Bezerro de ouro

Há pelo menos dois relatos na Bíblia em que os israelitas fizeram imagem de bezerro para adorar:

  1. No deserto, ao pé do monte Sinai (Êx 32);
  2. Na época do rei Jeroboão, quando uma imagem foi posta em Betel e outra em Dã (1Rs 12:25-33).

Mas, por que bezerro?

Na verdade, os israelitas apenas copiaram o que os egípcios ou cananeus já praticavam em seus cultos abomináveis, razão pela qual foram destruídos pelo SENHOR.

 

Desde a mais remota antiguidade, o culto a Hapi-Ankh, (em Mêmphis), e Mnevis (em Heliópolis) eram bastante populares no Egito, a terra em que os israelitas habitaram durante quatro gerações; por isso, lhes eram bastante familiares. No Egito, o touro ou novilho era deus símbolo da *fertilidade, da natureza e da força física.

 

Ao povo que estava farto de caminhar pelo deserto, foi apresentado um deus bastante familiar, conhecido desde os seus tempos de escravidão no Egito. Talvez, nos tempos de escravidão, os israelitas não pudessem participar dos rituais egípcios de adoração a bezerros, restando apenas a opção de servir os egípcios ou ficar a observar à distância. Quando tiveram o próprio bezerro de ouro, os israelitas passaram a oferecer sacrifícios e se divertiram* perante aquela abominação, comendo e bebendo, cantando e dançando.  Tudo isto mostra que havia muita emoção.

*Em Gn 26:8; 39:17, o verbo hebraico aqui traduzido por divertir-se refere-se a práticas de caráter sexual. Este versículo é citado em 1Co 10:7 como um caso representativo da infidelidade e idolatria dos israelitas no deserto. (nota de rodapé Bíblia de Estudo Almeida, pág. 116)

 

Geralmente, a emoção é inversamente proporcional à reflexão. É o que acontece, ainda hoje, em muitas denominações evangélicas com seus pregadores e grupos de louvor e coreografias que apelam à emoção e muito entusiasmo; no entanto, sem pregações sérias e responsáveis, e nem pessoas mais esclarecidas.

 

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Hapi-Ankh: Bovino mumificado

Ao levantarem a imagem de bezerro para adorar, os israelitas reduziram o SENHOR Deus que os tirou da terra do Egito ao nível de deuses de nações pecaminosas, identificando-O com Hapi-Ankh ou Mnevis do Egito, ou baalins de Canaã.

“Em Horebe, fizeram um bezerro e adoraram o ídolo fundido. E, assim, trocaram a glória de Deus pelo simulacro de um novilho que come erva. Esqueceram-se de Deus, seu Salvador, […]” (Sl 106:19-21)

 

O resultado imediato disso foi uma enorme imoralidade, já que se apegando a deuses estranhos, apega-se também às suas doutrinas corrompidas, indiscutivelmente longe da pureza do SENHOR.

 

Idolatria é pecado e blasfêmia

É perda de tempo discutir se simplesmente se adora o ídolo ou se se adora a Deus no ídolo, pois, seja qual for o pretexto, quando se oferece louvores a um ídolo, é sempre idolatria. Qualquer idólatra diz que não ora à imagem, mas ao espírito ou à pessoa que é representada por ele. Mas essa é sempre a resposta dos adoradores de ídolos em todo o mundo quando se lhes perguntam por que eles adoram os seus ídolos. Essa mesma resposta foi dada pelos israelitas quando eles adoraram o bezerro de ouro no deserto; depois que fizeram o ídolo disseram: “São estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito” (Êx 32.4). Eles não pretendiam que o seu culto terminasse na imagem, mas prosseguiram em adorar os seus deuses através do uso da imagem, ou do ídolo, uma semelhança que acharam apropriadamente representativa dos seus deuses. Mas em outras ocasiões, os israelitas adoraram os ídolos mesmo.

