Ética na igreja

Ética é um código de procedimento adequado que devemos tomar perante a sociedade. Ela faz parte da ciência filosófica que estuda a postura moral do que devemos ou podemos fazer, e também, o que estamos proibidos de fazer. O conjunto desses códigos éticos se diz etiqueta. Ninguém nasce com ela como se fosse um instinto, mas é adquirida ou conquistada por hábito a partir das relações coletivas dos seres humanos na sociedade onde vivem.

 

Ética na igreja

Em todo lugar existem regras sociais a se cumprir, e na igreja não é diferente:

“[…] Fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade.” (1Tm 3:15) 

 

Quando falamos de ética na igreja, estamos falando do nosso comportamento nela: A igreja está no mundo, mas ela não pertence ao mundo. Por isso, devemos tomar o máximo de cuidado para não trazer ensinos, costumes e atitudes mundanas à igreja de Deus. Fomos salvos pela graça, não pelas obras; mas isto não significa que o Senhor não se importa com as nossas obras. A Bíblia nos ensina claramente que a prática de boas obras é necessária na vida dos que foram salvos, obtendo-se, assim, bons testemunhos que se associam com a verdadeira adoração. Entende-se por obras: as atitudes corretas do cristão perante o seu Deus, para com igreja e para com o mundo.

 

Todos viemos do mundo, porém, mortificando as obras da carne com o novo nascimento em Cristo, devemos adquirir costumes celestiais, não nos conformando com o mundo. As palavras de Pedro  mostram que a ética do mundo é vazia, como segue abaixo:

“Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver que lhes foi transmitida por seus antepassados” (1Pe 1:18 NVI)

 

As atitudes incoerentes de algumas pessoas na igreja denunciam a clara perda de seu rumo espiritual, ou a sua inexistência, comportando-se como ovelhas desgarradas que não tem pastor. Por quê? Porque se recusaram a seguir a Deus e a observar os Seus santos mandamentos, razão pela qual sentem um grande vazio espiritual que fazem andar perdidos, mesmo na igreja.

“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras.” (Tt 2:11-14)

 

Atitudes incoerentes

Ninguém faz o que quer, quando quer e do jeito que quer, seja no trabalho, na escola ou em qualquer outro local público ou privado. Até em praças públicas pode haver regras, como por exemplo: não pisar na grama. Se em todos os lugares há regras e obedecemos, seja por educação ou consciência, quanto mais devemos obedecer a disciplina na igreja. JESUS fala a respeito da boa conduta relacionada a fé e salvação através da parábola do bom servo e do mau (cf. Mt 24:45-51).

 “Acaso, é para vós outros coisa de *somenos que o Deus de Israel vos separou da congregação de Israel, para vos fazer chegar a si, a fim de cumprirdes o serviço do tabernáculo do SENHOR e estardes perante a congregação para ministrar-lhe […]?” (Nm 16:9-10)

*Dicionário – Somenos: inferior; desprezível; ordinário; barato.

 

É óbvio que o verdadeiro adorador deve santificar o SENHOR, o santuário, e tudo o que nele está, e além do mais, deve-se preocupar em não passar impressão de estar desprezando o que é santo. Às vezes, certas atitudes podem ser interpretadas como proposital, ou de desprezo por outras pessoas, mas podem ser evitadas ou amenizadas com um pouco de bom senso. Uma atitude incoerente pode atrapalhar a ministração de um culto, e poderá criar desordens, ou até um tumulto durante o culto.

“Os seus sacerdotes transgridem a minha lei e profanam as minhas coisas santas; entre o santo e o profano não fazem diferença, nem discernem o impuro do puro; e dos meus sábados escondem os olhos; e, assim, sou profanado no meio deles.” (Ez 22:26)

 

 

Recomendações para um culto solene, espiritual, sério e abençoado

“Deus é Espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.24)

 

O SENHOR, nosso Deus exige de nós um comportamento adequado, por isso, não devemos nos esquecer que também temos regras a cumprir para com o SENHOR Deus e a Sua igreja:

“Guarda o pé, quando entrares na Casa de Deus; chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal.” (Ec 5:1)

 

