“Porque o Filho do Homem é senhor do sábado.” 
(Mt 12:8; cf. Mc 2:28 e Lc 6:5)

 

A crucificação e a morte do Senhor Jesus não deve ter ocorrido na sexta-feira; tampouco a Sua ressurreição no dia de domingo, como diz a tradição. Mas qual tradição? A tradição católica que passou a referir tais dias como Sexta-Feira da Paixão e Domingo de Páscoa. Examinemos as Escrituras:

 

 

Três dias e três noites

Numa ocasião, em confronto com os fariseus, o Senhor profetizou a respeito de sua morte e ressurreição dizendo:
“Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra.” (Mt 12:40)

 

Consideremos os seguintes fatos:
  • O Senhor morreu por volta da hora nona (Mt 27:46-50);
  • Faltavam poucas horas para terminar aquele dia. Segundo a contagem bíblica e costume judaico, o dia é contado de um por do sol até o seguinte;
  • Antes do por do sol daquele dia, apressadamente, José de Arimateia foi pedir o corpo do Senhor a Pilatos, e logo seguiu ao sepulcro (Lc 23:50-54);
  • O dia em que o Senhor Jesus morreu na cruz era “Dia da Preparação” (cf. Mt 27:62; Mc 15:42; Lc 23:54; Jo 19:14, 31 e 42).
Assim sendo, a tradição conclui que o Senhor morreu e foi sepultado antes do entardecer de sexta-feira. No entanto, ao somar os 3 dias e 3 noites (Mt 12:40) jamais resultará no domingo. Então, há algo errado!

 

 

O dia da Preparação e o Sábado

Segundo o costume judaico, o dia da Preparação é o dia que antecede o Sábado do Senhor. Como diz o próprio nome, era dia de preparação para o Sábado, visto que nenhuma obra faziam no santo dia. Observe:
 
“Ao cair da tarde, por ser o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado” (Mc 15:42)
 
“Era o dia da preparação, e começava o sábado.” (Lc 23:54)
 
“Então, os judeus, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a preparação […]” (Jo 19:31)

 

À primeira vista, ao lermos os versículos acima, tendemos a entender que a crucificação, a morte e o sepultamento do Senhor aconteceu na sexta-feira, já que os evangelistas afirmam categoricamente que o dia seguinte era sábado; mas isto é um grande equívoco.

 

Uma leitura mais atenta nos revela detalhes preciosos:
“[…] Visto como era a preparação, pois era grande o dia daquele sábado […]” (Jo 19:31)

 

 

Grande Sábado

O termo “grande o dia daquele sábado” utilizado por João indica um sábado especial, diferente dos sábados semanais. Em outras traduções bíblicas, não é difícil encontrarmos a palavra “Dia de Descanso” designando o dia de Sábado, visto que é este, o verdadeiro significado da palavra hebraica Shabat.
“E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.” (Gn 2:3)

 

Para reforçar essa tese, em João 19:14-15 está escrito:
“E era parasceve pascal, cerca da hora sexta; e disse aos judeus: Eis aqui o vosso rei. Eles, porém, clamavam: Fora! Fora! Crucifica-o! […]”
 

 

Parasceve pascal

“Parasceve” é a “preparação”. O dicionário define da seguinte forma:

s.f. sexta-feira, dia em que os judeus se preparavam para celebrar o sábado, ou qualquer dia festivo e principalmente a Páscoa. F. gr. Paraskeve (preparação).

A Bíblia JFA-RA da SBB traz uma nota explicativa (foto), porém faltou dizer que parasceve também pode ser preparativo para a Páscoa ou outras festas bíblicas. Portanto, parasceve não é necessariamente sexta-feira.

 

 

Sábado

Como vimos acima, o termo bíblico Sábado significa descanso. O termo pode não estar se referindo ao sétimo dia necessariamente. Preste bastante atenção, porque é aqui que as pessoas tendem a confundir.
  • Dia de Sábado = Dia de Descanso => não apenas o 7° dia
  • Parasceve = Preparação => dia que antecede os feriados bíblicos

 

Assim, os evangelhos se concordam ao dizerem que no dia da preparação da Páscoa, o Senhor fora crucificado, morreu e fora sepultado; José de Arimateia pediu o corpo do Senhor a Pilatos e imediatamente foi sepultá-Lo; visto que o dia de Descanso (Festa de Páscoa) estava começando.
“No primeiro mês, aos catorze dias do mês, é a Páscoa do SENHOR ” 

 

“No primeiro dia, haverá santa convocação; nenhuma obra servil fareis” (Nm 28:16 e 18)

 

 

O dia em que o Senhor ressuscitou

A Bíblia não diz que a ressurreição de Cristo ocorreu no domingo; mas ela é bem clara em dizer que quando as mulheres foram ao sepulcro no primeiro dia da semana, o Senhor já havia ressuscitado; o Seu corpo não se encontrava mais lá!

 

Mateus nos relata que assim que terminou o sábado* ** (* sétimo dia; **por volta de 18:00h) ao entrar o primeiro dia da semana (claramente, nas primeiras horas de domingo), as mulheres foram ver o sepulcro, porém, não acharam o corpo de Jesus (cf. Mt 28:1-8).
“Mas o anjo, dirigindo-se às mulheres, disse: Não temais; porque sei que buscais Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Vinde ver onde ele jazia.” (Mt 28:5-6)
 
“E muito cedo, no primeiro dia da semana, ao despontar do sol, foram ao túmulo […] E, olhando, viram que a pedra já estava removida; pois era muito grande.” (Mc 16:2 e 4)

 

“Mas, no primeiro dia da semana, alta madrugada, foram elas ao túmulo, levando os aromas que haviam preparado. E encontraram a pedra removida do sepulcro; mas, ao entrarem, não acharam o corpo do Senhor Jesus.” (Lc 24:1-3)

 

“No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu que a pedra estava revolvida.”(Jo 20:1)

 

Ora, se o Senhor já havia ressuscitado assim que começou o primeiro dia da semana, é certo afirmar que Ele ressuscitara no final do dia imediatamente anterior ao domingo, ou seja, no Shabat, o sétimo dia.

