O discurso de Paulo em Atenas (At 17:17-31)

IMG_5395

Acrópoles de Atenas

Acrópoles de Atenas é um imponente complexo de templos pagãos localizado no alto de uma colina rochosa, na capital grega. Desde os tempos antigos, a suntuosidade de Acrópoles foi símbolo intimidador de poder e riqueza dos seus habitantes. Ninguém podia ir a Atenas e não notá-la, visto que ela fora construída no ponto mais elevado da cidade, como o seu próprio nome sugere: Cidade Alta (do Grego ἄκρος – “alto”; e πόλις, “cidade”).  Os principais edifícios da Acrópoles ateniense são Parthenon e Erecteion.

 

Da Acrópoles é possível ter uma boa visão da cidade de Atenas em todos os pontos cardeais, e numa rápida olhada, não é difícil de localizar várias ruínas de templos antigos, afinal, já há quatro séculos antes do evangelho ser anunciado aos atenienses, tais templos já estavam lá.

“Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade.” (At 18:16)

 

IMG_5733

Parthenon

Embora os atenienses fossem religiosos e ansiosos para discutir questões religiosas, seu nível espiritual não era nada desejável, visto que viviam mergulhados em ideias meramente humanas e incapazes de salvá-los.

“Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Cl 2:8)

 

Outro lugar interessante para se visitar em Atenas é o Areópago, bem ao lado da Acrópoles. O Areópago de Atenas era um lugar a céu aberto num cimo rochoso onde o senado se reunia. Os frequentadores do Areópago eram nobres intelectuais chamados areopagitas.

 

É surpreendente imaginar como o Espírito Santo capacitou Paulo a discursar no Areópago diante de um povo tão arraigado à idolatria. Havia também na cidade, supersticiosos, intelectuais, poetas, e seguidores de IMG_6209 várias correntes filosóficas e éticas dos quais se destacavam os epicureus e estoicos com quem Paulo teve que se confrontar. Não é exagero dizer que Atenas, naquela época, era como a Índia de hoje, onde o número de deuses per capta e suas estátuas é bastante alta, a ponto de se criar adágios como: ‘É mais fácil encontrar um deus do que um homem em Atenas’.

 

Enquanto aguardava a chegada de Silas e Timóteo, seus companheiros de evangelização, Paulo passou a reparar os inúmeros templos, estátuas e altares que o rodeavam, e não pôde se conter: tratou de ir à sinagoga local, e à praças, onde procurava oportunidade para pregar, quando foi levado ao Areópago por epicureus e estoicos.

 

O famoso discurso de Paulo em Atenas deu-se por volta do ano 50-52 d.C. Paulo encontrou na cidade imagens de todas divindades gregas, inclusive, um curioso nicho reservado ao ‘Deus desconhecido’ (agnôstô Theô), o qual ele utilizou como argumento para seu discurso.

Veja: Epicureus e estoicos

 

O discurso de Paulo em Atenas

Leia: O discurso de Paulo em Atenas (At 17:17-31)

 

Paulo fez no Areópago de Atenas, um hábil e perfeito discurso que todos os pregadores deveriam ter como exemplo. Embora estivesse em um ambiente totalmente pagão, ele não começou atacando ou desaprovando as crenças atenienses; pelo contrário, com prudência e muita sabedoria e conduzido pelo Espírito Santo, fez de todo o ocorrido, oportunidade para anunciar o Salvador: JESUS Cristo. Paulo tinha pleno entendimento de que o evangelho não deveria ser pregado à toa, mas a todos. Mais tarde, Paulo mesmo escreveu aos colossenses:
“Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades. A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um.” (Cl 4:5-6)

 

Analisemos o discurso de Paulo:
  1. Antes de tudo, devemos enxergar que, ao contrário de o que muitos homens despreparados buscam hoje nas praças e nas igrejas, a pregação de Paulo não visou a sua autopromoção ou satisfação ao ter oportunidade de falar num lugar tão prestigiado, diante de magistrados. Podemos confirmar este pensamento do apóstolo ao lermos 1Co 15:9 que diz: “Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo […]”. Já um pregador ignorante pode ser tão desastroso quanto aos ouvintes ignorantes;
  2. Paulo começa elogiando a espiritualidade dos atenienses, porém, nota-se uma certa ironia:  “Senhores atenienses! Em tudo vos vejo acentuadamente religiosos” (At 17:22);
  3. Em seguida, o apóstolo procura dar recado de que mesmo sendo acentuadamente religiosos, infelizmente, os atenienses estavam na direção errada;
  4. Paulo se oferece para apresentar o Deus Desconhecido que os seus ouvintes adoravam sem conhecer (At 17:23). Veja que, desta maneira, Paulo incentiva o raciocínio daqueles que se consideravam nobres mestres e filósofos;
  5. Paulo dá um breve e leve toque contra a idolatria e procede anunciando o evangelho;
  6. Paulo prossegue seguindo o raciocínio cativando os gentios, mas ainda com cautela e paciência, chega ao ponto culminante da sua pregação. Ao lermos as epístolas paulinas, podemos notar o amor e cuidado que Paulo tinha pelo evangelho: Para ele, pregar o evangelho não era passatempo, nem aventura, ou questão de status. Quando escreveu ao rebanho em Corinto, confessou:  “[…] Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns. Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de me tornar cooperador com ele.” (1Co 9:22-23)
  7. Repare que o apóstolo toma cuidado de não pronunciar o nome de JESUS, por enquanto, para evitar qualquer blasfêmia ao santo nome por parte dos seus ouvintes; afinal, Paulo estava no berço da filosofia grega, falando diante de intelectuais seculares – seguidores de filósofos como Sócrates, Aristóteles, Platão, Epicuro, Zenon, Tales e muitos outros. Ao introduzir precipitadamente o Nome do Senhor, poderia haver risco de seus ouvintes comparar o Supremo Senhor com aqueles simples mortais. Este cuidado é fundamental para qualquer pregador fiel ao Senhor;
  8. Ele bem sabia que o nome de Cristo, o nosso Senhor era loucura para os gregos (1Co 1:23), no entanto, é fácil observar que, próximo ao fim de seu discurso, a atenção de toda a audiência está concentrada em JESUS Cristo, embora Seu nome não seja mencionado em todo o discurso;
  9. Prosseguindo com o seu discurso, Paulo chega ao ponto onde todo evangelista deve chegar: o arrependimento e a salvação por JESUS Cristo. (At 17:30-31);
  10. A decisão final fica a critério de cada um. O Senhor JESUS havia ensinado: “[…] Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.” (Mc 16:15-16). O resultado desta cuidadosa pregação começou a aparecer mesmo antes do seu término;
  11. Uns impacientes, viraram-se indo embora e outros escarneceram da palavra. Mesmo com todo o cuidado em anunciar a verdade de Deus, não podemos conquistar todos, mas felizmente, alguns pecadores que ouviram atentamente ficaram com remorso e se arrependeram, dentre os quais, a Bíblia cita o areopagita Dionísio, uma mulher chamada Dâmaris e outros (At 17:34).
Placa de rua em Atenas

Placa de rua em Atenas

Parece que o número de convertidos foi muito maior nas cidades interioranas de Filipos, Tessalônica e Corinto comparado com o de Atenas – centro cultural e reduto de intelectuais da época. Mais tarde, Paulo escreveu uma epístola aos filipenses, duas aos tessalonicenses, e duas aos coríntios; mas nenhuma aos atenienses. Veja quão isto é humilhante aos orgulhosos e poderosos deste século:

“Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus. Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos instruídos. Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação. Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.” (1Co 1:18-24)