  • Ao chegar no templo, procure sentar-se, sem deixar lugares vazios à sua frente. Deixe os bancos de trás para os irmão que por algum motivo não conseguem chegar no horário. Não faz sentido sentar-se na última fileira, sendo que os assentos mais à frente estão desocupados, principalmente nos dias em que o templo está mais vazio. Essa atitude é comum e aceitável quando se trata de visitantes, porém, aos de Casa pode ser interpretada como de desdém;
  • Procure não ocupar mais assentos do que o necessário para si mesmo sentar deixando objetos pessoais sobre o assento ao lado, dificultando, assim, a acomodação dos irmãos que vêm chegando. Oremos para que o Senhor nos abençoe com um templo mais espaçoso.
  • Evite chegar atrasado ao culto. Nós temos um grande compromisso inadiável com o nosso Salvador;

  • Preste bastante atenção à mensagem poderosa e cheia do Espírito Santo pregada do púlpito. A sua imediata reação com améns, bem como o seu semblante e postura corporal podem influenciar muito ao bom andamento do culto;

  • Tenha o bom senso procurando não cruzar a frente do pregador e dos ouvintes. Caso tenha que sair por algum motivo emergencial, faça-o discretamente para não atrapalhar o louvor;

  • Controle-se. Não fique a conversar com alguém durante o culto, sob algum pretexto. Você pode deixar isso para quando terminar o culto;

  • Evite sair do templo ou ir ao banheiro, sem necessidade, durante o culto. Banheiro de templo é para casos específicos ou de emergências. Pessoas que no culto ficam entrando e saindo de banheiro estão doentes, são viciadas nisso, estão se exibindo, ou não querem santificar o culto ao Senhor;

  • Não cultive o hábito de se levantar para tomar água durante a ministração do culto. Faça isso antes ou depois;

  • Procure ajudar a abrir a Bíblia aos irmãos que têm dificuldades. Pode haver no nosso meio muitos que não tiveram oportunidade ao estudo, e por isso tem leitura precária;

  • Evite manusear o telefone celular ou outros objetos que não tem qualquer nexo com as atividades durante o culto;

  • Sentar-se ou levantar-se bruscamente chama atenção e desconcentra a igreja na sua atividade. Portanto, evite tais atitudes para não atrapalhar o bom andamento do culto;

  • Procure não falar de assuntos não cristão nas dependências do templo, antes, durante e depois dos cultos. Se tiver algum assunto em especial fora do contexto bíblico e quiser conselhos, procure o pastor fora dos momentos de culto para não desviar do nosso coração a alegria do Espírito dos momentos de louvor;

  • Carícia é diferente de carinho: Não há necessidade de demonstrar intimidades com o seu cônjuge na Casa do Senhor. O acariciamento é íntimo e sensual – tal atitude não convém num ambiente santo como no templo do Senhor. Isso é também desequilíbrio e falta de discernimento. Quanto aos irmãos da fé, é necessário tratá-los todos com carinho e respeito e dignamente;

  • É totalmente reprovável mascar gomas, chupar balas ou comer qualquer coisa dentro do templo. A Casa de Deus não é lugar para tais finalidades;

  • Na parábola das bodas em Mt 22:11-14, embora esteja o Senhor nos ensinando a respeito da salvação, podemos verificar que a igreja que é a noiva de Cristo deve se apresentar dignamente vestida perante o Noivo JESUS. Portanto, para os cultos, usemos um traje decente, e de bom gosto, sem propagandas, motivos ou frases; e aproveite para cobrir tatuagens feitas nos tempos de ignorância – se tiver.

     

Apliquemos esses princípios para que o templo do SENHOR não seja profanado, e teremos um culto cristão descente, e de qualidade. Não podemos perder o nosso fervor espiritual por causa da mornidão de alguns.

