O uso do véu na igreja em Corinto (1Co 11)

A antiga cidade de Corinto era um importante centro comercial, cultural e religioso da região de Peloponeso, na Grécia. Durante um ano e meio, Paulo morou em Corinto, onde como em outros lugares, enfrentou muitas dificuldades e perseguições; porém fortalecido pelo Espírito Santo, pregou cabalmente tanto aos gregos como aos judeus que ali habitavam. Foi em Corinto que Paulo conheceu o casal Priscila e Áquila que mesmo recém chegados de Roma, devido a perseguição aos judeus que ali ocorrera, cooperou grandemente com o apóstolo e com o evangelho do Senhor (At 18:1-18).

“Teve Paulo durante a noite uma visão em que o Senhor lhe disse: Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; porquanto eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade.” (At 18:9-10)

 

Afrodite

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Antiga Corinto e o templo de Afrodite ao fundo, no topo do monte

Nas imediações da cidade de Corinto está o Acrocorinto, um imponente monte de 575m de altitude, onde se encontra a ruína de um grande templo que nos tempos passados, fora dedicado à Afrodite, a deusa do amor, da beleza e da sexualidade na mitologia gregaAfrodite é versão grega de Ishtar (Astarote), deusa dos cananeus, descrita em 1Rs 11:5 como abominação. Nos tempos da conquista de Canaã, os israelitas a chamavam de Astarote, que significa “vergonha” referindo-se à extrema depravação dos cultos que os cananeus ofereciam à essa deusa. Já na época de Paulo, os prostitutos-cultuais representavam Afrodite e outros deuses mitológicos, apresentando oferendas que eram os seus próprios corpos publicamente para sexo e sensualidade em honra dos seus deuses. Essas coisas eram a pior forma de prostituição, porque com a aprovação religiosa, homens e mulheres se entregavam aos rituais imorais a céu aberto.

“Das filhas de Israel não haverá quem se prostitua no serviço do templo, nem dos filhos de Israel haverá quem o faça. Não trarás salário de prostituição nem o preço de sodomita à Casa do SENHOR, teu Deus, por qualquer voto; porque uma e outra coisa são igualmente abomináveis ao SENHOR, teu Deus.” (Dt 23:17-18)

Clique e veja a origem de Afrodite, segundo a mitologia grega

 

Quem eram os prostitutos-cultuais?

“Havia também na terra prostitutos-cultuais; fizeram segundo todas as coisas abomináveis das nações que o SENHOR expulsara de diante dos filhos de Israel.” (1Rs 14:24)

 

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Vista do topo do monte para o Golfo de Corinto

Mais de mil sacerdotes serviam no templo de Afrodite, em Corinto. Estes sacerdotes eram homens e mulheres denominados “prostitutos-cultuais”. Nas celebrações de seus cultos, os prostitutos-cultuais se trajavam de deuses de amor, de fertilidade, de beleza, de sexualidade e de erotismo em honra aos seus deuses. A palavra “prostituto” em hebraico é “qadesh” (masculino) e “qadeshôth” (feminino) que significam “santo” e “santa”, ou “separado” e “separada”, respectivamente; mas nestes casos, eles não eram separados para o serviço de Deus, e sim para o serviço idólatra depravado e vergonhoso.  Daí, o costume bíblico de se referir a idolatria de prostituição espiritual:

“O meu povo consulta o seu pedaço de madeira, e a sua vara lhe dá resposta; porque um espírito de prostituição os enganou, eles, prostituindo-se, abandonaram o seu Deus.” (Os 4:12)

 

Mesmo com sucessivas advertências do SENHOR, através dos seus profetas, Israel, no decorrer dos séculos, foi absorvendo as mais abomináveis práticas pagãs da redondeza, até chegarem ao mais lamentável estado de depravação espiritual e moral possível, como se vêem relatadas em muitas páginas do Livro dos Reis, Crônicas e profetas.

 

Alguns reis de Judá se esforçaram em obedecer ao SENHOR Deus procurando acabar com a prostituição cultual (cf. 1Rs 15:12; 22:47), mas com tempo, sobre a forte influência dos cananeus, Israel voltava a adotar os costumes pagãos.  Depois de muitos anos perdidos na idolatria, finalmente, por volta do Século VII a.C., o rei Josias, de Judá ordenou a destruição de templos de prostituição cultual que estavam instalados – quem diria, infiltrados na própria Casa do SENHOR. (cf. 2Rs 23:7)

 

Culto às divindades pagãs da sensualidade eram difundidas no antigo Egito, Roma, Índia e em algumas localidades do Japão – e hoje, lamentavelmente, em muitas igrejas denominadas cristãs.

 

Os problemas na igreja em Corinto

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Antiga Corinto

O SENHOR enviou os Seus homens a pregar o Evangelho à essa cidade, onde era conhecida naqueles tempos como a “capital da decadência moral”. Como se não bastassem os prostitutos-cultuais, a cidade estava infestada de prostitutas comuns. Paulo ensinou o Evangelho do Senhor Jesus Cristo aos coríntios, mesmo debaixo de muitas perseguições. Depois de partir de Corinto, Paulo escreveu uma epístola, hoje perdida (cf. 1Co 5:9). Talvez em resposta a essa carta, os irmãos em Corinto lhe redigiram algumas perguntas inquietantes. Na resposta enviada por Paulo vemos assuntos como problemas de divisão na igreja (1Co 1:10-17); a imoralidade entre os membros da igreja (1Co 5; 1Co 6:9-20); e os assuntos concernentes a casamento, alimentos, adoração e ressurreição nos demais capítulos. Todos nós viemos do mundo, e hoje reconhecemos que o mundo é sujo, em vários aspectos.

