Epístola de Judas

  • “Rogo-vos, queridos irmãos, que tomem muito cuidado com aqueles que causam divisões e levantam obstáculos à doutrina que aprendestes. Afastai-vos deles! Porquanto essas pessoas não estão servindo a Cristo, nosso Senhor, mas sim a seus próprios desejos. Mediante palavras suaves e bajulação, enganam o coração dos incautos. […]” (Rm 16:17);
  • “Acautelai-vos quanto aos falsos profetas. Eles se aproximam de vós disfarçados de ovelhas, mas no seu íntimo são como lobos devoradores.” (Mt 7:15);
  • “Conforme já vos revelei antes, declaro uma vez mais: qualquer pessoa que vos pregar um evangelho diferente daquele que já recebestes, seja amaldiçoado!” (Gl 1:9);
  • “Se alguém desobedecer às nossas orientações, expressas nesta carta, observai-o atentamente e não tenhais contato com ele, para que o mesmo se sinta envergonhado” (2Ts 3:14);
  • “Quanto àquele que provoca divisões, adverte-o uma primeira e, ainda, uma segunda vez. Depois disso, rejeita-o.” (Tt 3:10);
  • “Se alguém chegar a vós, mas não trouxer essa doutrina, não o recebais nas reuniões em vossas casas, tampouco o saudeis.” (2Jo 1:10);
  • “Estes são os que provocam divisões entre vós, os quais são dominados pelas paixões de suas próprias almas e não têm o Espírito.” (Jd 1:19).

 

As Escrituras Sagradas ressaltam o grande perigo de pessoas que apenas falam de Deus, mas não ensinam a Sua verdade. O nosso Senhor JESUS falou de “falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (cf. Mt 7:15). O apóstolo Paulo disse que, mesmo dentre os presbíteros de Éfeso, se levantariam “homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles” (cf. At 20:30). Na Epístola de Paulo aos Gálatas há uma severa advertência para os que se atrevem a aventurar fora do Caminho (Gl 1: 6-9). E, Judas exorta os discípulos a ficarem atentos aos homens que não trazem a fé verdadeira.

 

 

Epístola de Judas

A batalha pela verdadeira fé (v. 1-4):

É provável que Judas (não confundir com Judas Iscariotes, o traidor) seja irmão do próprio Senhor JESUS (cf. Mt 13:55), mas na epístola, descreve -se simplesmente como servo, algo que ele tem em comum com todos que são “chamados, amados […] e guardados em Jesus Cristo” (v. 1-2). Desejando escrever da salvação comum entre eles, Judas viu a necessidade de encorajá-los a batalharem “diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (v. 3).

 

Judas fala da doutrina revelada por Cristo, seus apóstolos e profetas (cf. Ef 3:3-5; At 6:7, 8:13; Gl 1:23). Esta doutrina já havia sido entregue aos santos “uma vez por todas” à igreja primitiva, no primeiro século. O motivo da exortação a lutar é que alguns indivíduos entraram desapercebidos na igreja e estavam ensinando doutrinas e práticas que levariam os discípulos a abusarem da graça do Senhor e negarem a autoridade absoluta do Senhor (v. 4). Quem não lutar preparado pelo conhecimento e pela prática da fé revelada por Cristo, por sua ignorância cairá em castigo com os homens condenáveis que trazem doutrinas falsas.

 

Condenação dos ímpios (v. 5-16)

O SENHOR nunca aceitou rebeldia contra sua autoridade: não de seu próprio povo escolhido (v. 5), nem de anjos (v. 6), nem de outros povos da terra (v. 7). Judas ensina que aqueles que ensinam libertinagem são rebeldes, sem respeito pelo governo de Deus (v. 8-9). Não compreendendo a graça do Senhor, agem feito animais (v. 10). Desta forma, eles se parecem muito com os fariseus que por se acharem sabichões, criticavam a JESUS; faziam isto em nome do seu “conhecimento” e seguiam os mesmos caminhos de homens como Caim, Balaão, e Corá (v. 11). Com exemplos fortes, Judas mostra que a aparência de homens como esses é só engano, e que Deus, desde muito, prepara juízo contra a impiedade, sensualidade, arrogância e ganância (v. 12-16).

“Estes, porém, quanto a tudo o que não entendem, difamam; e, quanto a tudo o que compreendem por instinto natural, como brutos sem razão, até nessas coisas se corrompem”. (Jd 10)

 

Em 1Tm 1:7 está: “Pretendendo passar por mestres da lei, não compreendendo, todavia, nem o que dizem, nem os assuntos sobre os quais fazem ousadas asseverações”. Estes são aqueles que falam demais, mas não tem nada a dizer; parecem ousados, mas na realidade não passam de ignorantes que gostam de tumultos.

 

 

Árvores sem frutos

“Árvores em plena estação dos frutos, destes desprovidas, duplamente mortas, desarraigadas”. (Jd 12)

 

Não se trata do fruto de milagre porque JESUS diz: “surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos”(Mt 24:24).

 

Então que fruto é esse? É fruto de caráter descrito em Gl 5:22 e em 1Tm 3:2-6:

“É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito, pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?; não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo.

 

 “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?” (Mt 7:16)

 

Murmuradores descontentes

“Os tais são murmuradores, são descontentes, andando segundo as suas paixões. A sua boca vive propalando grandes arrogâncias […]” (Jd 16)

 

A palavra murmuração significa: persistente reclamação, reivindicação, descontentamento, falar mal de outrem em voz baixa, em segredo ou questionamento malicioso. Na Bíblia, a murmuração é tratada como sendo mais que uma justa reclamação, e sim como um protesto da rebeldia, do egoísmo, da ingratidão e da difamação. Ou seja, é tratada como pecado. Em Fp 2:14-15 diz:

 

“Fazei tudo sem murmurações nem contendas, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo…” 

 

 

Defesa contra falsos mestres (17-25)

A luta para escapar do engano começa com a palavra revelada, que tanto ensina o caminho reto como mostra o caráter dos enganadores (v. 17-19). É necessário crescer na fé, estudando a palavra e orando ao Senhor com amor e com a forte esperança de alcançar a vida eterna (v. 20-21). Depois dos cuidados pessoais, é também necessário ajudar outros a superarem suas dúvidas e fraquezas (v. 22-23). A verdadeira garantia da vitória é que Deus tem o poder e a vontade de salvar todos que buscam servi-lo honestamente e que com humildade submetem-se à sua soberania eterna:

 

“Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória, ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém!” (Jd 24-25)