 

 

Conclusão

Lembrando-nos dos três dias e três noites profetizados pelo Senhor, vemos que o Senhor morreu e o Seu corpo foi sepultado ao entardecer da quarta-feira, permanecendo até o final do terceiro dia que é o Shabat.
Verificamos também que na semana em que o Senhor fez a obra da redenção por nós teve dois sábados (dias de descanso): o da Páscoa, e o de Shabat (sétimo dia).

 

7º DIA
DOM
SEG
TER
PARESCEVE
DESCANSO
PASCAL
PARESCEVE
DESCANSO
7º DIA
DOM
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21
15 a 21 do mês de abibe
Lv 23:6-8
Começo Páscoa
1º dia
2º dia
3º dia
4º dia
5º dia
6º dia
7º dia

O Senhor morreu na quarta-feira e ressuscitou no Shabat 

Jesus tem autoridade até sobre o dia de Shabat, o sétimo dia da semana. Assim, a palavra proferida pelo Senhor se faz jus:
“De sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado.” (Mc 2:28)

 

Sim, Ele tem autoridade até sobre o dia de Shabat; e graças a Sua obra redentora na cruz, temos descanso Nele, assim como Ele diz:
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.” (Mt 11:28)

 

Frequentemente, as pessoas dizem que o quarto, dos Dez Mandamentos, foi o único que foi alterado no Novo Testamento, mas isso não é verdade. Dizem também que o dia do Senhor é Domingo, porque Cristo ressuscitou no primeiro dia da semana, mas isto é um outro grande equívoco.

 

Meus sábados

O termo “Meus sábados” ocorrem inúmeras vezes nas Escrituras Sagradas. O A.T. diz que os sábados são de Deus, e no N.T., o Senhor Jesus diz que Ele é o Senhor do sábado. Ora, “senhor” significa possuidor, dono, aquele que tem autoridade sobre. Mais uma vez a Bíblia nos revela que Jesus Cristo é o Único Deus do Antigo Testamento: Os sábados são do Senhor Jesus Cristo. Amém!

 

Só Jesus é o nosso Salvador

“[…] É ou não é lícito curar no sábado?” […] E tomando-o, o curou e o despediu.” (Lc 14:3-4)

 

O Senhor Jesus Cristo veio nos curar neste santo dia, ressuscitando dentre os mortos e anunciando a salvação:
“E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo” (Jo 20:22)

 

Dificuldades

a) Lucas relata que “naquele mesmo dia”, ou seja no domingo o Senhor ressuscitado aparecera a dois discípulos que se dirigiam à Emaús e estes disseram:
“[…] Mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam.” (Lc 24:21)

 

Era domingo, e três dias antes, seria quinta-feira. Sendo assim, parecem que os dados começam a se confrontar, mas não quando analisarmos mais uma vez com cuidado as palavras:

 

Um dia após o sepultamento do corpo do Senhor (no Shabat pascal), os sacerdotes e fariseus pediram a Pilatos que este montasse guardas para vigiar o sepulcro, temendo que alguém escondesse o corpo. Os discípulos a caminho de Emaús disseram ser aquele, o terceiro dia “desde que tais coisas sucederam”. Quando se fala nestes termos,  referente a uma série de acontecimentos, costumamos falar em base ao último acontecimento; por isso, mui provavelmente, os discípulos estivessem se referindo à guarda de sepulcro que se iniciou na quinta-feira.
“No dia seguinte, que é o dia depois da preparação, reuniram-se os principais sacerdotes e os fariseus e, dirigindo-se a Pilatos […]” (Mt 27:62)
 
“Ordena, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança até ao terceiro dia, para não suceder que, vindo os discípulos, o roubem e depois digam ao povo: Ressuscitou dos mortos; e será o último embuste pior que o primeiro.” (Mt 27:64)

 

b) Marcos 16:9
“Havendo ele ressuscitado de manhã cedo no primeiro dia da semana, apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual expelira sete demônios.”

 

O texto acima afirma que o Senhor ressuscitou no domingo, contrariando tudo que vimos até o momento.
  • Aqui, pode haver erro de pontuação, embora pouco provável, já que traduções estrangeiras conferem com as nossas traduções. No entanto, a correta pontuação poderia ser: “Havendo ele ressuscitado, de manhã cedo, no primeiro dia da semana […]”;
  • Os versículos 9-20 não aparecem nos manuscritos antigos;
  • Os versículos 9-11 são visivelmente acréscimos feitos posteriormente, pois descreve novamente o que foi mencionado no começo do mesmo capítulo.

Tradição é traição ao Evangelho

Aprendemos muitas coisas como se fossem bíblicas e não passam de tradições dos homens. Todos nós que nascemos de novo, devemos lançar fora os fermentos e participar da festa do Senhor com pães asmos da sinceridade e da verdade.

“Respondeu-lhes: bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens. E disse-lhes ainda: Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição.” (Mc 7:6-9)