Por que Raquel furtou os ídolos do lar do seu pai?

Gênesis, 31:1-21

Jacó, cansado de ser enganado pelo seu tio e divinamente instruído, decidiu deixar a presença de Labão e retornar à terra de seus pais. Na fuga, Raquel, a esposa de Jacó, aproveitando a ausência do seu pai, furtou os ídolos que ele mantinha em casa.

“E tendo ido Labão fazer a tosquia das ovelhas, Raquel furtou os ídolos do lar que pertenciam a seu pai.” (Gn 31:19)

 

Por que Raquel furtou os ídolos? Seria apenas para guardá-los como lembrança da casa do seu pai? Ou será que Raquel era idólatra? Não, Jacó, certamente, havia ensinado à sua esposa a doutrina do Único Deus. Então qual era a intenção de Raquel?

 

Terafins – os ídolos do lar

Nas Escrituras Sagradas, os ídolos do lar, também chamados terafins, eram deuses domésticos (Gn 31:30) frequentemente associados à adivinhação (Jz 17:7-Jz 18, Ez 21:21) e práticas de espiritismo (2Rs 23:24), por isso são objetos expressamente condenados pelas leis de Deus (1Sm 15:23). Uma escavação arqueológica dirigida pela Universidade de Pennsylvania em 1925* encontrou indícios de que os terafins, além de serem abomináveis deuses pagãos, eram objetos que asseguravam ao genro, a sucessão da propriedade do seu sogro. Isso poderia explicar a ansiedade do materialista Labão em recuperar os ídolos desaparecidos de sua casa, bem como a presença de terafins nos lares de vários hebreus como registrados em Os 3:4, Zc 10:2 e outras passagens já mencionadas acima.

*Veremos os pormenores desta escavação arqueológica numa outra postagem

 

Parece que o tamanho dos terafins era bastante variado: pequenos, a ponto de poder esconder na sela como em Gn 31:34, ou suficientemente grandes para ser confundido com um homem (1Sm 19:13).

 

A perseguição de Labão Gn 31:22-42

Labão ao alcançar Jacó nas montanhas de Gileade, reclamou para si os seus ídolos do lar. Jacó permitiu que todos os seus pertences fossem revistados, porém nada se achou, pois Raquel havia escondido os terafins na sela do camelo em que estava assentada, e este fora o único lugar não revistado. Não sabendo que a sua própria esposa Raquel os havia furtado, Jacó deu sentença de morte para quem tivesse praticado tal delito, e as suas palavras se cumpriram mais adiante, no momento do nascimento de Benjamim (Gn 35:16-20).

“Assim, morreu Raquel e foi sepultada no caminho de Efrata, que é Belém.” (Gn 35:19)

 

Advertência

Ainda nos dias atuais, encontramos em diversos lares cristão vários objetos idólatras semelhantes aos antigos terafins, travestidos de cobiçados documentos de propriedades ou direito à herança familiar. Uma pintura ou imagem de escultura idólatra considerada de grande valor artístico e monetário pode ser um laço para o seu proprietário. Outro exemplo é o TOTOME ou GUANSÚ – oratório doméstico de culto aos antepassados bastante frequente em famílias de Okinawa, sul do Japão. Segundo esta seita, o guardião do oratório tem o direito integral à herança dos pais, por isso, alguns cristãos okinawanos ou descendentes resistem em desfazerem dele.

 

JESUS ensinou dizendo:

“Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.” (Mt 6:24 – Almeida RC)

 

A sentença de morte

“Ora, Raquel havia tomado os ídolos do lar, e os pusera na sela de um camelo, e estava assentada sobre eles […]” (Gn 31:34)

 

Como notamos no ensinamento do Senhor em Mt 6:24, terafins ou semelhantes eram duplamente abomináveis:

  1. por ser propriamente um ídolo pagão;
  2. por desviar a glória de Deus, fazendo o homem ter esperança no que asseguravam estas estátuas.
túmulo de Raquel

Túmulo de Raquel, em Belém

A esperança da prosperidade deve estar somente no SENHOR, nosso Deus. Raquel, bem como Mical (filha do rei Saul), embora casadas com homens de grande fé, não tiveram suficiente fé no SENHOR, o que as levou a apossarem de ídolos condenados por Deus. Assim como Raquel, muitas pessoas condenam-se à morte não confiando inteiramente no SENHOR; pelo contrário, assentando-se firmemente sobre a sua própria ganância e falsa impressão de futuro garantido.

 

“Ouvi-me, ó Judá e vós, moradores de Jerusalém! Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis. “ (2Cr 20:20)