Inversão de valores

Inversão de valores é rebelião moral que contribui para deturpação da ética, onde o certo e o errado se confundem. Um valor, seja ele uma pessoa, animal, objeto, tempo, crença, intenção etc é uma prioridade – é o que se considera mais importante em comparação a outros elementos. A geração terminal vive em meio a crises de identidade pessoal e/ou social, e já não sabe quem é, nem o que quer: pessoas deturpadas mudam o conceito do bem e do mal, do certo e do errado, do valoroso e do desprezível, e assim por diante. Os transtornados e os que não receberam a devida disciplina tenderão a ceder com mais facilidade à inversão de valores acabando sendo influenciados pela supervalorização do que não é realmente importante.

Veja: Rebeldia é pecado

Um indivíduo mal educado, portanto, mal intencionado e ignorante dificilmente criará verdadeiros valores; porém, poderá ser altamente capaz de inverter os valores verdadeiros já existentes e procurar apresentar como se fosse algo totalmente novo. Mais uma vez, quero citar a Palavra do Livro de Provérbios que diz:

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida.” (Pv 4:23)

 

Inversão de valores não é necessariamente troca do ótimo pelo péssimo – a troca do 1° pelo 2°, ou do 4° pelo 8° já é inversão.

 

De uma forma mais sutil, a desordem na classificação, e a troca de papéis também são inversões de valores. O Senhor JESUS disse: “Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é […]” (Mt 22:38-39) mostrando ao saduceu que O experimentou o valor de cada mandamento em ordem de grandeza ficando claro de que os valores não podem ser invertidos segundo a classificação dada pelo Senhor. Outra passagem clássica da Bíblia, no que se diz respeito à ordem de classificação por importância é: “Buscai, pois, em primeiro lugar o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mt 6:33).

 

Há também no discurso do Senhor, mensagens como: Os últimos serão os primeiros e os primeiros serão últimos (cf. Mt 20:16; Mc 10:31; Lc 13:30) – referindo-se à soberana vontade de justiça do SENHOR em salvar os homens, o que não deve ser entendida como injusta inversão de valores.

 

 

O fulano é bom…

Bom de bondade, bom de briga, bom de garfo, bom trabalhador, bom soldado… ?

A bondade do coração não deve ser confundida com a aptidão. Como você deve ter visto nas postagens anteriores, as coisas que referem ao coração moldam o caráter humano, enquanto que a aptidão é talento que um indivíduo desenvolve ao longo da sua existência para se adaptar às exigências da vida. Ambos são importantes, porém, o caráter é prioritário.

 

Veja no exemplo de Sansão: um homem forte, usado pelo SENHOR para libertar Israel do jugo dos filisteus, porém de caráter pouco louvável. Sansão era um homem com muitíssimos testemunhos: Desde o seu  nascimento, a sua força, o livramento, e até a sua morte – Deus estava sempre com Sansão, porém, o seu coração não era fiel ao SENHOR.

 

Lembremos também da mensagem em Mt 7:21-23 que afirma categoricamente que nem todos os que fazem obras entrarão no Reino dos céus – mostrando mais uma vez, que o coração é prioridade em relação à aptidão, e quando os seus  valores são invertidos o homem poderá até perder a sua salvação.

 

De maneira nenhuma estou dizendo para negligenciar as obras. O que quero dizer também é que as obras devem ser baseadas nas Escrituras, porque existem sim, muitas pessoas de bom coração com boas ideias e querem servir ao evangelho, porém, de forma errada. No caso a seguir, parece que Simão, o mágico priorizou as obras (testemunho) ante o coração (fé baseado nas Escrituras):

“Vendo, porém, Simão que, pelo fato de imporem os apóstolos as mãos, era concedido o Espírito [Santo], ofereceu-lhes dinheiro, propondo: Concedei-me também a mim este poder […]. Pedro, porém, respondeu: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois julgaste adquirir, por meio dele, o dom de Deus. Não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus.” (At 8:18-21)

 

Um dos maiores desafios do homem é arquitetar e construir a história da sua própria vida. Ai do dono do coração confuso e enganado, incapaz de discernir o ético do antiético e que está condenado a viver nas trevas. Na verdade, assim também é a história do mundo: guerras.

 

inversão de valores

Arlington Cemetery – muitos militares americanos sonham em ser sepultados como heróis.

Nos tempos de guerras e nos que antecedem a elas, sempre há grandes investimentos para propaganda de guerras. Ops, propaganda de quê mesmo? – Propaganda para inverter os valores, ou seja, um investimento maciço para que fatores repugnantes como o desrespeito, invasão, destruição, morte e outros sejam aceitáveis, e até desejáveis. Em fim, nos tempos de guerra, cometer atrocidades se torna ato de bravura.

“Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!” (Is 5:20)

 

Assim também, os valores cristãos vêm sendo influenciados cada vez mais por propagandas com valores invertidos. O mundo vale mais do que o reino dos céus, os bens materiais valem mais do que espirituais, as festas pagãs valem mais do que o evangelho, o corpo corruptível mais do que a alma, os pets valem mais do que a família…

“Houve alguma nação que trocasse os seus deuses, posto que não eram deuses? Todavia, o meu povo trocou a sua Glória por aquilo que é de nenhum proveito.” (Jr 2:11)

 

Exemplos

Tudo o que está ao nosso redor é exemplo. Não basta ao homem viver num mar de exemplos, mas cabe a ele saber escolher os melhores, porque são eles que determinam o caráter humano.

“Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mt 6:21)

 

Paulo ensinou aos coríntios: O amor é maior de todos os dons (1Co 13). A questão para muitas pessoas é: a quem, ou o que amar? Se alguém amar algo errado, certamente terá um caráter degradante. Sendo assim, é necessário buscar o que é realmente valoroso, para então nele investir a sua vida.

 

Todo homem precisa de exemplos para se espelhar, e estes exemplos são consideráveis tesouros para arquitetar e construir a sua própria vida. Os primeiros exemplos da vida são os nossos próprios pais, depois, com o tempo, o homem passa a considerar os professores, pastores, etc. formando assim o seu caráter.

 

O Senhor disse ser possível conhecer a árvore pelos seus frutos (cf. Mt 7:20). Assim, pelo caráter de uma pessoa, fica fácil saber como é o seu ambiente familiar: Uma pessoa pode querer resolver questões cotidianas no trabalho a base de berros e pontapés, porque, provavelmente isso é normal na sua casa e não acha nada errado comportar-se de tal maneira onde quer que esteja.

“Quanto melhor é adquirir a sabedoria do que o ouro! E mais excelente, adquirir a prudência do que a prata!” (Pv 16:16)

 

Uma boa reputação vale mais do que qualquer bem material: uma pessoa põe em risco a sua reputação, sendo chamado ladrão, em troca de riqueza mal adquirida. O que vale mais para um indivíduo assim?

 

Ter um ou mais exemplos significa ter uma meta a atingir, o que motiva um indivíduo a buscar aquilo que considera valoroso. Um mau exemplo é algo desprezível, mas a alguém que não percebe isto, pode se tornar atraente. O grande problema dos dias atuais são as chamadas inversão de valores. Parece que a humanidade perdeu a noção do que é valoroso para a sua existência. Valorizar um exemplo errado certamente terminará em grandes tragédias. Nos tempos de Pelé, Garrincha, e outros, os jogadores eram elogiados como bailarinos que davam espetáculo nos gramados com suas técnicas e criatividades. Passado meio século, selvagens colecionadores de cartões vermelhos e amarelos que mordem a orelha do adversário, que fraturam a perna do outro propositalmente ou que dão cotovelada no nariz do outro jogador são tidos como exemplo – contanto que marquem gols para os seus times.  Inversão de valores é banalização dos objetivos da vida! Veja que os valores dependem da cultura e da educação que um indivíduo recebe.

“Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas viva, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas.” (Jr 2:13)

 

 

A disciplina

Uma boa disciplina é um grande investimento para toda a vida. Não basta apenas ser uma pessoa de bom coração. Um homem deve ter o seu foco em bons exemplos a serem alcançados. Quem nunca viu caso em que alguém “bom” foi manipulado para obras más? Para que isso não ocorra, é necessário ser disciplinado.

Versículos da Bíblia – clique: disciplina

 

Disciplinar é mais do que ensinar – é ensinar metodicamente fazendo se sujeitar com obediência e temor. O SENHOR ordenou a Moisés ensinar os hebreus a inculcarem as Leis aos seus próprios filhos (cf. Dt 6:6-7).

 

O objetivo da disciplina bíblica é de focar o que realmente merece receber atenção para um caminhar saudável na fé. A tendência do homem terreno é de buscar o pecado. Sem a devida disciplina o homem será destruído.

“O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento […]” (Os 4:6) 

 

O mundo passa, e os seus valores mudam: moda, profissões, foco de estudos… e isto é bom quando se trata de bons exemplos. Há porém, algo que não muda nem com os tempos, que é a Palavra do Senhor – e é nela que devemos ser disciplinados e conduzidos:

“Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.” (Mt 24:35)

 

Em fim, tudo o que realmente é valioso permanecerá, porém o que o homem considera tesouro, mas na verdade não o é, desaparecerá:

“Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará.” (1Co 3:12-13).