O Grande Cisma

Logo no Século IV, a igreja começou a sair dos trilhos do evangelho e seguir caminhos tortuosos, tendo como o seu líder, o falso convertido imperador Constantino. Este, como já havia sido profetizado nas Escrituras, muito fez para mudar os ensinamentos da Bíblia:

 

“Proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo e cuidará em mudar os tempos e a lei; e os santos lhe serão entregues nas mãos, por um tempo, dois tempos e metade de um tempo.” (Dn 7:25)

 

Ainda nos tempos antigos, juntamente com o crescimento dos domínios romanos, foi fundada outra sede católica em Constantinopla, e ainda, mais uma em Alexandria, além da já existente em Roma, para atender os seus fiéis do Oriente e da África. Assim, a Igreja Católica passou a ter três sedes: Ocidental, Oriental e Africana. Antes do Grande Cisma havia uma unidade entre elas: de Roma, o Papa exercia autoridade eclesiástica, política e até militar no continente europeu; e os chamados Patriarcas exerciam os mesmos poderes papais – um de Constantinopla para o Oriente, e outro de Alexandria para a África. O patriarca de Alexandria perdeu sua importância após a anexação do Egito ao Império Muçulmano.

 

Logo cedo começaram surgir desentendimentos de várias naturezas no catolicismo, razão pela qual, o imperador Constantino convocou os bispos católicos do mundo antigo para o Primeiro Concílio Ecumênico da Igreja Católica. Desde então, muitos séculos se passaram e muitos concílios foram realizados na tentativa de solucionar problemas internos entre o Ocidente e o Oriente, até que no ano de 1054 d.C. o descontentamento e acusação mútua de prática de heresias resultou no rompimento da própria igreja, o que foi chamado O Grande Cisma: os católicos que se sujeitavam à doutrina de Roma passaram a ser denominados Católicos Apostólicos Romanos, e os que se simpatizavam com a doutrina da Igreja Católica do Oriente foram denominados Católicos Ortodoxos.

 

Na verdade, o que normalmente conhecemos como o Cisma do Oriente, é visão católica romana; já os ortodoxos orientais, chamam este mesmo acontecimento de o Cisma do Ocidente. nomenclatura correta dada à essa divisão que aconteceu na Igreja Católica é O Grande Cisma.

 

Antes da mútua excomunhão, a Igreja Católica era uma unidade estruturada da seguinte forma:

  • O papa como o chefe da igreja romana no continente europeu, sendo ele, a autoridade máxima;
  • Outro patriarca em Constantinopla, também com o mesmo poder e autoridade nos domínios do Império Romano Oriental;
  • Um patriarca em Alexandria, exercendo o mesmo poder e autoridade papal nos domínios romanos na África.

 

O Império Romano do Ocidente caiu em 476 d.C com as invasões bárbaras, restando apenas o Império Romano do Oriente, conhecido posteriormente como Império Bizantino. Na Igreja Católica de Constantinopla surgiram algumas práticas religiosas, consideradas heréticas por Roma, por ir contra a fé estabelecida, e vice-versa. As principais questões que levaram as igrejas ao desentendimento foram as doutrinas monofisistas e iconoclastas:

  • Os monofisistas acreditavam que JESUS Cristo tinha uma existência unicamente divina, visão teológica que se opunha à prerrogativa ocidental da natureza humana e divina de Cristo. Contrariavam ainda o dogma católico da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) como representação de Deus. O movimento dos monofisitas iniciou-se no século V e alcançou sua maior força com o reinado de Justiniano.
  • O movimento dos iconoclastas caracterizava-se pela oposição à adoração de imagens, levando-os a destruírem os ícones religiosos. Afirmavam, dessa forma, uma percepção religiosa de caráter mais espiritual. Tais posições distanciavam-se o Patriarca oriental do catolicismo pregado pelo Papa em Roma.

 

Saint Sophia – (Santa Sabedoria) – Igreja Católica Bizantina convertida em mesquita após invasão otomana. Atualmente, museu.

Essas diferenças doutrinárias causavam instabilidade social em virtude da ação de seus divulgadores, levando os imperadores a intervirem na estrutura administrativa da Igreja de Constantinopla. Essa prática ficou conhecida como cesaropapismo, que consistia na supremacia do Imperador, sobre a Igreja. O objetivo era administrar os conflitos decorrentes das heresias e manter a unidade do Império e da Igreja. Séculos mais tarde, Napoleão, Hitler e Mussolini recorreriam à prática do cesaropapismo para ampliar os seus poderes.

 

Desde os primeiros concílios ecumênicos essas diferenças foram se acentuando, passando a ser consideradas como uma crise de autoridade sobre a crença católica. Em 867 d.C, a Igreja de Constantinopla, dominada pelo imperador bizantino, não reconheceu mais a autoridade da Igreja de Roma, em virtude, principalmente, da independência e do poder que esta havia constituído no continente europeu.

