Não há nenhum registro bíblico de uma conversa entre duas ou mais “pessoas” de Deus, mas há muitas representações de comunhão entre as naturezas Divina e Humana de Cristo. Por exemplo, as orações de Cristo retratam sua natureza humana buscando auxílio do eterno Espírito de Deus.

 

É necessário compreender que em certos versículos da Bíblia, Jesus Cristo é apresentado como Deus; ao passo que em outros versículos, é apresentado como humano. Por outro lado, a Bíblia também nos ensina que o Único Deus veio a este mundo nascendo de uma virgem, por isso foi chamado “Filho de Deus”. Assim, hora a Bíblia nos mostra Jesus como Deus, hora como humano. Sabendo identificar estes versículos, não há como fazer confusão.

 

João 12:28 registra um pedido, da parte de Jesus, para que o Pai glorificasse seu próprio nome. Uma voz do céu falou, respondendo a esse pedido. Isso demonstra que Jesus era um homem, na terra, mas seu Espírito era o Deus onipresente no universo. A voz não veio por causa de Jesus, mas por causa daqueles que ali estavam:
“Então explicou Jesus: Não foi por mim que veio esta voz, e sim por vossa causa.” (Jo 12:30)

 

A oração e a voz não constituem uma conversa entre duas pessoas da Divindade; pode-se dizer que é uma comunicação entre a humanidade de Jesus e sua Divindade. A voz era um testemunho ao povo, vindo do Espírito de Deus e revelando a aprovação de Deus ao Filho.

 

Hebreus 10:5-9 cita uma passagem profética do Salmo 40:6-8. Nessa representação profética da vinda do Messias, Cristo, como homem, fala ao Deus eterno, expressando sua obediência e submissão à vontade de Deus. Essa cena é essencialmente semelhante àquela da oração de Cristo no Getsêmani. É óbvio que Cristo está falando como homem, porque ele diz:
 
“[…] Antes, um corpo me formaste”  (Hb 10:5), e
 
“[…] Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade […]” (Hb 10:9).

 

Concluindo, a Bíblia não registra conversas entre pessoas na divindade, mas entre as naturezas divina e humana. Interpretar essas duas naturezas como “pessoas” cria a crença de pelo menos, dois “deuses”. Além disso, “pessoas” implicaria em inteligência separadas em uma divindade, um conceito que não difere do politeísmo.