Apocalipse 13: a besta golpeada de morte

Por Juliana Morya

Texto base: Apocalipse 13:1-10

Napoleão Bonaparte invadiu e conquistou grande parte do mundo ocidental, dando expansão aos seus ideias revolucionários. Ele foi o responsável pela queda do poder papal.

 

Prisão do Papa Pio VI

O Papa Pio VI foi preso e levado provisoriamente para Siena. Posteriormente foi deportado para a cidadela de Valence, onde veio a morrer no dia 29 de agosto de 1799. No dia 10 de março de 1798 o papado foi oficialmente declarado deposto e extinto o seu poder e foi de grande importância profética, deixando a Igreja Romana desorientada, com a derrubada do poder papal por Napoleão. Em contrapartida, Napoleão sabia que, para fortalecer sua posição na França, precisava do apoio dos católicos, que tinham uma grande força no País.

 

Após a morte do Papa Pio VI foi nomeado Papa Pio VII. Napoleão Bonaparte compreendeu que era necessário para a França um retorno seguro para a religião. Com este propósito, em 1802 fez um acordo com o Papa Pio VII, acrescentando artigos que prejudicava o Estado Papal, pois não foram discutidos ou aprovados no acordo.

 

Auto coroação de Napoleão. Papa Pio VII convidado como mero espectador.

A coroação de Napoleão Bonaparte foi talvez um dos eventos mais interessantes de toda a Era Napoleônica (1799-1815), pois nele o recém-intitulado imperador francês reatava os laços políticos e diplomáticos com a Igreja Católica, após a ruptura ocorrida com a Revolução Francesa, entre 1789 e 1799.

 

A cerimônia de coroação foi realizada na catedral de Notre-Dame, em 1804, e teve um fato inusitado para os rituais de coroação existentes na Europa. Napoleão havia convidado para a cerimônia o papa Pio VII, como indicação da reaproximação da França com a Igreja Católica.

 

De acordo com os rituais de coroação, o imperador ajoelhava-se frente ao representante da Igreja, que colocava em sua cabeça a coroa, demonstrando assim a superioridade do poder religioso sobre o poder temporal dos homens.

 

Porém, ao invés de Napoleão Bonaparte se ajoelhar frente ao papa, o imperador francês alterou o ritual. Primeiramente, ele corou sua esposa, a Imperatriz Josefina. Depois, Napoleão tomou a coroa em suas mãos e colocou em sua própria cabeça. Perplexos, os presentes à cerimônia viram o novo imperador deixar o papa Pio VII como um mero espectador.

 

Mas Napoleão não estava satisfeito em sua ironia e arrogância. Ele pretendia dominar a Igreja Católica como o fez com outros países: nomeou bispos, fez religiosos jurarem fidelidade à coroa e pretendeu manipular o próprio Papa, levando-o à aderir a sua política de alianças e de guerras.

 

Napoleão pretendia, dessa forma, apresentar simbolicamente seu poder como superior ao poder religioso da Igreja Católica.

 

Papa Pio VII

Em 7 de junho de 1815 Napoleão foi derrotado e deu início ao congresso de Viena, onde Papa Pio VII pôde voltar definitivamente ao Vaticano.

 

No passado, quando a Igreja foi organizada, o Papa governava como rei, até que o poder subiu-lhe à cabeça, e este passou a perseguir e matar até ao dia em que Napoleão mandou aprisionar a “besta”, em 1798, que foi exibida pelas ruas de Paris, em desfile, com uma coleira de cão ao pescoço puxado por um escravo. Com a humilhação sofrida que resultou na perda do poder perseguidor, a Igreja Católica passou a ser dirigida por Papas que os próprios católicos consideravam como “vassalo”, ou seja: indivíduo que, na sua humildade, pedia algum benefício a um nobre superior e em troca fazia um juramento de absoluta fidelidade.

 

Pio XI e Mussolini: Assinatura do Tratado de Latrão (1929)

O sistema de soberania do Chefe da Igreja Católica, na condição de rei, reiniciou em 11 de fevereiro de 1929, quando o então Primeiro-Ministro italiano, Benito Mussolini, juntamente com o Papa Pio XI, assinaram o “Tratado de Latrão”. Através desse ato aconteceu o que estava profetizado em Ap 13:3.

