.

 Pastor Daniel Shinjo