Como diz a tradição?

Que tradição?

Quando anunciamos o Evangelho do SENHOR, é muito comum ouvirmos as pessoas se desculparem: “- Cremos na Bíblia, porém não podemos segui-la porque temos a nossa própria tradição!”, principalmente quando se referem à idolatria e às festas populares.

A palavra tradição, originalmente, teve um significado religioso: doutrina ou prática transmitida de geração para geração, através do exemplo ou da palavra. Mas o sentido se expandiu, significando elementos culturais presentes nos costumes, nas artes e em muitos outros fazeres que são heranças do passado. Numa definição mais simples, tradição é um produto do passado que continua a ser aceito e atuante no presente; é um conjunto de práticas e valores enraizados nos costumes de uma sociedade. Esse conceito tem ligações profundas com o folclore.

Significado da palavra TRADIÇÃO segundo o dicionário on-line Priberam da Língua Portuguesa:

1. Via pela qual os fatos ou os dogmas são transmitidos de geração em geração sem mais prova autêntica da sua veracidade que essa transmissão.

2. O fato ou o dogma assim transmitido.

3. Transmissão de uma notícia; boato; rumor.

4. Símbolo; memória; recordação; uso; costume; hábito; comportamento.

5. Entrega; ato pelo qual se entrega alguma coisa a alguém.

6. Transmissão; transferência de bens ou de direitos.

 

TRADIÇÃO ou TRAIÇÃO?

Etimologia: A palavra TRADIÇÃO tem origem no Latim traditio que deriva do verbo tradere que significa “entregar; passar adiante”.

É curioso saber que exite uma palavra considerada “irmã gêmea não idêntica”: TRAIÇÃO. O seu significado também é “entregar; passar adiante”, porém “em prejuízo de outrem”, como quem passa informações maliciosas que possam resultar em más consequências.

 

“Antigas tradições”

Nem sempre as chamadas “antigas tradições” são tão antigas como dizem. Tomemos como exemplo, o TOTOME – tido como tradição milenar entre o povo de Okinawa, extremo sul do Japão. Na verdade, TOTOME não tem nem 150 anos. Isso é algo ainda bastante recente e contraditório.

A antropologia alerta que as atitudes que os indivíduos tomam em sociedade são muitas vezes orientadas pela falsa noção de que as coisas sempre foram assim. Dessa maneira o indivíduo dificilmente pensa nas razões de seu comportamento e se sente obrigado a guardar certos hábitos crendo estar sendo passado de geração em geração, pensando ser uma verdadeira relíquia.  Assim, a palavra “tradição” acaba se tornando uma “palavra mágica”, ou uma fuga para certos hábitos sem razões. Por outro lado, para os que tem intenções, a tradição passa a ser uma maneira de influenciar o comportamento de outras pessoas sem o uso da força – é o caso da publicidade: lendas recém inventadas são apresentadas como hábitos antigos que devem ser preservadas e seguidas à risca simplesmente para estimular o consumo.

 

Algumas tradições não passam de hipocrisia:

O Senhor distinguiu claramente a Lei de Deus e os mandamentos dos homens. Ele nos mostrou que aquele que guarda a tradição dos homens se faz inimigo de Deus quebrando a Palavra de Deus (Mt 15:3). Muitas igrejas imitam os fariseus: Elas declaram fidelidade às suas próprias tradições acima da palavra de Deus.  Certa vez, respondendo à crítica dos fariseus, o Senhor Jesus disse:

“[…] Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens. E disse-lhes ainda: Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição.” (Mc 7:6-9 )

 

Para alguns cristãos, as tradições são tão importantes quanto a própria Bíblia Sagrada. No entanto, ensinamentos ou menções inexistentes nas Escrituras Sagrada são simplesmente tradições teológicas

“Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Cl 2:8)

 

Fútil procedimento

Todos procedimentos que os nossos antepassados nos deixaram precisam ser reavaliados. A fé em Cristo Jesus deve ser bíblica, sem mistura de boatos (publicações de revistas irresponsáveis) – a fé não pode ser folclore ou boato. Procedimentos religiosos de cerimônias de casamentos, bem como fúnebres não tem regras bíblicas específicas. Festas não religiosas como de aniversários e seus procedimentos (bolos, velas, pedido antes de cortar o bolo, bexigas, e outros); dia dos Pais, das Mães, das crianças; ano novo, devem ser reavaliadas, e não simplesmente adaptadas ao cristianismo.

“[…] Não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1Pe 1:18-19)

 

O Versículo acima nos revela que as tradições humanas, por melhor que sejam as intenções, não têm poder de salvar o homem. O cristão deve ser guiado pelo Espírito de Deus (cf Rm 8:14); não pelas tradições do mundo.

 

Palavras relacionadas com o tema e seu significado:

Cutural: relativo à cultura; cultivar, fazer desenvolver. Portanto, se alguém põe culpa na “questão cultural” por não poder deixar a idolatria, por exemplo, está dizendo ser subdesenvolvido.

Costume: procedimento, modo de viver.

Hábito: comportamento

Mania: do Latim mania, ou seja, “loucura”.  Já a palavra maníaco, segundo a psicopatologia, é definida como: estado mental com alegria e otimismo sem base, desinibição exagerada, autoestima demasiadamente elevada  e muita necessidade de ação.

 

Não por acaso, a Palavra nos adverte dizendo:

  • 1Pe 5:8 – “Sede sóbrios e vigilantes”;
  • Mt 23:17 – “insensatos”;
  • Sl 85: 8 – “e que jamais caiam em insensatez”.

Portanto, tomemos cuidado. Amém.

Pastor Daniel Shinjo