 

Por força do referido “Tratado”, o Papado voltou à condição de rei; para isso, foi criado o Estado do Vaticano. Sendo assim, o Vaticano foi reconhecido pela comunidade internacional como um Estado independente e soberano.

 

Enfim, em 1929 o Papa volta a ser rei, com soberania sobre o Estado do Vaticano. Com isso, inicia-se a contagem dos sete reis-chefes da Igreja romana.

“Dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e quando chegar, tem de durar pouco” (Ap 17:10).

 

Os sete reis são identificados como sete Papas a partir do ano de 1929, com a criação do Estado do Vaticano:

 

o primeiro foi Pio XI, que reinou 17 anos e 4 dias, no período de 06/02/1922 até 10/02/1939;
o segundo, Pio XII, que reinou 19 anos, 7 meses e 5 dias, de 02/03/1939 a 09/10/1958;
o terceiro, João XXIII, que reinou 4 anos, 8 meses e 15 dias, de 28/01/1958 a 03/06/1963;
o quarto, Paulo VI, que reinou 19 anos, 2 meses e 15 dias, de 21/06/1963 a 06/08/1978;
o quinto, João Paulo I, que reinou apenas um mês e 2 dias, de 26/08/1978 a 28/09/1978;
o sexto, João Paulo II, que reinou 27 anos, 5 meses e 19 dias, de 16/10/1978 a 02/04/2005;
o sétimo, Bento XVI, que reinou 7 anos, 10 meses e 4 dias, de 24/04/2005 a 28/02/2013.

 

Referindo-se ao sétimo rei do Vaticano, no caso Bento XVI, em Ap 17:10  diz que quando ele chegasse, duraria pouco tempo. Foi o que aconteceu.  Agora estamos no oitavo rei (Papa Francisco) que, segundo Ap 17:11, vai proceder do sétimo. Diz também que o próximo rei (Papa Francisco) será o Anticristo, e caminhará para a destruição, por ser o último Papa da história da humanidade que reinará com mão de ferro, com o mesmo espírito que se apossou dos fariseus da antiguidade, como também dos Papas de Roma pagã que mataram 100 milhões de pessoas, e de Hitler, que matou nos campos de concentração nazistas mais de 6 milhões de judeus. Segundo Paulo em 2Ts 2:3-4 o atual papa vai ser considerado como se fosse o próprio Deus.

 

 

Daniel e o Apocalipse; a Besta e o Anticristo

O livro de Daniel é conhecido como o Apocalipse do Antigo Testamento. Na realidade o Apocalipse é apenas o complemento e a ampliação das profecias de Daniel. Dificilmente, portanto, um poderá ser entendido sem o auxílio do outro. É indispensável que se atente para a perfeita harmonia entre os dois livros, na referência ao poder anticristão representado por Roma.

 

Ambos fazem menção ao mesmo poder. Vamos analisar as quatro dimensões mencionadas no texto referido de Dn 7:25, que caracterizam sem nenhuma dúvida o poder religioso assentado em Roma, comparando-as com suas similares do livro de Apocalipse.

 

A primeira delas trata das blasfêmias: Dn 7:25 e Ap 13:5-6; Dn 7:19-20 e 2Ts 2:4.

 

Como exemplo de uma das absurdas e assombrosas afirmações papais, em que o poder anticristão manifesta a sua pretensão para blasfemar e ocupar o lugar de Deus, na Terra podemos citar uma entrevista no Jornal Correio do Povo de Porto Alegre em 08/11/1938 em que o Papa Pio XI (1922 a 1939) disse “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. E ainda declara: Vós sabeis que eu sou o santo padre, o vigário de Cristo, o representante de Deus na Terra . E, ainda, Deus no céu e eu na Terra ”

 

A segunda dimensão de Dn 7:25 menciona a perseguição e destruição dos Santos do Altíssimo pelo poder mencionado, os que foram mortos como hereges: e destruirá os santos do Altíssimo .

 

O Ap 13:7-8 refere-se à mesma profecia de Dn 7:25.

“Eu olhava e eis que este chifre fazia guerra contra os santos e prevalecia contra eles.” (Dn 7:21)

 

A história do papado está manchada do sangue dos Santos do Altíssimo, perseguidos, torturados, ultrajados e mortos por um poder satânico que se diz cristão. As especificações da profecia foram total e fielmente cumpridas e seriam necessários milhares de páginas e incontáveis livros para que se escrevessem todas as maldades, crimes e assassinatos praticados em nome da religião de Cristo.

