Cartas à igreja em Laodiceia

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Cidades relativamente próximas: Olhando para Hierápolis, a partir de Laodiceia

A carta que vemos em Apocalipse 3:14-22 não foi a única enviada à igreja em Laodiceia. Ao conferirmos o último capítulo de Colossenses, encontramos a seguinte mensagem:

“E, uma vez lida esta epístola perante vós, providenciai por que seja também lida na igreja dos laodicenses; e a dos de Laodiceia, lede-a igualmente perante vós.” (Cl 4:16)

 

Assim, talvez, poderíamos dizer: “Epístola de Paulo aos colossenses e aos laodicenses”; e ainda, “aos hierapolenses”. De fato, as cidades de Colossos, Laodiceia e Hierápolis localizavam relativamente próximas umas das outras, razão pela qual, o apóstolo enviou esta carta comunitária para ser lida pelos cristãos daquela região. Sendo assim, temos em mãos pelo menos duas importantíssimas referências para estudo a respeito da vida dos crentes de Laodiceia, motivo do título desta postagem no plural.

 

Observe a tabela abaixo:

 

Epístola: Colossenses Apocalipse 3:14-22
Autor: Paulo JESUS
Quando foi escrita: Cerca de 60 d.C. Cerca de 90 d.C
Conteúdo: Advertência, exortação Repreensão, exortação
Caráter da carta: Comunitária: para ser lida em Hierápolis, Colossos e Laodiceia. Pessoal: diretamente aos cristão em Laodiceia

 

Hierápolis é uma estância hidrotermal bastante antiga. Ainda hoje jorram águas quentes em Hierápolis, que sempre foi considerada de propriedades medicinais. Em Colossos havia águas frescas, boas para se refrescar, porém em Laodiceia, havia somente águas mornas.

 

Um bloco de mármore que contém a “lei da água” (114 d.C.) foi desenterrado na antiga cidade de Laodiceia. O bloco de 90 x 116 cm, revelou que o uso de água na cidade era administrado por lei estabelecido pelo então governador Aulus Vicirius Matrialis, que envolvia uma penalidade entre 5000 a 12500 denários para quem fazia mau uso do recurso hídrico. Como em muitos lugares do mundo, a água também era prioridade para Laodiceia. É por isso que houve sanções pesadas contra aqueles que poluíam a água, ou danificavam os canais; ou ainda, abriam os tubos de água selados:

Antiga tubulação de Laodiceia

  1. “Aqueles que dividem a água para seu uso pessoal, devem pagar 5.000 denários ao tesouro do império;
  2. É proibido usar a água da cidade gratuitamente ou conceder a particulares; Aqueles que compram a água não podem violar o Edito Vespasiano;
  3. Aqueles que danificam canos de água devem pagar 5000 denários;
  4. Devem ser estabelecidos telhados de proteção para os depósitos de água e canos de água na cidade;
  5. O gabinete do governador [nomeará] dois curadores todos os anos para garantir a segurança do recurso hídrico;
  6. Ninguém que tenha fazendas próximas aos canais de água pode usar essa água para a agricultura “.

A Carta à Igreja em Laodiceia é a última na sequência de sete enviadas às igrejas da Ásia a pedido do Senhor. Sendo assim, a situação da igreja em Laodiceia retrata as igrejas dos dias em que antecedem a volta do Senhor JESUS:

Nymphaeum de Laodiceia: monumento dedicado ao imperador romano Septimus Severus e à Athens, divindade mitológica grega da tecelagem

Laodiceia – (grego: Laos+Dikaio) significa Justiça do Povo. Tal como era chamada a cidade, assim também era a vida dos cristãos que ali vivia,  influenciados pela vida secular de alguma forma: punham a democracia à frente do domínio divino (Teocracia).