 

Certamente deve ter sido bastante difícil para os homens de Deus evangelizarem um povo que achava normal todos os atos depravados praticados em Corinto. Muitos dos coríntios, haviam se convertido trazendo consigo alguns dos seus antigos costumes, pelo que vemos em 1Co 5:1 uma severa repreensão – “Geralmente, se ouve que há entre vós imoralidade e imoralidade tal, como nem mesmo entre os gentios, isto é, haver quem se atreva a possuir a mulher de seu próprio pai.” (1Co 5:1) – seguida de uma firme exortação – “Lançai fora o velho fermento, para que sejais uma nova massa, como sois, de fato, sem fermento […]” (1Co 5:7). Muitos de nós vivíamos na prática e defesa de costumes e fés abomináveis, longe de Cristo, porém, pela graça de Deus, como está na Epístola aos Efésios:

“Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo.” (Ef 2:13)

 

O problema do cabelo das mulheres em Corinto

 

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Figura na cerâmica grega: meretriz de cabelo curto

Agora, você já pode imaginar a cena que predominava na antiga Corinto. Sim, nada muito diferente ao mundo de hoje, onde a prostituição, o adultério, a imoralidade, a sensualidade, a indecência, a idolatria, etc. são exibidas em todos os meios de comunicação, sendo copiados por homens e mulheres e até crianças, como padrão a ser seguido.

 

No primeiro século da nossa era, as prostitutas de Corinto tinham o seus cabelos curtos, como podemos observar em gravuras em vasos gregos. Já as mulheres em geral, tanto as gregas como as judias tinham o costume de manter os seus cabelos longos. Quando a Palavra de Deus chegou a Corinto, até as prostitutas começaram a se converter ao Senhor. Isso é maravilhoso; porém um problema surgiu dentro e fora da igreja: as recém convertidas mulheres de cabelo curto passaram a sofrer discriminação. Ora, se o problema fosse só na maneira delas se vestirem, era só trocar de roupa; porém o problema de cabelo curto é diferente: ele não cresce da noite para o dia.

 

 O que fazer para que essas mulheres que deixando o pecado se converteram para o evangelho vivam a nova vida em Cristo? Como resolver essa situação? Paulo ordenou as mulheres a usarem véu para não serem confundidas com prostitutas:

“Toda mulher, porém, que ora ou profetiza com a cabeça sem véu desonra a sua própria cabeça, porque é como se a tivesse rapada” (1Co 11:5)

 

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Museu Nacional de Arqueologia grega

Ao lermos a Bíblia, devemos tomar o cuidado de observar todo o contexto da mensagem. As palavras de 1Co 11:2-16 são palavras dirigidas exclusivamente à igreja em Corinto do primeiro século – é um erro grosseiro querer implantar tal costume nas igrejas atuais, porque:

  • Se as mulheres devem usar véus e não podem cortar o cabelo, os homens deveriam usar barba comprida;
  • Tosquiar ou rapar a cabeça significa cortar rente, careca. Portanto, não é certo dizer que as mulheres não podem cortar o cabelo, nem as suas pontas, ao menos;
  • Entende-se por “cabeça”, toda parte da anatomia que está acima do pescoço, e não apenas o cabelo;
  • O véu que muitas mulheres usam sobre o cabelo nas igrejas são de renda, ou seja, são transparentes – não cobrem, nem escondem nada. Se a mensagem de 1Co 11 que foi dirigida à igreja em Corinto para resolver o problema local fosse aplicável no Século XXI, aqui no Ocidente, então, essas mulheres deveriam usar burka, à moda afegã, ou pelo menos cobrirem-se como freiras católicas;
  • “Tosquiar ou rapar” (1Co 11:5-6) é “cortar rente” e não devem ser confundidos com simplesmente, “cortar”.

Clique e veja o que diz em 2Co 3:12-18

“Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado.” (2Co 3:16)

 

Veja o site do Museu Nacional de Arqueologia grega

Devemos entender que não são os cabelos longos que salvarão as mulheres, nem os cabelos curtos, os homens. Agora preste atenção no que diz 1Co 11:15: “[…] Pois o cabelo lhe foi dado em lugar de mantilha”, ou seja, as coríntias deveriam cobrir a cabeça na falta de cabelo; mas tendo cabelo, estariam dispensadas do uso da mantilha (véu). 

 

Conclusão:

Hoje, não há necessidade de as mulheres usarem véus nas igrejas, nem se preocuparem em deixar o seus cabelos longos. O texto de 1Co 11:3-16, foi endereçada especialmente para solucionar o problema na igreja em Corinto.

Nos dias atuais, devemos nos preocupar com a apostasia, prostituição espiritual e seus deuses e doutrinas estranhas:

“Contudo, não obedeceram aos seus juízes; antes, se prostituíram após outros deuses e os adoraram. Depressa se desviaram do caminho por onde andaram seus pais na obediência dos mandamentos do SENHOR; e não fizeram como eles.” (Jz 2:17)