 

A terceira dimensão da profecia diz: E cuidará em mudar os tempos e a lei (Dn 7:25). A Palavra de Deus complementa esta que seria outra atribuição do poder dizendo que juntamente com o exército e o poder do paganismo ou contínuo, o papado lançaria a verdade por terra e prosperaria, como podemos ver em Dn 8:12.

 

A pergunta que se faz é: O papado cuidou em mudar os tempos e a lei? Jogou ele a verdade por terra e prosperou? Recebeu ele o poder do paganismo ou dragão ro­mano?

 

A resposta para todas as perguntas é sim, ele cumpriu todas as especificações da profecia. O mesmo animal terrível e espantoso que Daniel viu foi visto também por João em Ap 13:1-2.

 

Em Dn 7:2-7 note-se que esta besta herdou os atributos de todas as outras bestas representadas pelos outros animais referidos na profecia de Daniel, ou seja, o leão babilônico, o urso medo-persa e o leopardo grego, o que significa que ela absorveu todas as doutrinas pagãs e as filosofias daqueles povos, que hoje compõem o seu corpo.

 

O Papa cumpriu as especificações da profecia no tocante aos tempos e a lei? Primeiramente, atentemos para o que significa mudar os tempos, e depois o que significa mudar a lei:

 

Qual o nome que se dá ao calendário hoje em vigor no mundo ocidental e aceito praticamente em quase todos os países do mundo? A resposta é: Calendário Gregoriano, em homenagem ao papa Gregório XIII (1572-1585).

 

Este papa promoveu em 1582 a reforma do calendário, suprimindo dez dias e introduzindo os anos bissextos na contagem do tempo. Também o sistema bíblico de marcação do inicio dos dias, que era feito a partir do por do sol, foi alterado para a partir da meia-noite.

 

Pode-se, portanto, afirmar que o poder papal mudou os tempos. E o que dizer com relação à lei?

 

Pela absoluta notoriedade do atentado feito à lei de Deus, podemos mencionar algumas das alterações que o papado, de maneira atrevida e blasfema, pretendeu efetuar na eterna lei divina, escrita como próprio dedo de Deus.

 

Em primeiro lugar ele substituiu o primeiro mandamento: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20:3), por outro que diz: Amar a Deus sobre todas as coisas. Ora, o propósito do poder apóstata é ocultar a incontável quantidade de deuses que fabricou através de decretos papais, em substituição aos deuses do paganismo.

 

Ao canonizar os seus santos, ele se antecipa ao juízo de Deus e, sobrepondo-se ao próprio Deus, declara que eles se encontram na bem-aventurança, aptos a fazer milagres, atender orações e com capacidade para estar em toda parte, atributos estes inerentes a Deus e somente a Ele.

 

Como poderia o primeiro mandamento coexistir com a inumerável quantidade de santos ou pequenos deuses se esse mandamento repreendia à idolatria do santos?

 

O segundo mandamento foi simplesmente extirpado da lei de Deus. Como poderia o poder religioso apóstata conviver com a multidão de imagens de escultura, ídolos e ícones herdados do paganismo e com um mandamento que é determinante e diz claramente: Êx 20:4-5.

 

No quarto mandamento Deus determina que seja santificado o sábado do sétimo dia por que, segundo este mandamento, o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus (cf. Êx 20:8-11), que Ele abençoou e santificou e que seria um sinal do Seu poder criador entre Ele e os Seus filhos, perpetuamente (cf. Êx 31:16-17).

 

Ora, este mandamento foi substituído e, em lugar do sábado do sétimo dia foi colocado o primeiro dia da semana, que era observado e guardado pelo paganismo romano como o dia do sol. Hoje, em lugar do preceito divino encontra-se o preceito papal: Guardar domingos e dias de festa (Catecismo Católico Romano).

 

A Igreja Católica afirma que o papa tem autoridade para mudar a lei de Deus, razão por que o fez. Segundo ela, os protestantes aceitam esta afirmação porque observam um dia para cuja mudança não existe nenhuma outra autoridade que não seja a autoridade papal. O poder papal não poderia conviver com o quarto mandamento porque ele é o selo da lei de Deus e contém em seu texto o nome do Legislador, as Suas atribuições de Criador e a jurisdição do Seu domínio.

