A herança idólatra em Éfeso

efeso

“Foi a cidade tomada de confusão, e todos, à uma, arremeteram para o teatro […]” (At 19:29)

O sítio arqueológico onde estão as ruínas da antiga cidade de Éfeso é em formato de “L” – acessível pelo portão superior ou inferior. Ambos acessos contam com estacionamentos, lojas de suvenires e serviços. O visitante pode ir de carro alugado e optar por um dos acessos – neste caso, após conhecer as atrações do sítio, terá que retornar para o estacionamento pelo mesmo caminho; mas se usar o transporte público, provavelmente, este o deixará na parte superior para poupá-lo de uma leve ladeira, e no final da visita, estará esperando na saída do portão inferior.

 

Perto do acesso inferior, em meio a um bosque sobre o monte Koressos, há uma casa de pedras que data do primeiro século e que os “peregrinos católicos” supõem ter sido a casa onde a Virgem Maria viveu. Segundo os peregrinos, após a crucificação de Cristo, o apóstolo João levou Maria para viver em Éfeso, bem longe dos seus perseguidores em Jerusalém. Esta é uma interpretação particular dos peregrinos católicos, sem fundamento bíblico da passagem que diz: “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19:26), e “Eis aí tua mãe” (Jo 19:27).

 

virgin Mary house turkey

Suposta casa onde viveu a Virgem Maria

Digo “peregrinos católicos” porque o próprio Vaticano jamais se pronunciou a respeito da autenticidade daquela casa de pedras por falta de evidências aceitáveis, e mesmo assim, vários papas estiveram ali extraoficialmente, dando a entender uma posição favorável àquela descoberta duvidosa.

 

Segundo a tradição católica, uma freira vidente alemã, chamada Anna Catharina Emmerich (1774 – 1824), teve visão de uma montanha de onde se podia ver o mar Egeu e as ruínas de Éfeso, onde estaria a casa da Virgem. A partir desta visão, várias pessoas passaram a procurar pela suposta casa, até que em 1881, Julien Gouyet, um padre francês, acreditou ter descoberto a casa descrita pela vidente – e, assim ficou sendo até o presente.

 

Templo de Artemis

O que resta do Templo de Ártemis em Éfeso

Tais especulações não são de se admirar, pois é sabido que desde a antiguidade, a própria cidade de Éfeso foi centro de peregrinação à falsas divindades, especialmente às femininas como Diana e Nike. Diana era nome romano daquela padroeira, e em grego, Ártemis.

 

Saindo pelo portão inferior do sítio arqueológico de Éfeso, e atravessando a autopista para Kuşadası, a moderna Éfeso, há uma placa indicando “Artemis Tapınağı” em turco. Passando por um estreito caminho tomado pelo mato e com poças de águas barrentas, chega-se ao templo de Ártemis, historicamente conhecido como uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Não há necessidade de pagar ingresso ou estacionamento, porque do que foi considerado maravilha, não resta quase nada, senão uma solitária coluna reerguida por arqueólogos alemães no Século XIX.

 

Em Atos 19:23-41 está descrito como um ourives chamado Demétrio liderou um grande tumulto em defesa da falsa deusa Diana dos efésios, quando Paulo e seus companheiros estiveram por lá pela primeira vez.

 

Diana

Diana dos efésios

Diana dos efésios era uma imagem que os antigos acreditavam ter caída de Júpiter (cf. At 19:35) e era adorada como uma espécie de padroeira em toda a Ásia Menor. Observe na foto ao lado a imagem achada numa escavação arqueológica e hoje exposta no museu da cidade: Ela é cheia de seios, indicando a sua fertilidade. Não é de se admirar que abominações como esta, ainda hoje, ocupam lugares em muitos lares cristãos em forma de coelhos. Pergunte a qualquer pessoa o que representa o coelho na páscoa, e você ouvirá como resposta: coelho representa fertilidade. O sincretismo religioso está mais do que evidente neste caso.

 

Figuras de idolatria como esta foram sutilmente inseridas no catolicismo romano e disseminadas no mundo como ensinamento verdadeiro, mas não passa de terrível engano e atentado ao puro ensinamento cristão. Falsos deuses greco-romanos foram trocados por figuras de apóstolos do Senhor, deusas pagãs foram remodeladas e indevidamente representadas em nome de mulheres santas da Bíblia. Paulo, Gaio, Aristarco, Apolo e outros nunca intentaram substituir a figura pagã de Diana pela de Virgem Maria, antes combateram todo tipo de idolatria, inclusive a eles mesmos:
“Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisa vãs vos convertais ao Deus vivo que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles” (At 14:15)

 

Na verdade, desde a época da Babilônia já se cultuavam figuras femininas com características semelhantes. Quando o catolicismo se tornou religião oficial do Império Romano, Diana, Seramis, Isis, Ashtar, Cibele e outras foram gradativamente sendo substituídas pela figura de Virgem Maria – coisas estas que o SENHOR nunca ordenou que se fizessem.

 

joãoPara engrossar a lista de deuses e santos efésios, é possível encontrar nos arredores, o suposto túmulo de João, o apóstolo, que está localizado nas ruínas de uma basílica construída sob ordens do imperador Justiniano I, no Século VI. Segundo o Livro de Apocalipse, João esteve em Patmos, hoje, uma ilha pertencente a Grécia, porém bastante próxima a Éfeso. É interessante notar que a Bíblia não diz que João morreu em Patmos, e historiadores cristãos dizem que João foi o único dos apóstolos do Senhor que não foi martirizado, mas após escrever Apocalipse, de alguma forma teria deixado Patmos para viver em Éfeso. Tal informação carece de fontes confiáveis, e qualquer que seja a solução, não pode perturbar a nossa fé no Senhor JESUS.

 

efesus souvenirs

Voltando às ruínas da antiga Éfeso – de frente para o guichê de ingressos, há uma variedade de lojas de suvenires onde os demétrios modernos continuam fabricando e vendendo imagens de Diana e de Virgem Maria, lado a lado, na mesma prateleira, seduzindo os desavisados a imortalizar a idolatria, e contrariando o ensino dos apóstolos, indicando que por ali pouca coisa mudou nestes últimos dois mil anos. Lamentável!