Livro de Rute (ルツ記)

“[…] Imitai a fé que tiveram.” (Hb 13:7)

 

O Livro de Rute não fala de espadas, cavalos, homens valentes, feras, tampouco de guerras, como se vê nas histórias de Davi, Gideão, Moisés, Jefté, entre outros, porém narra a fé de uma pessoa como muitos de nós: estudantes, aposentados, homens trabalhadores, ou dona de casa.

 

O acontecimento registrado nesse livro data da época dos Juízes de Israel que foi um período bastante tumultuado da história daquela nação. Quem já leu o Livro dos Juízes sabe que, naquela época, o povo amado de Deus andava errante, e muitas vezes, o Senhor quis repreender e disciplinar, como diz em Hb 12:7
“É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos);  pois que filho há que o pai não corrige?”

 

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Percorrendo a moderna estrada da Jordânia, antiga Moabe. Ao fundo, Mar Morto e Belém.

O Livro de Rute começa com uma narrativa contando que a família de um belemita chamado Elimeleque migrou para o país vizinho Moabe, talvez fugindo das dificuldades em que o seu país atravessava.

 

Possivelmente,  Elimeleque  e  a  sua  família,  não  querendo a disciplina do Senhor, preferiram uma vida alternativa, no país vizinho, Moabe. Talvez, por isso, os homens daquela família tiveram as suas vidas ceifadas.

 

Rute e Orfa eram noras de Elimeleque e Noemi. Primeiro, morreu Elimeleque, depois o seu marido e seu cunhado. Ficaram apenas três mulheres, três viúvas.

 

Com a morte dos homens da família, Noemi, a sogra de Rute, resolveu voltar para Belém em Israel, à terra do seu marido. As duas noras a seguiram até um certo ponto, quando Noemi as aconselhou para que voltassem às suas casas de origem, pois eram moabitas. Orfa, dando um beijo, se despediu de sua sogra e voltou ao seu povo e aos seus deuses (Rt 1:15), mas Rute insistiu em ir para Israel com a sua sogra e disse:
“[…] O teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus.” (Rt 1:16)

 

No Novo Testamento, Epístola aos Hebreus 11:1 diz:
“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem”
 
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Área rural de Belém, hoje território palestino

Então, o que Rute esperava, e em que ela tinha convicção? O que  Rute enxergou que Orfa não viu? Será que Rute viu um Deus severo que ceifou a vida do seu esposo, sogro e cunhado e ainda castigou o povo deles com fome, derrota nas guerras e servidão? Não. Rute sabia que o SENHOR Deus de Israel é um Senhor justo que pune as transgressões dos ímpios, mas abençoa aos que guardam os Seus Mandamentos. Então, Rute tendo convicção disto, se dispôs a enfrentar todos os obstáculos que poderiam surgir para servir o Deus de Israel. Mas que tipo de obstáculos? De todos os tipos: como compromisso em cuidar da sua sogra; caminhar por muitos dias sob forte calor do deserto carregando os seus poucos pertences que restaram, mais os de Noemi; a discriminação que poderia sofrer em Belém por ser estrangeira; ter que trabalhar dobrado para se sustentarem…

 

No Capítulo 2, entra em cena Boaz, um generoso proprietário de terras, temente a Deus como percebemos em Rt 2:4, que começa a se interessar por Rute. Já no capítulo seguinte (Rt 3:1-3), Noemi incentiva Rute a buscar um novo lar, e para isso, dá o seguinte conselho para se encontrar com Boaz:
“Banha-te, e unge-te, e põe os teus melhores vestidos e desce à eira […]”

 

O Antigo Testamento é alegoria e também pré-figuração das coisas que aconteceriam posteriormente, bem como a salvação dos gentios (Cf Rt 2:10-11). Assim, Rute representa a nós; Noemi, a igreja que aconselha os seus membros; e Boaz, salvador. Banhar-se significa receber o batismo; ungir é receber o Espírito Santo; e finalmente, por os melhores vestidos é usar uma vestidura nova para se encontrar com Cristo (cf. Ap 3:5; 19:8).

 

Ao ouvir os conselhos de Noemi,
“Respondeu-lhe Rute:  tudo quanto me disseres, farei.” (Rt 3:5)

 

Lembremos também da Palavra escrita em Amós 4:12 que diz:
“[…] Prepara-te, ó Israel, para encontrares com o teu Deus.”

 

Era Festa da Colheita e Boaz, após ter participado do louvor a Deus, foi dormir. Rute, conforme as instruções da sogra, chegou de mansinho e ficou esperando Boaz acordar, pois tinha um assunto muito importante a tratar.
“Estai de sobreaviso, vigiai [e orai]; porque não sabeis quando será o tempo” (Mc 13:33)

 

Existem certos momentos na vida em que ninguém poderá acompanhá-lo – só você e a sua fé. Noemi aconselhou e Rute a ouviu atentamente. Coube a Rute por em ação tudo o que ouviu:
“Porque, assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta.” (Tg 2:26)

 

Boaz confirmou a sua aliança com Rute com as seguintes palavras (Rt 3:10-11):
  • “Benditas sejas tu do SENHOR”;
  • “Melhor fizeste a tua última benevolência que a primeira”;
  • “Pois não foste após jovens, quer pobres, quer ricos”;
  • “Não tenhas receio”;
  • “Tudo quanto disseste eu te farei”;
  • “És mulher virtuosa”.
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Percorrendo de carro, a antiga Moabe.

O SENHOR abençoou o casamento de Rute com Boaz e ela concebeu e nasceu um menino e se chamou Obede. Este gerou Jessé, que foi paide Davi (cf. Rt 4:17). Certamente o SENHOR faz maravilhas na vida dos que O temem. Quando Rute estava deixando a terra de Moabe com grande sofrimento, jamais imaginaria tamanha bênção e felicidade que estaria por vir; por isso, nunca desanimemos, tampouco murmuremos. Apenas, confiemos em Deus.

“Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará.” (Sl 37:5)

 

 

Note também o que  as amigas que vieram ver o recém nascido disseram à Noemi:
“[…] Tua nora, que te ama, o deu à luz, e ela te é melhor do que sete filhos.” (Rt 4:15)

 

E as bênçãos não terminam por aqui, pois no N.T., Mateus 1:1-17 vemos que muitas gerações depois, veio o Senhor JESUS, o nosso Resgatador. Que família abençoada, que alegria!

 

Talvez Rute não vivia mais quando nasceu o seu bisneto Davi, que mais tarde viria a ser rei de Israel. Por isso, diz em Hebreus 11:39 – “Ora, todos estes que obtiveram bom testemunho por sua fé não obtiveram, contudo, a concretização da promessa” porque a nossa vida e a bênção não se limitam apenas a este mundo, mas no porvir.