 

O sétimo mandamento: “Não adulterarás” (Êx 20:14) foi modificado para Não pecar contra a castidade, porque um poder adúltero, que perverteu e adulterou os límpidos princípios do Cristianismo não poderia conviver com um preceito que lhe seria uma constante acusação.

 

Finalmente, o décimo mandamento que de termina que nada se cobice do próximo, foi reparti do em dois, para que não ficasse incompleto o número dos mandamentos, já que havia sido suprimido o segundo mandamento que proibia a confecção e o culto às imagens.

 

Está, portanto, devidamente esclarecido, sem nenhuma dúvida, que o poder papal jogou a verdade por terra e cuidou em mudar os tempos e a lei. Cumpriu, portanto, mais esta especificação da profecia, a ele referente. Resta, portanto, para dar total cumprimento a toda a profecia, o esclarecimento a respeito do período do seu domínio absoluto.

 

Por fim, vamos fazer uma conta rápida para calcular o período em que o poder papal se manteve absoluto.

 

O início do domínio papal foi no ano 538 D.C. pelo decreto de Constantino e a data em que o poder papal caiu com o Papa Pio VI foi em 1798. Portanto, subtraindo-se 538 de 1798, encontramos o período em que o poder papal teve domínio sobre a Terra que foi 1260 anos.

 

Pergunta: este fato já estava escrito nas Sagradas Escrituras? Sem nenhuma dúvida, com absoluta clareza a resposta é sim.

 

As profecias de Daniel e do Apocalipse são unânimes e textuais nessa referência: … e eles serão entregues na sua mão por um tempo, e tempos, e metade de um tempo (cf. Dn 7:25). E foram dadas à mulher as duas asas de grande águia, para que voasse ao deserto, ao seu lugar, aí onde é sustentada durante um tempo, tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente (Ap 12:14). De acordo com Dn 11:13, a palavra tempos, referindo-se a períodos proféticos, significa anos. Em Daniel 7:25 a palavra tempos está no plural, no original aramaico iddanim, significando, pois, dois anos.

 

Um tempo representa um ano ou 360 dias. Dois tempos representam dois anos ou 720 dias e a metade de um tempo representa a metade de um ano, ou 180 dias. Somando-se todos estes dias-anos encontramos o resultado de 1260 dias proféticos ou 1260 anos, que foi exatamente o período de domínio do poder anticristão.

 

A misericordiosa providência do Deus Altíssimo, para não deixar nenhuma dúvida, em nenhum aspecto ou sentido, ampliou as informações a respeito desse período. Note-se, nas referências seguintes, o mesmo período representado de diferentes maneiras: E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante 1260 dias (Ap 12:6).

 

O mesmo período é mencionado novamente em Ap 13:5. 42 meses são equivalentes a 1260 dias, que é o resultado da multiplicação de 42 por 30. O mesmo período é novamente mencionado pela profecia sagrada.

 

É impossível, portanto, não se enxergar o perfeito cumprimento da Palavra de Deus, no tocante ao período em que o poder papal predominou. Sem nenhuma dúvida, 1260 anos, do ano 538 ao ano de 1798.

 

A ferida mortal

A Bíblia diz que a besta teria uma ferida mortal. Quando isso ocorreu? Na tentativa de conquistar a Europa, em 1798, Napoleão Bonaparte teve que derrubar a maior força da Europa, o poder da igreja romana.

 

Nesse ano ele enviou seu general Bertier a Roma para prender o papa Pio VI, tomando todas as posses papais. Foi como uma ferida de morte: na França as igrejas foram destruídas, os líderes religiosos mortos: a besta foi golpeada de morte (cf. Ap 13:3).

 

A cura da ferida

A Bíblia também diz que sua ferida mortal seria curada. Podemos perceber que em 1929 o ditador italiano Benito Mussolini assina o Tratado de Latrão, devolvendo para a igreja romana as posses que Napoleão Bonaparte havia confiscado, curando assim a ferida.

 

Com esse ato, a igreja romana voltou a ter o seu poder político e religioso novamente restaurado, porque o Vaticano é um país independente com diplomacia mundial.