??? Dúvidas ???

Atualmente, encara-se a Dúvida como um grande inimigo da Fé. No entanto, isto não passa de conceito popular, superficial e errado.

 

Geralmente, a Fé é definida como ausência de Dúvida, e a Dúvida, como falta de Fé. A Fé é bastante valorizada como caráter humano e a Dúvida é encarada de maneira pejorativa. Esta diferença é muito mais aparente e superficial do que real e profunda.

 

Uma Fé verdadeira, genuína e viva é fruto de uma séria investigação, o que podemos chamar de Dúvida ansiosa e honesta.

 

Nos últimos anos, vim questionando várias tradições tidas como cristãs. O meu objetivo não é de confundir nenhum de vocês, mas de criar um senso crítico e favorável ao verdadeiro evangelho anunciado pelo Senhor e pelos seus apóstolos:
Certamente, uma das figuras bastante lembrada na Bíblia Sagrada é a de Abraão. Por quê?

 

Abraão foi citado pela primeira vez em Gn 11:27 (descendentes de Sem), com o nome original Abrão, quando o seu nome ainda não havia sido mudado pelo SENHOR.

 

O texto de Gn 11:27ss. indica que Abraão era filho de Tera e irmão mais velho de Naor e Harã, moradores da cidade de Ur dos caldeus. Abraão recebeu o chamado de Deus e se dirigiu à nova terra, onde futuramente seria Israel, onde passou por uma grande provação.

 

O que levou Abraão a se tornar um homem tão temente a Deus e cheio de fé? Certamente, desde a sua juventude, Abraão questionava muitas coisas, chegando a duvidar, por exemplo, dos deuses feitos de pedras que o seu pai Tera adorava junto com os habitantes da cidade.
“[…] Antigamente, vossos pais, Tera, pai de Abraão e de Naor, habitaram dalém do Eufrates e serviram a outros deuses.” (Js 24:2)

 

Muitos de nós também, antes de recebermos o chamado do Senhor, vivíamos em detestáveis idolatrias (1Pe 4:3), mas ao ouvirmos a Palavra – porque a fé vem pela pregação (Rm 10:17), começamos a duvidar de muitas crenças populares (1Co 12:2) e, inconformados, passamos a ter sede da verdade, o que nos fez despertar para Cristo Jesus:
“[…] Desperta, ó tu que dormes, levanta-te entre os mortos, e Cristo te iluminará.” (Ef 5:14)

 

Assim a Dúvida honesta faz o homem investigar os fatos, crescer para o lado certo e amadurecer.  Por outro lado, o conformismo não excita a ninguém e pode fazer o homem viver permanentemente no engano. Um verdadeiro crente não pode viver aceitando crenças erradas que o rodeia. Sem a capacidade da Dúvida, não pode haver progresso humano; apenas uma dócil, estagnada e cega aceitação dos dogmas prescritos por homens que não conhecem a Deus – Quão grande perigo é este! Portanto, duvidem de tudo, exceto de Deus. Sobre a idolatria:

“Nada sabem, nem entendem; porque se lhes grudaram os olhos, para que não vejam, e o seu coração já não pode entender. Nenhum deles cai em si, já não há conhecimento nem compreensão […] (Is 44:18-19)

 

Dois tipos de fé
Não são poucas vezes que a Bíblia cita a sequência de gerações “Abraão, Isaque e Jacó”: pai, filho e neto. Como já vimos acima, o mais lembrado dos três, em termos de fé, perseverança, esperança e testemunho, certamente é Abraão, e em segundo, por unanimidade, Jacó, que foi um outro grande homem de fé.

 

E  Isaque?
Isaque é citado no Livro de Gênesis como um fiel guardião, como um mensageiro sem contestação dos ensinamentos e tradições do seu pai Abraão.

“Semeou Isaque naquela terra e, no mesmo ano, recolheu cento por um, porque o SENHOR o abençoava. Enriqueceu-se o homem, prosperou, ficou riquíssimo” (Gn 26:12)

 

Embora a fé de Isaque também seja admirável e um exemplo para nós, ele é encarado como o menos importante dos três patriarcas. Isaque foi filho de um grande homem, e pai de um grande filho, porém, ele mesmo, um homem sem muito destaque entre as gerações.

 

A fé de Isaque foi uma fé herdada (que é importante) comparável à uma roupa herdada do pai que caiu direitinho no corpo do filho, sem necessidade de nenhum ajuste. É o tipo de fé: eu aprendi assim, e assim será, ninguém vai mudar!

 

Já a fé de Abraão e de seu neto Jacó, e muitos outros, se caracteriza não só por ser herdada, mas desenvolvida e totalmente aproveitada.

 

Um pouco de Filosofia inclina a mente humana para o ateísmo, porém, a profundidade na Filosofia o traz novamente à Fé. Um pouco de Filosofia leva o homem a questionar a base de suas crenças herdadas.

 

O fator central da vida dos grandes homens da Bíblia foi o de terem passada da Fé para a dúvida, e depois começarem a duvidar de suas próprias dúvidas. Tornaram-se profundamente conscientes de suas descrenças; e isto é de suma importância aos verdadeiros crentes.