A morte de Sara

Depois que Abraão foi provado por Deus através da suprema prova de fé, quando foi solicitado a sacrificar o seu próprio filho Isaque (cf. Gn 22), ele alcançou um altíssimo grau de fé, sendo por isso, mais tarde, chamado “o pai da fé” e “o pai de todos os que crêem” (cf. Rm 4:11).

 

Este é o momento em que poderíamos pensar que Abraão e a sua família começasse a colher bênçãos sobre bênçãos, alegria e mais alegria pelo resto de suas vidas, porém, veja o que o capítulo seguinte descreve. O Capítulo 23 de Gênesis começa com uma triste mensagem:
“Tendo Sara vivido cento e vinte e sete anos, morreu em Quiriate-Arba, que é Hebrom, na terra de Canaã […]” (Gn 23:1)

 

Qual foi a causa mortis de Sara? Se tivessem médicos legistas naquela época, que laudo teriam emitido?

Muitas vezes, as pessoas não conseguem se conformar com a morte de um ente querido e procuram saber o porquê do acontecimento. Bem, os profissionais legistas poderão explicar detalhadamente o porquê do óbito de uma vítima, porém, nessas horas, a resposta que procuram não é dos legistas, ou dos policias e testemunhas, pois querem a resposta da pergunta: “O que a pessoa fez para merecer isto?”, como se a única razão para a morte fosse a punição por algum mal cometido.

 

Repare que a primeira morte registrada na Bíblia foi a morte de um justo. O primeiro homem a morrer na história não foi Adão, o primeiro a pecar; nem Eva, a primeira a ser tentada pelo diabo; nem Caim, o primeiro assassino. A primeira vítima da morte foi um homem inocente, justo e aprovado por Deus (cf. Hb 11:4). Aquele que Deus mais amava morreu primeiro, e o assassino não foi punido com a morte, mas com a vida, destinado a vagar como um nômade na terra.

 

Repare também, que na maioria das vezes, a Bíblia não menciona a causa mortis dos homens de Deus, mas apenas diz algo como:
“Expirou Abraão; morreu em ditosa velhice, avançado em anos; e foi reunido ao seu povo.”  (Gn 25:8)

 

Conclui-se que estar vivo não é necessariamente uma bênção, nem a morte, uma maldição. Existem pessoas que vivem na maldição, que odeiam a vida, no entanto não conseguem morrer. Em contrapartida, já vimos alguns casos de pessoas que viveram pouco tempo, mas bastante abençoadas e partiram assim que receberam o chamado do SENHOR.

 

Sara morreu porque os seus dias haviam se esgotados. Ela morreu porque tinha terminado a sua vida em realização completa. Sara viveu uma vida abençoada, recompensadora e completa diante de Deus, por isso, foi se encontrar com o SENHOR no céu.

 

127 anos foram os anos de Sara. Foram “cem mais vinte mais sete” que representam três períodos de vida: 7 da infância, 20 da juventude e 100 da velhice. Sara viveu todos os períodos assim como deveriam ter sido vividos.
Assim percebemos na leitura de Gênesis 23 que Abraão chorou a morte da sua esposa, porém não se deixou dominar pelo desespero ou desânimo, porque ele entendeu que Sara morrera por ter vivido – e muito bem. Aleluia!
“Levantou-se, depois, Abraão da presença da sua morta […]” (Gn 23:3)

 

Para aqueles que servem ao SENHOR, a vida é uma bênção; e a morte também.
“Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.” (Fp 1:21)