 

Como você pode ver nas fotos desta postagem, Laodiceia era uma cidade rica e bela, por ser centro comercial e produtora de tecidos e colírios; no entanto, repare que a igreja não recebeu nenhuma palavra de elogio do Senhor JESUS, apenas severas repreensões:

As águas de Laodiceia eram águas encanadas e chegavam mornas à população. JESUS comparou as águas mornas de Laodiceia com a situação espiritual dos crentes daquela cidade, exortando a mudar de conduta.

Os cristãos em Laodiceia diziam:

 

“[…] Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma […]”, porém o Senhor diz: “[…] E nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu.” (Ap 3:16 e 17)

 

Há quase uma geração antes, os laodicenses haviam recebido uma carta do apóstolo Paulo que dizia: “Saudai os irmãos de Laodiceia, e Ninfa, e à igreja que ela hospeda em sua casa.” (Cl 4:15). Esta mensagem indica uma igreja doméstica que não ostentava grandes luxos, mas que tinha como a sua verdadeira riqueza, o nome de JESUS, a Palavra do Senhor e a salvação. Bastavam estas coisas para os primeiros cristão de Laodiceia regozijarem em Cristo (cf. Cl 3:1-4).

“Gostaria, pois, que soubésseis quão grande luta venho mantendo por vós, pelos laodicenses e por quantos não me viram face a face; para que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos. Assim digo para que ninguém vos engane com raciocínios falazes. Pois, embora ausente quanto ao corpo, contudo, em espírito, estou convosco, alegrando-me e verificando a vossa boa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo.” (Cl 2:1-5)

 

Ruínas da Igreja de Laodiceia

Igreja de Laodiceia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Veja que naquela época a igreja não apresentava nenhum indício de maus exemplos para posteriormente ser chamado por JESUS de “infeliz, miserável, pobre, cego e nu”. Então o que aconteceu? A igreja nitidamente havia se apostatado, já no final do primeiro século, e estava prestes a ser vomitada da boca do Senhor. JESUS aconselhou à igreja que Dele se comprasse:

  1. Ouro refinado pelo fogo – referindo-se à Palavra de Deus;
  2. Vestiduras brancas – referindo-se à Salvação e à santificação;
  3. Colírio para os olhos – referindo-se ao recebimento do Espírito Santo.

“Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida.” (1Tm 6:17-19).

 

Tal como a igreja em Laodiceia, muitas das igrejas atuais andam longe do ensino bíblico cristocêntrico (Cristo é o centro da vida) e têm mergulhado no antropocentrismo (o homem é o centro da vida).

“Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus” (Rm 3:10-11)

 

O materialismo em Laodiceia e nas igrejas atuais

“Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.” (Ap 3:20)

 

O versículo acima indica que o Senhor JESUS estava trancado fora da igreja: Naquela igreja entrava todo tipo de gente. Gente indiferente com o verdadeiro ensinamento cristão, mas altamente compromissado como as obras materialistas da carne. Só não entrava JESUS. Para uma igreja, isto sim, é uma situação miserável.

 

O materialismo é uma triste realidade que assombra muitas denominações cristãs pelo mundo. O povo cristão está sendo enganado, em grande parte, por um evangelho que anuncia boas coisas e não boas novas, como nos ensinou o Mestre. As igrejas estão anunciando a busca da satisfação humana, sem levar a experimentar o poder transformador da cruz de Cristo. Fala-se ousadamente de tudo nos púlpitos: filosofia, medicina, economia…, exceto o que realmente deve ser anunciado: JESUS, salvação, Bíblia, escatologia…

 

Arrependimento

“[…] Sê, pois, zeloso e arrepende-te.” (Ap 3:19)

 

Das sete igrejas do Livro de Apocalipse, cinco receberam essa advertência. Certamente porque o arrependimento é o ponto chave para o progresso da vida cristã. Arrepender-se é abandonar o cristianismo superficial, indiferente, de faz de conta, que tem como objetivo unicamente o bem estar humano cheio de hipocrisia e mornidão. Quem não se arrepender para mudar imediatamente de conduta, será vomitado da presença do Senhor.