Todavia, os altos não se tiraram

Lemos nos Livros dos Reis e das Crônicas que muitos reis de Judá fizeram o que era reto perante o SENHOR removendo, destruindo e queimando ídolos e extinguindo abomináveis cultos idólatras de suas terras; no entanto, deixaram altos, e o povo continuava a sacrificar e queimar incenso neles.

 

Os altos referidos aqui são altares dedicados a deuses falsos, e isto se confirma em 2Rs 18:4 onde está escrito que o rei Ezequias removeu-os em obediência às leis de Deus, assim como fez o seu bisneto, Josias:

“Também o altar que estava em Betel e o alto que fez Jeroboão,filho de Nebate, que tinha feito pecar a Israel, esse altar junto com o alto o rei derribou; destruiu o alto, reduziu a pó o seu altar e queimou o poste-ídolo.”  (2Rs 23:15)

 

Altos ou altares eram monumentos erguidos para adorar o SENHOR oferecendo sacrifício(s). No entanto, muitos povos, desde a antiguidade têm erguido altos a deuses falsos, coisa esta que os profetas de Deus sempre combateram.

 

Depois da morte do rei Davi, alguns dos seus sucessores introduziram idolatria na terra que o SENHOR havia concedido aos seus antepassados, os quais o SENHOR havia dito para que não se contaminassem conforme a abominação dos cananeus (cf. Dt 18:9-14).

“Porque também os de Judá edificaram altos, estátuas, colunas e postes-ídolos no alto de todos os elevados outeiros e debaixo de todas as árvores verdes. Havia também na terra prostitutos-cultuais; fizeram segundo todas as coisas abomináveis das nações que o Senhor expulsara de diante dos filhos de Israel.” (1 Reis 14:23-24)

 

Mais tarde, procurando obedecer os mandamentos de Deus, outros reis se esforçaram em eliminar os ídolos e cultos pagãos, porém nos livros dos reis está registrado que durante muitas gerações, curiosamente os altos sobreviveram, seja por incompetência dos monarcas em removê-los ou mesmo pela falta de inteireza de coração:

 

Reformas parciais

    • Asa (911 a.C – 870 a.C.) – tirou os ídolos da terra, mas não tirou os altos (1Rs 15:11-14);
    • Josafá (870 a.C – 848 a.C.) – imitou o exemplo de Asa, seu pai, até tirando alguns ídolos que Asa não removera, mas ele ainda não tirou os altos (1 Reis 22:43-47);
    • Amazias (796 a.C. – 781 a.C.) – também fez o que era reto perante o Senhor, mas os altos não foram tirados (2 Reis 14:3-4);
    • Uzias (781 a.C. – 740 a.C.) – obedeceu a Deus em muitos sentidos, mas não tirou os altos (2 Reis 15:3-4);
    • Jotão seguiu o bom exemplo do seu pai, Azarias (Uzias), “Tão-somente os altos não se tiraram; o povo ainda sacrificava e queimava incenso nos altos” (2 Reis 15:34-35).

 

Ezequias e Josias

O rei Ezequias foi contemporâneo do profeta Isaías. Sob o conselho do profeta de Deus, Ezequias fez uma grande reforma religiosa, empenhando-se para andar retamente perante o SENHOR. Além de abolir a idolatria, Ezequias tirou os altos (2Rs 18:1-6). Depois da morte de Ezequias, o seu filho Manassés sucedeu o trono, e reintroduziu todas as abominações que o seu pai havia eliminado (2Rs 21:1-18). O filho de Manassés também seguiu os mesmos passos pecaminosos, até que foi assassinado pelos seus próprios homens. Com a chegada de Josias ao trono, mais uma vez Judá pôde ser abençoado, pois Josias, a exemplo de Ezequias, seu bisavô, destruiu os altos e práticas idólatras (2Rs 23:8,13,15,19,24,25).

 

Uma lição para os dias de hoje

Os altos da época dos reis equivalem a muitas crenças e tradições infiltradas na cultura de vários povos que nunca foram autorizadas pelo SENHOR. Talvez os mesmos erros que os antigos cometeram continuem sendo repetidos hoje no meio cristão quando igrejas se envolvem em festas juninas, carnaval, finados, Natal, e outras festas pagãs.

 

Quando o povo israelita estava para atravessar o Jordão para finalmente entrar e possuir a terra de Canaã, Moisés fez discursos. Leia: Deuteronômio 12 – O lugar do culto verdadeiro.

 

Ao atravessar o rio Jordão, a primeira tarefa dos israelitas era a expulsão dos povos pagãos que ocupavam a terra de Canaã. O povo de Deus teria que destruir totalmente os ídolos e altos usados por esses povos para cultos pagãos. Passadas alguma gerações, os israelitas se esqueceram do compromisso com o Senhor, nosso Deus e passaram a cometer as mesmas abominações que os habitantes daquela terra haviam cometido antes da chegada deles. O SENHOR havia dito:

“Não andeis nos costumes da gente que eu lanço de diante de vós, porque fizeram todas estas coisas; por isso, me aborreci deles.” (Lv 20:23)

 

Houve épocas em Judá que nem os sacerdotes corrigiam o povo. Às vezes, os próprios reis conduziram o povo à idolatria, incentivando a desobediência da vontade do Senhor.

 

Devemos aprender a buscar a vontade de Deus e voltar a fazer a vontade dele em tudo. Não temos direito de manter nem defender doutrinas, práticas e tradições que não vêm da palavra do Senhor.

 

Alguém pode objetar dizendo que vivemos hoje no tempo da graça, e não no Velho Testamento. É certo que a lei foi ultrapassada pela fé (cf. Gl 3), mas esse fato não justifica desrespeito para com a vontade de Deus.

“Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum!” (Romanos 6:1-2).

Veja: Obelisco