“Ainda mesmo quando fizeram para si um bezerro de fundição e disseram: Este é o teu Deus, que te tirou do Egito; e cometeram grandes blasfêmias.” (Ne 9:18)

 

Conhecer o SENHOR é glória do homem (cf. Jr 9:24). O SENHOR nosso Deus se afasta de qualquer pessoa que abandona o Seu caminho e se volve para deuses estranhos, e tais pessoas passam a se conectar automaticamente com outras inúmeras crenças pagãs:

“Naqueles dias, fizeram um bezerro e ofereceram sacrifício ao ídolo, alegrando-se com as obras das suas mãos. Mas Deus se afastou e os entregou ao culto da milícia celestial […]” (At 7:41-42)

 

“E, acaso, não levantastes o tabernáculo de Moloque e a estrela do deus Renfã, figuras que fizestes para as adorar? […]” (At 7:43) 

 

Há uma pequena referência a tal deus Renfã no Antigo Testamento:

“E o vosso deus-estrela, que fizestes para vós mesmos.” (Am 5:26)

 

Em outras palavras, os israelitas deixaram o SENHOR que os tirou da terra idólatra e voltaram aos princípios semelhantes aos idólatras da terra de onde saíram.

“E não pratiquemos imoralidade, como alguns deles o fizeram, e caíram, num só dia, vinte e três mil.” (1Co 10:8 referindo-se ao acontecimento registrado em Nm 25

 

Jeroboão I, o primeiro monarca pós-divisão do reino de Israel, estabeleceu nos seus domínios duas imagens de bezerros: uma em Betel e outra em Dã, na tentativa estúpida de contrabalançar o grande fluxo da população de Israel para Judá, onde estava o templo do SENHOR. Provavelmente, aquelas imagens eram imitações de Baalins, deuses de Canaã que por sua vez era imitação dos deuses egípcios. Naquela época, o culto a Baal era bastante popular nos arredores de Israel, e muitos estrangeiros que viviam no território de Israel trataram de disseminar o culto a Baal.

 

O culto ao Baal (singular) ou Baalins (plural) costumava ser representado hora como um humano trajando vestes sacerdotais, hora num corpo humano e cabeça bovina, muito semelhante ao Mnevis egípcio. Certamente, na Bíblia, as representações desses falsos deuses são chamados de bezerro, em sinal de menosprezo.

 

A atitude de Jeroboão I em construir imagens de bezerro teve as mesmas consequências desastrosas que o fabricado por Arão, reduzindo o SENHOR ao nível de deuses pagãos e perda de identidade do Deus de Israel ou inevitável identificação do SENHOR Deus com baalins.

“Agora, pecam mais e mais, e da sua prata fazem imgens de fundição, ídolos segundo o seu conceito, todos obra de artífices, e dizem: Sacrificai a eles. Homens até beijam bezerros!” (Os 13:2)

 

No Segundo Livro dos Reis, 10:18-31, está escrito que muitas gerações depois do rei Jeroboão I, o então rei Jeú exterminou Baal de Israel, no entanto, deixou as imagens de bezerro que estavam em Betel e Dã. Por quê?

 

Porque depois de muitas gerações vivendo na idolatria, o estrago já era grande: o povo não sabia mais distinguir o SENHOR que tirou do Egito, dos deuses do Egito. Tal fato é bastante comum ainda hoje a muitas pessoas que se convertem à fé bíblica que fazem uso de figuras e/ou símbolos que a Bíblia proíbe terminantemente. Cito como exemplo: imagens de escultura, crucifixos, árvore natalina e seus enfeites, datas pagãs introduzidas no cristianismo…

 

Qual a nossa missão?

Certamente, uma das maiores preocupações da Bíblia Sagrada é de identificar e apresentar o único e verdadeiro Deus. Conhecendo o SENHOR Deus, o próximo passo é andar nos Seu caminho e tomar todo cuidado possível para não se desviar dele. Esta é a nossa missão: Conhecer o SENHOR e andar nos seus caminhos:

“O SENHOR, teu Deus, temerás, a ele servirás […] Diligentemente, guardarás os mandamentos do SENHOR, teu Deus, e os seus testemunhos, e os seus estatutos que te ordenou.” (Dt 6:13 e 17)

 

Quando as pessoas a identificam o Criador com criaturas, cometem pecado de idolatria, perdem totalmente o senso da missão divinamente apontada para o povo escolhido, mergulhando neste mundo de enganos. A ordem do nosso Senhor JESUS Cristo foi bem clara:

“Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” (Mc 16:15)

 

E é óbvio, o evangelho de Jesus é puro e não oferece nenhuma margem de erro para se perder na idolatria.

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