“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23:34)

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Família Covell Yokohama – Japão

Em meados de 1919, um americano desembarcou no Japão, onde permaneceu por quase 20 anos a serviço do Senhor. O seu nome era James Howard Covell, e durante a sua estada no Japão, conheceu em Osaka, a também americana e pregadora Charma Marie Moore, com quem se casou e constituiu uma família. Tiveram três filhos: Margaret, David e Alice. A família Covell se empenhava em anunciar o Evangelho do Senhor JESUS Cristo à nação japonesa.

 

Nos anos 30, o Império Japonês já dominava uma vasta região do Oriente. Com o ataque japonês à base naval dos EUA em Pearl Harbor (Hawaii – 8/Dez/1941), os EUA declararam guerra ao Império.

 

-58ec2283d63c0144Com a ameaça de bombardeio americano iminente, assim como cidadãos de outras nacionalidades, a família Covell também foi convidada a se retirar do Japão. Os filhos de Covell foram enviados para os EUA, porém o casal preferiu continuar no Oriente aguardando o término da guerra para então voltar a evangelizar o Japão. Covell e sua esposa se dirigiram às Filipinas e no navio oraram dizendo: “SENHOR, não podemos nos conformar com esta situação, pois viemos ao Japão com a intenção de sermos sepultados neste solo!”

 

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Caças japoneses e o Bombardeiro B-29 Enola Gay que lançou bombas atômicas sobre o Japão

Chegando às Filipinas, o casal Covell se estabeleceu na ilha de Panay, junto com um grupo de missionários, mas com a chegada do Exército Imperial Japonês na ilha, fugiu para a selva, no interior da ilha. Certo dia, escondidos na selva, Covell e seu grupo presenciaram uma mulher nativa com o seu filho prestes a serem decapitados pelo exército japonês. Vendo isto, Covell que falava o idioma japonês, saiu do seu esconderijo junto com os outros missionários, e tentou negociar com os carrascos para impedir a execução. Imediatamente, todos foram rendidos e revistados, e foi achado na bolsa de Covell, um objeto que não deveria estar com ele, pelo menos, naquele momento: um rádio portátil.

 

Não adiantou explicar. Todos foram acusados de serem espiões americanos e condenados à morte. Quando já estavam com as mãos amarradas para serem decapitados, Covell fez um pedido: que adiassem em uma hora a execução para fazerem a última oração a Deus. E ali fizeram uma pequena roda, e ajoelhados, oraram ao SENHOR.

 

Não aconteceu nenhum milagre. Vencido o prazo, Covell, e mais quinze pessoas, incluindo a mulher filipina e o seu filho, foram executados na selva em 19 de Dezembro de 1943. A esposa de Covell foi a primeira a ser morta.

 

Mitsuo Fuchida

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Mitsuo Fuchida (1902-1976)

Fuchida (pronuncia-se Futida) foi considerado um dos aviadores mais hábeis do Japão durante a Segunda Guerra Mundial. Com mais de 3000 horas de voo no seu currículo, Fuchida foi designado piloto comandante da Marinha Imperial Japonesa e comandou a esquadrilha de mais de 400 aviões que atacou a base americana do Pacífico, em Pearl Harbor.

 

Alguns anos depois do término da guerra, já absolvido do julgamento pelos crimes de guerra, Mitsuo Fuchida havia voltado à sua cidade natal onde, inconformado com a derrota japonesa, passava os seus dias pensando em escrever um livro sobre as atrocidades que os americanos cometeram contra os japoneses. Certo dia, alguns dos seus ex-subordinados que haviam sido capturados pelo exército americano, mas agora em liberdade, foram visitar Fuchida.

 

– Vocês devem ter sofrido barbáries na prisão americana, disse Fuchida. Os homens responderam: – Muito pelo contrário, foi como se estivéssemos no Paraíso; foi maravilhoso!

