Carta à igreja em Esmirna

Estrada para Izmir (Esmirna)

Esmirna – atual Izmir, é capital da província homônima situada a oeste da moderna Turquia. Ao contrário de Sardes, Laodiceia ou Pérgamo que você viu nas postagens anteriores, Esmirna não foi abandonada, mas a cidade moderna cresceu ao redor da antiga cidade. O sítio arqueológico de Esmirna está no centro de uma movimentada metrópole, entre prédios modernos e avenidas movimentadas.

 

Esmirna dos tempos apostólicos era uma cidade portuária a cerca de 56 km ao norte de Éfeso. A Bíblia não nos dá qualquer informação sobre a fundação desta igreja, entretanto presume-se que ela foi fundada durante o ministério de Paulo em Éfeso (cf. At 19:10).

 

Carta à igreja em Esmirna

Texto base: Apocalipse 2:8-11

“[…] Estas coisas diz o primeiro, e o último, que esteve morto e tornou a viver:” (Ap 2:8)

 

A carta à igreja em Esmirna começa com uma clara identificação do Seu autor como o Senhor JAVÉ que aparecera a Isaías nos tempos do A.T. Ela não deixa dúvidas que este Senhor é  JESUS Cristo que esteve morto e tornou a viver. Compare:

  • “Assim diz o SENHOR, Rei de Israel, seu Redentor, o SENHOR dos Exércitos: Eu sou o primeiro e eu sou o último, e além de mim não há Deus.” (Is 44:6)
  • “Dá-me ouvidos, ó Jacó, e tu, ó Israel, a quem chamei; eu sou o mesmo, sou o primeiro e também o último.” (Is 48:12)

 

O Primeiro e o Último

Izmir

No A.T. o SENHOR Deus se autointitula “o Primeiro e o Último”. Esse mesmo título é usado para designar o Senhor JESUS Cristo em Ap 1:17, Ap 2:8, e em Ap 22:13, indicando que JESUS Cristo não é outro, senão o próprio Deus. Só Ele é o Deus único e eterno, já existente quando todas as coisas foram criadas e permanece para todo o sempre. Ele é o primeiro, ou seja, Ele preexistiu; Ele é o último, o alfa e o ômega. Ele continuará para sempre. Amém!

 

A declaração complementar do Versículo 8 é surpreendente: Esse mesmo Senhor que é eterno – que já existia antes de tudo; que viverá para sempre, que transcende todas as coisas, estava morto e tornou a viver. Aqui está um grande paradoxo: Como o Deus eternamente vivo que está além de todo o tempo, espaço e história pode morrer? O Senhor JESUS Cristo, como sabemos, era Deus encarnado que veio a este mundo físico limitado no tempo, no espaço e na história com o propósito de morrer – Essa é a mensagem central do evangelho.

O Deus vivo eternamente jamais poderia morrer como Deus, mas sim, como homem. Ele morreu como homem pelo pecado da humanidade e agora vive pela ressurreição como Deus e Homem glorificado. Mas Ele mesmo, de acordo com Hb 7:16, teve o poder de uma vida sem fim.

 

Por que ele se designa desse jeito para a igreja em Esmirna?

Por causa da perseguição que iriam sofrer. O Senhor encoraja os cristãos em Esmirna mostrando que os tempos vindouros serão difíceis para eles, mas Ele estará sempre com os crentes. O Senhor sabe o que é sofrer e morrer injustamente, mas também sabe o que é vencer a morte e ressuscitar. Assim Ele lembra-lhes que mesmo que eles morram na perseguição, não experimentarão nada que Ele não tenha experimentado. Se os cristãos em Esmirna morrerem, não serão cortados de Seu eterno poder de ressurreição. O Senhor JESUS sofreu a mais injusta, severa e poderosa perseguição que alguém poderia sofrer para resgatar a sua igreja.

Ruínas de Esmirna

“Não temas as as coisas que tens de sofrer. Eis que o Diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” (Ap 2:10)

 

A palavra grega Smyrna foi usada na Bíblia versão Septuaginta (a tradução grega do Antigo Testamento) para traduzir a palavra hebraica “mirra” – uma substância resinosa usada como perfume para os vivos (cf. Mt 2:11) e também para os mortos (cf. Jo 19:39). Sua associação com a morte pode estar retratando a situação sufocante que a igreja em Esmirna enfrentaria em breve. Como a mirra que era produzida por esmagamento de uma planta perfumada, a igreja em Esmirna seria esmagada pela perseguição, emitindo um agradável aroma de fidelidade a Cristo”.

 

“Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico) e a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo, antes da sinagoga de Satanás.” (Ap 2:9)

 

Ruínas de Esmirna

Esta era uma mensagem destinada a incentivá-los à luz do que estavam prestes a enfrentar. A igreja em Esmirna passaria por uma intensa perseguição e tribulação. O Senhor incentivou os crentes de Esmirna a permanecerem fortes, mesmo que isso significasse morte física.

 

Não se observa nenhuma referência ao pecado ou castigo nesta carta, tampouco acusação ou condenação da parte do Senhor aos cristãos de Esmirna. Isto porque o preço de ser cristão pode ser muito elevado em um ambiente hostil; mas como diz em 2Co 12:7 – “o poder se aperfeiçoa na fraqueza”.

 

Este foi o caso de Esmirna: por meio da perseguição foram privados, e na pobreza se tornaram espiritualmente ricos. Os crentes em Esmirna foram purificados, alcançando uma fé séria. Assim, nesta carta, mesmo sendo curta, podemos observar vários elogios.

 

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte.” (Ap 2:11)