Chuva temporã e serôdia

Observe as traduções bíblicas de Deuteronômio 11:14 abaixo:

  • “Então darei a chuva da vossa terra a seu tempo, a temporã e a serôdia, para que recolhais o vosso grão, e o vosso mosto e o vosso azeite.” (JFA Corrigida e Revisada Fiel)
  • “Darei as chuvas da vossa terra a seu tempo, as primeiras e as últimas, para que recolhais o vosso cereal, e o vosso vinho, e o vosso azeite.” (JFA Atualizada)
  • “Então, no devido tempo, enviarei chuva sobre a sua terra, chuva de outono e de primavera, para que vocês recolham o seu cereal, e tenham vinho novo e azeite.” (NVI)

 

Comparando as traduções, podemos perceber facilmente que chuva temporã (yôreh e môreh em Hebraico) é chuva do começo da temporada de chuvas – as primeiras chuvas que caem na Judeia, ou seja, chuva de outono no Hemisfério Norte. Antes que viesse a chuva temporã, os homens do campo preparavam e semeavam a terra, para que recebendo as primeiras chuvas, as sementes germinassem.

 

Já a chuva serôdia (malqôsh em Hebraico) eram as últimas chuvas da estação antes da época da colheita que acontecia na primavera. Era a chuva necessária para o amadurecimento, para então entrar na fase da colheita.

 

A precipitação chuvosa da região de Judeia está intimamente ligada com a estação fria, tanto que o inverno é tido como sinônimo de tempo de chuvas; e o verão como tempo de seca:

“Porque eis que passou o inverno, cessou a chuva e se foi; aparecem as flores na terra, chegou o temo de cantarem as aves, e a voz da rola ouve-se em nossa terra” (Ct 2:11)

 

“Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio.” (Sl 32:4)

Veja: JESUS não nasceu em 25 de dezembro

 

Sabemos que na Bíblia há inúmeras figuras de linguagem. Em muitas passagens da Bíblia, os verbos: chover, derramar, fluir, correr, transbordar, expressam o derramamento do Espírito Santo. Observe:

    • “Derramarei água sobre o sedento […] derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade” (Is 44:3);
    • “Acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne” (Jl 2:28);
    • “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado.” (Jo 7:37-39)

 

O derramamento do Espírito Santo

A chuva temporã, indica especificamente, o derramamento do Espírito Santo ocorrido no dia de Pentecostes, como está em Atos 2:

“De repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.” (At 2:2-4)

 

E a chuva serôdia é referência ao derramamento do Espírito Santo nos últimos dias, antes da Grande Colheita:

“E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias.” (Jl 2:28-29)

 

O apóstolo Tiago explica a vinda do Senhor como a seguir:

“Sede, pois, irmãos, pacientes, até à vinda do Senhor. Eis que o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até receber as primeiras e as últimas chuvas. Sede vós também pacientes e fortalecei o vosso coração, pois a vinda do Senhor está próxima.” (Tg 5:7-8)

 

Igreja morta

“E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.” (Ef 4:30)

 

O Senhor disse à igreja em Sardes: “[…] Tens nome de que vives e estás morto.” (Ap 3:1). Igreja sem o Espírito Santo é igreja morta. Infelizmente, a igreja primitiva não demorou muito para se desviar do correto ensinamento do Senhor JESUS e dos seus apóstolos. A igreja caiu nas mãos de homens materialistas e vagou moribunda durante toda a Idade Média e Moderna. Como resultado deste transvio, o Espírito Santo se retirou da igreja, assim como se retirou de Saul. Este período sombrio é o inverno entre a semeadura de Pentecostes e a serôdia dos dias atuais. Nós somos o trigo, e quando ressoar a última trombeta, o trigo será colhido para o celeiro do Senhor, e o joio irá para o fogo eterno.

 

O avivamento

Historicamente, avivamento das igrejas pelo derramamento do Espírito Santo começou no final do Século retrasado, por volta de 1890 na Inglaterra, Estados Unidos, Japão, Canadá, Taiwan, Índia e em muitos outros países. Desde então, muitos têm recebido o Espírito Santo e orado em línguas e profetizado, como explicou o profeta Joel e o apóstolo Pedro.

 

A palavra de ordem na igreja primitiva era: água e Espírito (Jo 3:5) para que o homem possa entrar no reino de Deus. Quando perguntaram ao Pedro e aos demais: o que faremos? Pedro respondeu: arrependimento, batismo nas águas em nome do Senhor JESUS, e recebimento do Espírito Santo. Quando Pedro e João foram chamados para auxiliar Filipe em Samaria, impuseram as mãos sobre os convertidos e estes receberam o Espírito Santo. Pedro quando foi à casa de Cornélio, ordenou o batismo em nome do Senhor JESUS aos que foram batizados no Espírito Santo. Paulo ordenou o batismo de efésios e estes receberam o Espírito Santo. Assim também deve ser a igreja de hoje: água e Espírito, porque a colheita já está próxima!

Veja: “Da chuva dos céus beberás as águas” (Dt 11:11)