 

Fuchida quis saber o que havia acontecido na prisão, e os seus homens responderam:

– Na prisão, havia uma moça americana, voluntária, de 18 anos chamada Margaret Covell, extremamente dedicada e que cuidava dos prisioneiros de guerra japoneses. Ela agia com compaixão com todos os prisioneiros e diariamente cuidava dos feridos, e sempre procurava saber se poderia nos ajudar mais de alguma outra forma. Não pudemos resistir à tamanha generosidade, e depois de algumas semanas, perguntamos: Por que você trata tão bem a nós que somos soldados inimigos? Então ela respondeu:

– É porque os meus pais foram mortos pelo Exército Imperial Japonês. Eles eram missionários cristãos para o Japão, porém, foram confundidos com espiões, e foram mortos injustamente na selva filipina. Quando recebi esta notícia, fiquei com muito ódio, mas depois passei a pensar que nos momentos finais, os meus pais oraram pelo perdão dos japoneses que tanto amavam e se dedicaram. Então, resolvi seguir os mesmos passos dos meus pais perdoando e ajudando o povo japonês.

– Perguntamos o que fazia ela pensar assim; então, ela trouxe uma Bíblia na tradução japonesa e nos entregou e disse: Leiam. Aqui estão as palavras de Deus que poderão mudar as vossas vidas.

Passamos a ler a Bíblia todos os dias; tornamos cristãos, e assim, o nosso dia a dia na prisão foi como se estivéssemos no Paraíso. 

 

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Rendição japonesa:            Memorial Mc Arthur em Virginia

Cruzando os braços e fechando os olhos, Fuchida meditou em cada palavra que havia ouvido. Despedindo-se daqueles homens, Fuchida foi ao centro de Tokyo procurar uma Bíblia para comprar. Ele queria saber como o ódio e o rancor poderiam se transformar em amor e compaixão. Assim que conseguiu a sua primeira Bíblia, Fuchida passou a lê-la vorazmente, como quem está com fome e sede, até que ficou extremamente constrangido ao ler a mensagem do Senhor JESUS na cruz registrada em Lucas 23:34 que diz:

“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.”

 

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Pearl Harbor – Hawaii

Certo dia, andando pelas ruas de Tokyo, Fuchida recebeu panfleto de missionários americanos e, ouvindo as palavras de Deus, converteu-se ao cristianismo em 1949; e mais tarde, tornou-se pregador. O panfleto trazia o testemunho de um ex-sargento americano chamado Jacob DeShazer. Um dos seus primeiros atos como pregador, foi visitar Pear Harbor com a sua Bíblia na mão. Fuchida se dedicou no Caminho até a sua morte.

 

Na sua vida como cristão, sempre preocupou-se em levar a mensagem da salvação de JESUS à sua pátria, porque acreditava na palavra que diz:

“Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa.” (At 16:31)  

 

Jacob DeShazer

Staff Sgt. Jacob DeShazer, a member of the famed Doolittle Raiders, was the bombardier of Crew No.16, the last of the 16 B-25 Mitchell bombers to launch from the USS Hornet April 18, 1942, on the famous bombing run over Tokyo.  Sergeant DeShazer, 95, died March 15.  (U.S. Air Force photo)

Jacob DeShazer (1912-2008)

Jacob DeShazer foi sargento do exército dos EUA que participou do bombardeio sobre a cidade de Nagoya, no Japão. Ao ouvir a notícia do ataque japonês a Pearl Harbor, cheio de fúria, DeShazer, havia gritado: – Os japoneses vão pagar por isso!

 

Após bombardear Nagoya, a equipe de DeShazer voou em direção a uma base aliada na China, porém, antes que chegassem ao destino, por falta de combustível, a tripulação teve que abandonar o avião em pleno voo, saltando de pára-quedas sobre o território ocupado pelos japoneses na China. Na manhã seguinte, todos eles foram capturados, enviados para a prisão e severamente torturados. Três dos seus companheiros foram fuzilados e DeShazer condenado à prisão perpétua.

 

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Domo de Hiroshima

Na prisão, DeShazer conseguiu uma Bíblia emprestada por apenas três semanas. Neste pequeno período, DeShazer sentiu no seu coração, o amor do Senhor JESUS, e foi motivado a viver evangelizando.

 

Com o fim da guerra, após ser libertado, DeShazer regressou para os EUA e se tornou um missionário cristão, e em 1948, juntamente com sua esposa, voltou para o Japão para a obra do Senhor.

 

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Encontro de DeShazer com Fuchida

DeShazer e Fuchida se encontraram em Maio de 1950 e tornando-se grandes amigos, e juntos pregaram o Evangelho.

 

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=JMe3r7bM9js