A nova vida de Kim Shin-jo

1966

O comando da Unidade 124 (tropa de elite norte-coreana) selecionou e treinou durante dois anos, 31 homens dos seus melhores homens para se infiltrarem na vizinha rival Coreia do Sul. Foram treinados em técnicas de infiltração, armamento, navegação, infiltração anfíbia, combate corpo a corpo, entre outras.

 

 

18 Janeiro de 1968

Blue House – residência presidencial da Coreia do Sul

O tenente de forças especiais da Coréia do Norte, Kim Shin-jo, de 27 anos e mais 30 militares receberam ordens superiores para cruzar secretamente o Paralelo 38N – a linha de demarcação que separa as duas Coreias. A missão que esses homens receberam foi de se infiltrarem na Blue House – residência presidencial da Coréia do Sul, em Seul e assassinar o então presidente sul-coreano Park Chung-hee.

 

Se fossem descobertos a caminho de Seul, a ordem que os militares recebera foi clara: matar imediatamente a pessoa que os descobrir e enterrá-lo, ou dependendo da situação, cometer suicídio.

 

Divididos em 6 equipes, os 50km que separam a fronteira da grande metrópole Seul de quase 10 milhões de habitantes foram percorridos em quatro dias, nos quais a equipe norte-coreana disfarçada coletou várias informações sobre o seu alvo.

 

Alvo de ataque: presidente Park Chung-hee

Na passagem por uma aldeia levantaram suspeitas por causa das atitudes e, principalmente, do sotaque norte-coreano. Em vez de matar e enterrar os quatro irmãos que acidentalmente se encontraram com os guerrilheiros, o tenente Kim Shin-jo poupou-os, e apenas os advertiu para guardar o silêncio. Depois de uma breve aula de doutrina comunista, os militares seguiram para Seul, mas após a partida dos militares, os irmãos logo informaram à delegacia mais próxima. Uma enorme operação anti-guerrilha foi montada pela polícia e exércitos sul-coreanos e norte-americanos para capturar os invasores, porém, sem saberem do objetivo dos norte-coreanos, foi praticamente impossível de concentrar os esforços numa área específica do país.

 

Um interrogatório posterior revelou que os norte-coreanos tinham sido ensinados a esperar uma calorosa recepção de um povo oprimido e, em vez disso, encontraram um anticomunismo entre o povo sul-coreano tão forte que eles não estavam preparados para lidar com isso.

 

21 de janeiro de 1968

Kim Shin-jo capturado

A Unidade 124 decidiu se infiltrar no setor da Divisão de Infantaria 2, perto da cidade de Yeoncheon, porque acreditava-se que, infiltrando-se através do setor norte-americano e depois assassinando o presidente Park Chung-hee, os militares coreanos culpariam os EUA pelo assassinato causando tensão entre os dois aliados para que os agentes da Coréia do Norte explorassem.

 

Chegando ao anoitecer na capital Seul, Kim e seus homens ficaram surpresos ao ver tantos automóveis circulando, e quão grande eram as casas em comparação às casas do Norte, e como as luzes da cidade brilhavam tão intensamente durante a noite. Eles haviam aprendido que Seul vivia ainda na época das pedras. Por volta das 10:30h do dia 21 de janeiro, finalmente chegaram no endereço almejado, prontos para matar e morrer. Disfarçados de soldados sul-coreanos tentaram passar pela guarita, porém logo foram descobertos. Armados com pistolas e granadas, os comunistas não hesitaram em confrontar a guarda presidencial e iniciou-se uma feroz batalha a pouco mais de 800 metros da Blue House.

 

Seul

Dois ônibus escolares lotados foram envolvidos no tiroteio, até que tanques do exército foram acionados para reforçar a defesa presidencial. Sem chances de lutar contra os blindados e o enorme contingente de soldados, o comando norte-coreano abandonou a missão e fugiu espalhando-se pelas ruas de Seul, mas as tropas governamentais os perseguiram. Seguiu-se uma batalha de arma de fogo. Quase cem militares e civis morreram naquele dia, e apenas dois atacantes sobreviveram. Durante nove dias toda a Coréia do Sul saiu à caça dos guerrilheiros. Uns foram mortos, e outros cometeram suicídio para não serem capturados. Um dos sobreviventes conseguiu escapar e voltar para o Norte e, como herói, recebeu patente de general. Outro sobrevivente foi o tenente Kim Shin-jo que foi imediatamente capturado e levado ao interrogatório sucessivamente durante os meses que se seguiram. Convencido de que seria executado, um ano depois, Kim ficou surpreso ao ser perdoado sob alegação de ter sido encontrado com a sua arma, porém sem nenhum vestígio de disparo.

 

A nova vida de Kim Shin-jo

Kim Shin-jo

Após receber o perdão e posto em liberdade, Kim recebeu a cidadania sul-coreana e nunca mais voltou a cruzar a fronteira com a Coreia do Norte. Esta notícia de grande repercussão também chegou a vizinha do Norte, e como retaliação ao desertor, o governo do Norte executou a família de Kim Shin-jo.

 

Depois deste trágico e lamentável acontecimento, Kim decidiu viver definitivamente no novo país, que antes inimigo, agora o perdoara e acolhera oferecendo nova cidadania. Um ano depois, Kim conheceu a sua futura esposa que o levaria para a fé evangélica. Kim, lutando diariamente com o sentimento de culpa pelo castigo que os seus familiares receberam no outro lado da fronteira, finalmente conheceu a Palavra de Deus e, mais tarde, tornou-se ministro evangélico.

 

“Eu tentei matar o presidente. Eu era o inimigo, mas o povo sul-coreano me mostrou simpatia e perdão. Eu fui tocado e movido”, disse Kim.

 

Presidente Lee Myung bak  (2008-2013)

Durante o seu mandato, o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, nomeou Kim Shin-jo, para ser um conselheiro de direitos humanos para o Grande Partido Nacional governante.

 

“E vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou; no qual não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos.” (Cl 3:11)

 

 

 

 

 

Veja também:

“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23:34)

Milagre: “[…] Os impossíveis dos homens são possíveis para Deus.” (Lc 18:27)