 

A queda de Constantinopla

Na tentativa de conter a invasão turca pelo mar, em vão os bizantinos montaram barreiras com correntes: o sultão Mohamed II ordenou transportar seus navios por terra.

Até os dias atuais as igrejas permanecem divididas, apesar de algumas tentativas de reaproximação realizadas desde o Cisma do Oriente. O Concílio de Basel-Ferrara-Florença é um exemplo: Aterrorizados com a ameaça de invasão do exército turco otomano, os católicos orientais negociaram com Roma uma ajuda militar contra os turcos em troca de uma aproximação e futura reunificação, mas devido aos furiosos protestos dos principais bispos de ambos os lados, não conseguiram firmar acordos significantes, e Constantinopla terminou por cair nas mãos dos invasores em maio de 1453. Finalmente, depois de mais de 1000 anos da queda do Império Romano, foram extintos os seus vestígios no Oriente.

Logo, os turcos mudaram o nome da cidade para Istambul que significa “O lugar onde cresce o islamismo”.

 

Engana-se quem pensa a Igreja Católica ser uma unidade – Ela também se dividiu em várias autônomas que não mantém comunhão com o Vaticano. A seguir, algumas delas no mundo e no Brasil:

  1. Igreja Católica Apostólica Romana (sede em Roma)
  2. Igreja Católica Copta (patriarcado; sede no Cairo, Egito)
  3. Igreja Católica Etíope (metropolitanato; sede em Adis Abeba, Etiópia)
  4. Igreja Católica Eritreia (metropolitanato; sede em Asmara, Eritreia)
  5. Igreja Greco-Católica Melquita (patriarcado; sede em Damasco, Síria)
  6. Igreja Católica Bizantina Grega (eparquia; sede em Atenas, Grécia)
  7. Igreja Católica Bizantina Ítalo-Albanesa (eparquia; sede na Sicília, Itália)
  8. Igreja Greco-Católica Ucraniana (arcebispado maior; sede em Kiev, Ucrânia)
  9. Igreja Greco-Católica Bielorrussa (também chamada Católica Bizantina Bielorussa)
  10. Igreja Greco-Católica Russa (sede em Novosibirsk, Rússia)
  11. Igreja Greco-Católica Búlgara (eparquia; sede em Sófia, Bulgária)
  12. Igreja Católica Bizantina Eslovaca (metropolitanato; sede em Prešov, Eslováquia)
  13. Igreja Greco-Católica Húngara (metropolitanato; sede em Nyíregyháza, Hungria)
  14. Igreja Católica Bizantina da Croácia e Sérvia (eparquia; sedes em Križevci, Croácia, e Ruski Krstur, Sérvia)
  15. Igreja Greco-Católica Romena (arcebispado maior; sede em Blaj, Romênia)
  16. Igreja Católica Bizantina Rutena (metropolitanato; sede em Pittsburgh, Estados Unidos)
  17. Igreja Católica Bizantina Albanesa (eparquia; sede em Fier, Albânia)
  18. Igreja Greco-Católica Macedônica (exarcado ou exarquia; sede em Escópia, Macedônia)
  19. Igreja Católica Armênia (patriarcado; sede em Beirute, Líbano)
  20. Igreja Maronita (patriarcado; sede em Bkerke, Líbano)
  21. Igreja Católica Siríaca (patriarcado; sede em Beirute, Líbano)
  22. Igreja Católica Siro-Malancar (arcebispado maior; sede em Trivandrum, Índia)
  23. Igreja Católica Caldeia (patriarcado; sede em Bagdá, Iraque)
  24. Igreja Católica Siro-Malabar (arcebispado maior; sede em Cochim, Índia)
  25. Igreja Anglicana (Londres, Inglaterra)
  26. Igreja Católica Apostólica Brasileira;
  27. Igreja Católica Apostólica Nacional;
  28. Igreja Católica Apostólica Cristã;
  29. Igreja Católica Apostólica Trinitária;
  30. Igreja Católica Livre do Brasil;
  31. Igreja Católica Apostólica Ortodoxa Americana;
  32. Igreja Católica Apostólica Ortodoxa Ocidental;
  33. Igreja Católica Apostólica Ortodoxa – Patriarcado do Brasil;
  34. Ordem dos Santos Padres Católicos Apostólicos Ortodoxos;
  35. Igreja dos Velhos Católicos do Brasil;
  36. Santa Igreja Velha Católica;
  37. Igreja Episcopal Latina do Brasil;
  38. Igreja Anglicana Tradicional do Brasil;
  39. Ordem dos Missionários de Cristo Sacerdote Eterno;
  40. Congregação dos Missionário de Cristo Sacerdote Eterno;
  41. Congregação dos Missionários de Jesus;
  42. Congregação de São José;
  43. Sociedade Missionária de São Marcos Evangelistas