 

O templo do Senhor é digno de todo o respeito:

  • “Guardareis os meus sábados e reverenciareis o meu santuário. Eu sou o SENHOR.” (Lv 19:30);
  • “Torna-te, pessoalmente, padrão de boas obras. No ensino, mostra integridade, reverência” (Tt 2:7);
  • “Deus é sobremodo tremendo na assembléia dos santos e temível sobre todos os que o rodeiam.” (Sl 89:7);
  • “Fidelíssimos são os teus testemunhos; à tua casa convém a santidade, SENHOR, para todo o sempre.” (Sl 93:5);
  • “O SENHOR, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra.” (Hb 2:20);
  • “Não tendes, porventura, casa onde comer e beber? Ou menosprezais a igreja de Deus e envergonhais os que nada têm? […]” (1Co 11:22).

Consideremos que sempre há exceções quando se trata de irmãos que necessitam de cuidados especiais. Para não correr o risco de cometer injustiças contra esses irmãos, procure não julgar o comportamento alheio, mas o seu próprio.

 

“Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.” (1Co 11:31-32)

 

Consciência moral

A consciência é, entre muitas outras definições, a capacidade de perceber a relação entre si e um ambiente. A consciência moral é capacidade de discernir o certo do errado, o santo do profano. Essa capacidade dá ao homem a liberdade de escolha, e consequentemente, assumir a responsabilidade pela sua escolha.

 

Não confundamos a liberdade com falta de educação

Há quem diga que é livre para pensar e fazer o que deseja, do seu próprio jeito, inclusive adorar a Deus (também do seu próprio jeito). No entanto, uma pessoa socialmente adaptada, é uma pessoa que sabe que não se deve viver de um jeito egoísta – goste ou não, uma pessoa equilibrada cede os seus passos gentilmente, com sabedoria e se adequando a cada situação.

“Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam. Ninguém busque o seu próprio interesse, e sim o de outrem” (1Co 10:23-24)

 

Veja: Comportamento Cristão

O comportamento humano diante de Deus é um assunto que se originou nos tempos remotos. O SENHOR, nosso Deus fez o homem como um ser moral, responsável, que tem consciência do que deve, ou não fazer.

Todo cristão conhece o seguinte trecho da oração:

“[…] Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6:9)

 

Também, é do conhecimento de todos que sempre existiram bons e maus adoradores:

 

Quando se fala, portanto, em conduta ideal do homem, em forma de agir, ou em comportamentos adequados, sempre teremos, de um lado, o comportamento exigido por Deus, proposto pelo Criador, determinado pelo Soberano Senhor dos céus e da terra, como, também, de outro lado, as propostas humanas de conduta e de comportamento, fruto da rebeldia do ser humano e de seu estado pecaminoso – muitas vezes, erroneamente chamadas de liberdade de expressão.

 

O que está acontecendo em certos lugares é algo muito perturbador, que certamente faria qualquer homem sério perguntar: “Que deus é esse de vocês, que recebe esse tipo de culto desprezível, deturpado e barato?” Mas, lamentavelmente, isto tem se tornado comum em muitas congregações evangélicas. Atos de desprezo nos templos – sejam propositais ou por ignorância e falta de boa educação, como: conferir mensagens no celular, dormir, brigar, preencher palavras-cruzadas, jogar games, andarilhos tentando interromper o culto para pedir esmolas, moças apreciando as próprias unhas, gente apoiando a mão, o cotovelo ou o pé no púlpito para conversar com outro irmão ou pastor após o culto. Já vi até pessoas cortando unhas durante o culto! Essa falta de boa educação já havia sido profetizada para a geração final em 2Tm 3:1-17. Que o SENHOR seja misericordioso para com essa gente!

“Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso mesmo ceifará.” (Gl 6:7)

 

 

Conclusão

“Lembraram-se os seus discípulos de que está escrito: O zelo da tua casa me consumirá.” (Jo 2:17)

 

Os cuidados e zelos pelo templo do SENHOR também representam o nosso profundo temor e submissão a ELE. É também o valor que damos ao templo que foi consagrado ao SENHOR. Todos os salvos têm uma parcela de responsabilidade em zelar pela obra de Deus, e isso inclui a cooperação para a boa ordem no culto.

 

Entretanto, é necessário que cada um de nós sintamos angústia e preocupação pelas situações depreciáveis criadas pelos próprios congregados nos cultos ao Senhor em nossas igrejas. Que se cumpra em nós a Palavra: “O zelo da tua casa me consumirá”.